segunda-feira, 7 de março de 2022

"E não estou com paciência para o mas…mas, mas…"

A frase do título é de um primo (por afinidade) meu, bastante à esquerda. Como é habitualmente discreto e a frase está num post que não é público, isto chega como informação de onde vem.


Usei-a porque traduz bem a minha falta de paciência para os falcões para quem a moral e fraqueza se equivalem, na grande política.


Uma coisa é ser irrealista e achar que o mundo se gere por princípios morais gerais e bons, como se ninguém notasse que a trilogia "liberté, egalité, fraternité" contém a sua negação, já que liberdade e igualdade são intrinsecamente contraditórias.


Outra coisa é estar entre os que acham que os valores na grande política não valem nada, orgulhando-se de não ter estado "entre os que, vendo a Ucrânia abeirar-se do penhasco, lhe disse para avançar", achar que os princípios morais (e chamam-se princípios exactamente porque vêm antes de tudo o resto) são um empecilho e "se mais gente se tivesse interessado pela realidade, em lugar de andar a encorajar a Ucrânia a meter-se numa guerra desesperada, estaríamos todos melhor. A começar pelos ucranianos".


Saltemos por cima do facto da Ucrânia não se ter metido em guerra nenhuma, foi lá metida por Putin.


No fundo estes falcões podem ser considerados como os idiotas úteis de Putin pela "A horda de idiotas irresponsáveis e chorões" que acham que os ucranianos saberão melhor que nós o que é melhor para eles e que, no essencial, é útil saber que não nos resta muito a fazer que não seja saber distinguir o justo do injusto, por mais que a grande política seja mais uma questão de relação de forças que de aplicação da justiça, sobretudo no curto prazo.


Convém é não esquecer que o sentimento de injustiça por parte da generalidade das pessoas comuns não é irrelevante para a materialização dessa relação de forças, sobretudo no longo prazo (onde eu sei que estaremos todos mortos).

19 comentários:


  1. Sim, na perspectiva dos tiranos como os Putin's os valores civilizacionais das Democracias são sinónimo de fraqueza. Estado de Direito , Leis , Direitos Humanos , Direito Internacional , Soberania dos países e Direito à sua Autodeterminação , Liberdade? Tudo isso é para rir. E ser espezinhado! E qual é o espanto?! Os déspotas dos regimes autocráticos são uma espécie de "primitivos actuais", umas excrecências selvagens, sem Lei que apenas conhecem a linguagem da força bruta e da repressão. Vivem sob o império da Lei do mais forte.  O maior grau de "sofisticação" que estes brutos incivilizados atingiram foi o "burilamento" das suas armas mortíferas e o "refinamento" da arte de matar a frio, com esmero e "requintes" de malvadez. Aliados ao poder do dinheiro e à corrupção "tratam" de sustentar o "regimes" e o resto...

    Devem ser estes os heróis do "primo"! 

    Só lamento a falta de argúcia do eleitorado português para os "topar" e o desinteresse em estarem mais  para não caírem na cantiga do bandido, como é costume.


     Mas lamento ainda mais que tenha sido preciso uma "Operação Especial Militar" ( ou sem rodeios, uma invasão!) para que esses  C -- -- -- -- -- -- (rima com "falcões") tivessem exposto sem rebuço a sua verdadeira natureza. Foi preciso uma guerra para despirem a pele e saírem finalmente do redil. Tivessem-no feito antes do 30 de Janeiro e caput! Já eram! Estes farsantes estavam democraticamente extintos (sem armas). 

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  2. Henrique Pereira dos Santos,
    Eu sinto, eu acredito, que é muito difícil perceber onde está a Verdade. Há muitos dados publicados por gentes de campos opostos que nos levam a desenhar o nosso sentir.
    Eu acredito que o que se passa é política baixa, rasca (como é natural na política), desenhada há anos. Para mim, começa tudo no "porquê".

    Aqui, neste "cu da Europa", devemos ter a força de nos manter tranquilos. O nosso inimigo é, somente, o papel higiénico.

    Sugiro que veja o que se tem publicado na União Indiana, na África do Sul, em muitos países Árabes, de África, da América Latina e do Oriente.
    Cumprimenta

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  3. a trilogia "liberté, egalité, fraternité" contém a sua negação, já que liberdade e igualdade são intrinsecamente contraditórias


    Podem parecer isso atualmente nalguns casos, mas de facto liberdade e igualdade coincidiam no tempo em que essa trilogia "liberdade, igualdade, fraternidade" foi criada - e ainda coincidem em muitos sítios e aspetos.


    Quando se pretendia acabar com os privilégios da nobreza, permitindo o acesso de todos a todas as profissões, estava-se a lutar tanto pela igualdade como pela liberdade.


    Quando os homossexuais lutam para poderem beijar-se em público, estão a lutar tanto pela liberdade como pela igualdade.


    Quando as mulheres pretendem eliminar a obrigação de se vestirem ou arranjarem de determinadas formas, estão a lutar tanto pela igualdade como pela liberdade.


    Quando na Índia se pretende acabar com as castas, está-se a pretender igualdade e também liberdade.


    Hoje em dia pode parecer a alguns que elas são contraditórias, mas durante a maior parte da história e para a maior parte das pessoas, liberdade rimou com igualdade.

