
"Chegaram ao meu conhecimento indícios certos de que o movimento estava para breve [incursões monárquicas]. Dirigi-me então ao Visconde dos Olivais, que eu tinha descoberto estar muito metido no negócio. Disse-lhe as minhas intenções e pedi-lhe que me avisasse a tempo, para eu partir com os meus de maneira a não me eternizar em Espanha, pois os meus meios mo não permitiam, mas também a não correr risco de achar a fronteira fechada.
Ele disse-me que partisse brevemente e pusemo-nos a caminho para o Porto a 17 de maio, dia dos anos do Pedro, a cuja saúde bebemos, no vagão restaurante do rápido duplo do Porto, uma garrafa de champanhe. Eu ia radiante e supunha que a nossa volta seria uma marcha triunfal da fronteira a Lisboa. Estranhei muito ao sair do portão da Quinta na nossa carruagem de ver chorar a Maria e o Pedro. Eles disseram-me então que tinham o pressentimento de não tornarem a ver a Póvoa. Com efeito, o Pedro tornou a vê-la quando já não era minha e fui lá recolher as nossas coisas."
In "A Casa de Abrantes - crónicas de resistência", livro a ser apresentado no próximo dia 14 de Maio às 11:00 no Salão Nobre do Palácio da Quinta da Piedade
Imagem: fotografia aérea da Quinta da Piedade nos anos 50.
ResponderEliminarO que mais ofende a vista na fotografia apresentada é a escassez de árvores.
Aposto que a Quinta atualmente está muito mais arborizada.
O visconde de Balio pode crer que sim, que está hoje mais arborizada, embora menos que a quinta do Sobralinho, próxima, aliás mais pequena, e que também merece visita.
ResponderEliminarA propósito, ainda não pedi as devidas e pessoais desculpas ao nosso prezado João Távora pela confusão que fiz outro dia aqui entre as duas quintas (que ficam no mesmo concelho), falando de móveis giratórios e compartimentos secretos aonde (diz-se) o autocrata Salazar às vezes ia, nos anos 30, quando a do Sobralinho pertencia ao seu ministro Armindo Monteiro.
diga quando sai para venda
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