O título do post é um remate de um comentário a um post anterior e bastante ilustrativo da opção por atribuir a terceiros os argumentos que nós achamos que eles usam, mesmo que em lado nenhum se consiga encontrar o sítio em que o adversário usou esse argumento.
No caso, o comentário é sobre a recente discussão sobre a Palestina, mas estou muito habituado a lidar com este tipo de argumentos, quer em relação aos fogos, quer aos eucalitpos (não têm conta as vezes em que já pedi a diferentes pessoas para me dizerem onde está uma única coisa escrita por mim a defender a produção de eucalipto), quer a opções de conservação, etc..
Não há, que eu tenha consciência disso, uma única linha minha a dizer que acho bem ou mal as opções de Israel na recente crise (ou nos seus antecedentes).
Ao contrário do que se passa na Ucrânia, em que manifestamente há um agressor e um agredido, na minha opinião, no caso da Palestina o que tenho escrito é que é um assunto de muitíssima complexidade, com raízes históricas profundas, com erros e razões de parte a parte.
Quase todos os posts que fiz sobre o assunto são sobretudo posts de perplexidade, relacionados com a facilidade com que se usam diferentes critérios para avaliar as acções das duas partes e confessando a minha incapacidade em ver que alternativas tinha Israel depois de 7 de Outubro.
Alguns dos posts, no entanto, dizem respeito à minha absoluta recusa em aceitar a equivalência moral entre a actuação do Hamas, e o Hamas, ele mesmo, e a actuação do Estado de Israel, e o Estado de Israel, ele mesmo.
Isso não significa achar bem a actuação de Israel, mas reconhecer que Israel, até por precisar de gerir a sua reputação e por razões militares, está a fazer um esforço enorme para poupar civis e concentrar os danos na estrutura militar do Hamas, parece-me da mais elementar justiça.
Isso não significa negar que existam danos colaterais, nem negar que em alguns casos Israel possa usar meios excessivos para os resultados obtidos (seja por má informação, seja por erro, seja por outra coisa qualquer) e que esses danos colaterais são enormes sobre populações civis e pessoas indefesas.
Significa apenas que não sei como é possível combater o Hamas, cujas opções estratégicas são conhecidas, incluindo o seu interesse em empolar esses efeitos colaterais, sem que existam danos colaterais e também não sei como mitigar a catástrofe humanitária sem, no mesmo passo, reforçar a capacidade do Hamas.
Não acho bem nem mal esta ou aquela opção, não sei, é o que tenho repetido.
Claro que para quem ache que Israel, como Herodes, decidiu matar crianças porque não as distingue dos combatentes do Hamas, que toda a política de Israel visa expulsar os palestinianos da Palestina para lhes ficar com as terras e etc., a minha posição não só é incompreensível, como não passa de uma tentativa de justificar o injustificável.
Mas isso não altera o que é de facto o meu ponto de vista: não faço a menor ideia sobre se Israel deveria existir ou não, tal como não sei se o Curdistão ou a Catalunha deveriam ser Estados independentes, o que sei é que negar os problemas que estão na base das reivindicações de judeus, palestinianos, curdos ou catalães, não resolve nada.
Portanto, para gerir um mundo onde esses problemas existem, e existem independentemente da minha vontade, não há vantagem nenhuma em falar de mundos a preto e branco: não só são os cinzentos que predominam, como os tons de cinzento dependem do ponto de vista de cada uma das partes interessadas, sendo muito difícil evitar a guerra quando as partes discordantes nem sequer conseguem pôr-se de acordo no tom de cinzento que estão a ver ao mesmo tempo.
ResponderEliminarIsrael não tem que proteger qualquer reputação. Faz o que quer, terá sempre apoio dos seus aliados, e desdém dos seus opositores, o poder de veto dos USA no Conselho de Segurança faz o resto.
Não faço a menor ideia do que se passa realmente em Gaza em termos militares, como se costuma dizer, entre as duas "verdades" estarão os factos reais. As operações israelitas podem estar a ser orientadas para alvos específicos, ou podem estar a varrer o que lhes aparece pela frente. Num cenário de guerra, nem sempre se pode aplicar a lógica de quem está na cadeira a escrever teses académicas.
A questão básica com qualquer opinião sobre este conflito (e sim, são opinióes e nada mais, embora todos se estabeleçam como peritos, e isentos), é que à partida quem a escreve já tem a conclusão tirada, e depois vai formando "factos" e "argumentos" baseados em suposições do que acha estar a acontecer. Se a notícia for "míssil israelita rebenta ambulância e mata dez", uns dirão que estavam lá 9 tipos do Hamas, a usar um outro como escudos; outros dirão que os israelitas fizeram aquilo porque querem matar "as many sons of bitches as possible" indiscriminadamente.
Sobre os métodos de combater o Hamas, não sou perito em estratégia militar, mas quem sabe diz que esta táctica já foi tentada, e não resulta. Se calhar, menos balas e mais inteligência... uma ideia seria procurar as cadeias de logística e financiamento, e cortá-las. Mas isso poderia ser mau para o negócio (yes, sou eu a especular).
Passe ao lítio. Este sim, promete.
ResponderEliminarTexto muito fraco.
ResponderEliminarAparentemente a simplicidade do assunto não lhe permitiu fazer um comentário mais curto
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