quarta-feira, 6 de abril de 2022

Quando é que Portugal falhou?

A pergunta do título do post é feita por Nuno Palma nesta conferência que vale a pena ouvir.


É a pergunta a que Nuno Palma pretende responder, antes de responder à clássica pergunta sobre as razões para ter falhado (e falhou sim, o nível de vida no início dos anos 20 do século XX era semelhante ao nível de vida no país em meados do século XVIII).


Não é que Nuno Palma diga coisas muito diferentes do que tem dito, e que este gráfico ilustra bem


rendimento per capita desde o século XVI.jpg


O que é interessante é a forma sistemática como discute as diferentes hipóteses que podem explicar este gráfico e, sobretudo, o que isso nos ajuda a pensar no que podemos fazer pelo país, para o futuro.


A história não é um manual para o que temos de fazer, seguramente, mas ajuda-nos a ter a percepção de como a actual situação, que é uma situação de apodrecimento progressivo, degradação das instituições, estatismo e crescimento do rentismo, pode custar muito, muito caro aos nossos filhos, netos e bisnetos.


A esperança reside essencialmente no facto das nossas exportações, e o que isso significa de abertura económica, serem relativamente altas, para o que é o nosso padrão histórico, diria eu.


Se também esse indicador começar a dar sinais de regressão séria e sustentada, espero que o resto dos meus filhos, os meus netos e bisnetos, emigrem para onde possam ter uma vida diferente.

21 comentários:


  1. O gráfico é deveras interessante porque, em vez de nos mostrar a razão entre o PIB per capita de Portugal e o PIB per capita europeu, nos mostra somente o português.
    (De facto, não há nenhuma razão especial pela qual se deva comparar o PIB per capita português com o europeu, em vez de o comparar, por exemplo, com o marroquino ou com o turco. Portugal tem condições muitíssimo diferentes das da Alemanha ou da Inglaterra e nada permite supôr que o PIB per capita português devesse sempre acompanhar o alemão e o inglês, em vez de acompanhar, por exemplo, o turco ou o marroquino.)
    Observa-se claramente que o PIB per capita português caiu drasticamente com as guerras napoleónicas, e depois em 1847 e 1848 (creio que foi quando um vulcão indonésio explodiu e fez a produção agrícola cair a pique em todo o mundo), e depois em 1917, e a partir daí não parou de subir - sendo que nos primeiros tempos do Estado Novo nem sequer subiu mais do que no final da Primeira República.

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  2. O crescimento perpétuo é impossível na Natureza, tal como qualquer ecologista sabe.
    Logo, aquele lindo crescimento que se observa desde 1918 até 2000 não poderia jamais continuar indefinidamente. Em algum tempo, por alguma razão, teria que parar.

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  3. O que se ve é que os vários países apresentam pib per capita "sempre" a crescer desde o sec. XIX

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  4. trabalhei desde o início de 60 numa multinacional farmacêutica no sector do fabrico de matérias-primas de síntese com patentes próprias e inovação tecnológica. rio-me de tomarem este assunto como  ultramoderníssimo. 'o nº de parvos é infinito'
    vendida aos gringos em 85 foi totalmente desmantelada
    as óptimas indústrias metalo-mecânicas foram destruídas pelos comunas
    o sector primário foi para o Maneta
    o terciário sobrevive como pode
    felizmente os meus familiares e Amigos não deixam descendência devido ao 'sucesso' presente e futuro do social-fascismo incapaz de criar riqueza

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  5. A minha tese é diferente da do Nuno Palma e mais simples, destruímos o ensino no tempo do Marques de Pombal. E estávamos nos inícios da revolução industrial.

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  6. só os é-cu-lojistas ou como alguém do Porto dizia das gretas «vai lavar a frincha»
    estes citadinos nem sabem do que falam
    defendo a natureza e o Ser Humano 

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  7. Suspeito, pelo comentário, que não ouviu a conferência. O que sugiro é que a veja, é bastante interessante.

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  8. Temos dois problemas urgentes para resolver. Demográfico e criação de riqueza.
    Saldo natural negativo, compensado com imigração, sendo que muita desta é pouco qualificada. População restrita a duas áreas metropolitanas, com grande parcela do país ao abandono. Sem pessoas podem fazer políticas de esquerda, direita ou ambas, não dá em nada.
    Criação de riqueza, esqueçam produtividade, e muito menos a da função pública. Não é a FP que cria riqueza tangível, esta fornece serviços ao País, sem empresas privadas a produzir (ou então uma espécie de capitalismo de Estado, escolham), de preferência para exportar, bem se pode continuar a viver de subsídios europeus.
    Acho graça às teorias de que "não somos uma Alemanha", até parece que vivemos num buraco devastado por sismos e furacões, sem riquezas naturais e um passado recente de guerras e pestilências.

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  9. Saldo natural negativo, compensado com imigração, sendo que muita desta é pouco qualificada.


    A imigração é pouco qualificada, em grande parte, porque Portugal não tem uma política ativa de incentivo à imigração. Se tivéssemos tal política, poderíamos, por exemplo, contratar engenheiros de software indianos, ou formar angolanos em construção civil em Angola antes de os trazer para cá.


