Quando, em 1996 (quase trinta anos) a presidência do ICN de Teresa Andresen (de quem fui vice-presidente) iniciou os trabalhos para elaborar uma estratégia nacional de conservação da natureza e da biodiversidade (não me lembro do nome concreto), pediu-se a todas as associações ambientais que identificassem prioridades de conservação para o país.
O resultado foi tão confrangedor que ainda hoje me lembro de coisas inacreditáveis como o facto da Liga para a Protecção da Natureza e a Associação dos Biólogos entregarem cópias do mesmo documento (não assinadas como um documento conjunto, mas como dois documentos independentes elaborados por cada uma das associações) e o facto da generalidade das associações identificaram como prioridades aquilo que lhe permitiria financiar-se mais facilmente no curto prazo.
Foi uma experiência deprimente, tanto mais que eu era o principal impulsionador do esforço de audição do movimento ambientalista.
Daí para cá, deixei de ter ilusões sobre a qualidade do trabalho do movimento ambientalista em matéria de conservação da natureza(existem excepções, claro).
Ao ler isto, reforço a minha convicção de que o movimento ambientalista há muito deixou de ter pensamento estratégico na área da conservação.
Para além de umas generalidades totalmente alinhadas com agenda europeia (e sem qualquer justificação em Portugal, frequentemente), acaba-se a falar do lobo como prioridade de conservação (pior que isso só mesmo o ICNF, que ainda recentemente falava da lontra com prioridade de conservação) e das árvores da berma da estrada, numa reverência à espuma mediática que é tão pequenina, tão pequenina, que não se percebe como as sete maiores associações de conservação do país acordam em dizer que essa é uma prioridade de conservação para as próximas legislativas.
Dados fiáveis? Identificação de problemas? Propostas concretas? Pagamentos de serviços de ecossistema?
Metafísica para o nosso pobre movimento ambientalista.
Caro Henrique são quase 30 anos não 40! não me faça mais velha do que sou
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ResponderEliminarHmmm. Então, pior que o movimento ambientalista, só mesmo o "patrão" do Henrique. É isso?
ResponderEliminarIsso, já corrigi, obrigado
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