    O país precisa como de pão para a boca de uma política ativa de imigração, em que fomente a imigração para Portugal de pessoas educadas naquelas atividades económicas em que Portugal está deficitário. E, em particular, em que eduque ativamente, ainda no estrangeiro, as pessoas que mais tarde são supostas vir para cá trabalhar.

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  10. Não é a FP que cria riqueza tangível, esta fornece serviços ao País


    Certo. Muito bem escrito. A Função Pública não cria riqueza tangível, porém é necessária, porque fornece serviços àqueles que criam riqueza tangível.


    Por exemplo, o Estado contrói estradas, portos e aeroportos, que são serviços imprescindíveis para aqueles que criam ou pretendem criar riqueza. Da mesma forma, são funcionários públicos quem presta grande parte dos serviços de educação e de saúde de que os criadores de riqueza tangível necessitam.

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  11. Muito boa quantidade de informação e as referências mas a intervenção publica é muito fraca. Não concordância de dados apresentados visualmente com o que estava ser declarado.  A ansiedade patente não ajuda.

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  12. Depois não se admire que os imigrantes não votem no seu partido que promove essas políticas.

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  13. Pah, pelo amor da santa, não deixem isso à mão de alguém que cometa  heresia de dizer que só o Estado Novo tirou Portugal do marasmo, e antes e depois foi e é a estagnação.


    Cai o Carmo e a Trindade, o rasgar de vestes, o choro e o ranger de dentes, etc. serão épicos, e como disse o camarada Lincoln "excitement rose to an almost inconceivable height"

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  14. Ontem ouvi mais de metade (até ao minuto 40).
    Tenciono sem dúvida ouvir o resto, embora não me pareça tão interessante como eu esperava. É basicamente história económica.

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  15. Exacto, é exactamente isso que Portugal precisa. Imigração qualificada... para substituir a emigração qualificada.
    Perdemos engenheiros, enfermeiros e cientistas, vamos buscá-los a Angola e Índia.

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  16. Não conheço nenhum partido português que promova políticas ativas de imigração. Infelizmente. Parece que todos têm medo de falar no tema. O qual é imprescindível.
    Não há nenhum "meu partido". Eu sou membro de um partido, mas o partido não é meu. Eu não mando nada nele, sou apenas um membro como milhares de outros.

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  17. Pois.


    No mundo, a emigração faz-se em grande parte por etapas. Por exemplo, a maioria dos africanos que emigra fá-lo para outros países africanos próximos do seu. Não emigra para a Europa, mas sim para outros países de África. A emigração faz-se maioritariamente por etapas: o migrante do país A emigra para o país B que é mais rico, enquanto que do país B saem migrantes para o país C que é ainda mais rico do que B.



    Assim, tal como os médicos portugueses emigram para a Alemanha, nós devemos esforçar-nos para que médicos uruguaios emigrem para Portugal. E tal como trabalhadores da construção civil portugueses emigram para França, devemos querer que trabalhadores da construção civil angolanos emigrem para Portugal.


    Mas isso não acontecerá se não houver uma política ativa nesse sentido. O Estado tem que atuar no sentido de facilitar a imigração. Começando, claro, por limpar o SEF, que é das maiores pestes que há neste país.

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  18. Ouvi, mas não concordo.
    Além disso ele omite que além da expulsão dos jesuítas os padres oratianos foram proibidos de ensinar e tinham o resto do ensino em Portugal. Também omite que metade da corte portuguesa que foi para o Brasil, 15 mil pessoas, a elite portuguesa, já não volta porque prefere ficar por lá. E omite a proibição das ordens religiosas em 1834, que tinham grande parte das pessoas cultas que nos sobravam.
    A maldição dos recursos não iria ter consequências tão duradouras.
    Quando um dos presentes pede para explicar melhor porque Portugal começa a recuperar com Salazar ele tem dificuldade em explicar com base na sua tese. A sua justificação para o sucesso na alfabetização de Salazar também está curta, falta explicar que estávamos tão mal que foi preciso primeiro formar professores.

    Tenho  seguido o trabalho dele e acho-o bom, mas não concordo de forma alguma que o problema principal tenha sido a maldição dos recursos. Foi a destruição do nível de instrução da população.

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  19. O seu comentário não deixa de ser estranho para mim.
    Não só Nuno Palma fala explicitamente da expulsão dos jesuítas como aprofundando o problema, como diz que ela só é possível porque as instituições estão degradadas, permitindo essa decisão (e outras, de Pombal), como ele fala dos oratorianos (talvez só na fase das perguntas e respostas).
    Mais do que isso, responde directamente à questão das invasões francesas demonstrando que o declínio lhes é anterior.
    De resto, o declínio é da segunda metade do século XVIII, pelo que os factos do século XIX não servem como explicação para ele.

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  20. Começa com a maldição dos recursos e o tratado de Methuen, que leva à degradação das instituições, mas o golpe decisivo, o fator mais importante foi a destruição quase total do nível de instrução da população feita durante o reinado de D. José I (atribuída ao Marquês de Pombal).
    Não ficou por aí, as invasões francesas e a extinção das ordens religiosas em 1834 fazem com o problema se mantenha e agrave durante muito mais tempo.

    É o nosso século negro. Ainda não recuperamos totalmente. 

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