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  4. Poe definição, a noção de liberdade pressupõe a possibilidade de ser diferente

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  5. a noção de liberdade pressupõe a possibilidade de ser diferente


    Mas também a liberdade de ser igual. Durante a maior parte da história humana, as pessoas foram julgadas à partida diferentes, e não se lhes concedia a liberdade de serem iguais.


    Por exemplo, uma mulher não tinha a liberdade de se vestir da mesma forma que um homem. A mulher era julgada a priori diferente do homem.


    Um dalit não tinha a liberdade de estudar e de exercer uma profissão elevada. O dalit era essencialmente diferente de um brâmane. Não tinha o direito de ser igual.


    Ser igual aos outros é uma importante liberdade quando se parte da mó de baixo.


    Hoje em dia tendemos a identificar a liberdade como sendo a possibilidade de ser diferente dos outros. Mas durante a maior parte da História as pessoas foram à partida consideradas todas muito diferentes. Para as que eram negativamente discriminadas, liberdade era a possibilidade de serem iguais.

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  6. Liberdade de "SER"     diferente com direitos iguais!

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  7. Ter direitos iguais é pretender justiça, não é pretender igualdade

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  8. Estás a confundir a igualdade de direitos (ou de oportunidades) com a igualdade

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  9. Quanto aos supostos "falcões" do realismo político, quem são os mais perigosos: George Kennan, que em 1997 se manifestava contra o largamento Nato a leste; ou Brzezinski, conselheiro de Carter, que no mesmo ano de 97 fazia sair o seu The Great Chessboard em que, no capítulo "A Geoestrategy for Eurasia", defendia esse mesmo alargamento às fronteiras da Rússia?...

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  10. Nestes dias de lavagem ao cérebro, tenho dois comentários, em agradecimento pelos muitos posts bem reflectidos que aqui publica:


    Liberdade: "coisa entre iguais", como dizia no Tucídides. Muito ardente defensor da liberdade era um aristocrata dono de escravos.


    Ucrânia: https://www.msnbc.com/opinion/msnbc-opinion/russia-s-ukraine-invasion-may-have-been-preventable-n1290831

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  11. Tss tsss. existe liberdade para ser diferente para algumas coisas e não para outras. Em Portugal és forçado a ser socialista.

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  12. Como digo no título, por interposta pessoa, não tenho paciência para o mas, mas, mas

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  13. Como digo no título, por interposta pessoa, não tenho paciência para o mas, mas, mas

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  14. Balio, engana-se nos conceitos: ninguém quer ser igual aos outros. Nem tal seria possível,  pois somos todos diferentes, temos capacidades diferentes, interesses diferentes, personalidades diferentes, escalas  de valores ético-morais diferentes, gostos diferentes, visões do mundo diferentes, origens,  proveniências e contextos culturais e socio-económicos diversos e também percursos individuais resultantes de "escolhas" próprias, livres e autónomas... É, portanto, impossível fazer tábua rasa das circunstâncias individuais de cada pessoa: "o Homem é a sua circunstância". 


    Julgo que o Balio estará, talvez,  a referir-se a "igualdade" com alguma impropriedade.  As pessoas não querem ser "iguais" (e como diz o HPS até têm o direito a ser diferentes se o desejarem). O que as pessoas  é    acesso às  coisas que todos as outras no seu ponto de partida. Deve separar os conceitos, Balio, pois nada do que expôs é equivalente a "igualdade" entre as pessoas, mas sim à "igualdade de circunstâncias" e de terem as mesmas oportunidades que é um direito à mais elementar noção de Justiça social, i.e.,  "todos com os mesmos direitos". A  ninguém pode ser negado o direito de acesso a um Valor ou um Bem considerado essencial a Todos _ numa sociedade democrática!!! Ou seja, ninguém pode ser segregado ou excluído de poder usufruir da Saúde e bem-estar,  todos têm direito de aceder à Justiça, à Cultura, à Educação, à Informação, etc. Mas como (por enquanto) ainda não nos introduziram um chip para nos «formatarem» em série,  julgo que a fruição desses Valores ou Bens (proporcionados equitativamente a todos)  podem não produzir resultados   Porque o "ponto de partida" pode até ser o mesmo, mas o "ponto de chegada" não, pois isso dependerá do mérito, do empenho e das capacidades de cada um. Lá está... cada indivíduo não é necessariamente igual a outro, não somos robots nem "uma linha de montagem". Cada um é a sua circunstância. 
    A Igualdade como um bem é um "mito". Prefiro uma sociedade com acesso a outro tipo de bens nomeadamente mais justiça social e depois cada um deles fará uso como lhe aprouver.
    Como diz a sabedoria oriental, há 3 vias na Vida. Podemos escolher o caminho que nos faz subir ; o caminho que nos conduz à descida ; e o outro, horizontal, que segue em frente.
    (Depois há a via dos "primos": esses andam sempre para trás, embora neste momento "andem à rasca", aos ziguezagues). Esta parte foi para compor, porque me desviei completamente do seu post, pelo que peço as minhas sinceras desculpas pelo abuso ao H.Pereira dos Santos.
    APonte

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  15. Infelizmente nem na justiça há igualdade..! mas...o que entende por igualdade?É seremos todos da mesma cor..da mesma altura..com a mesma cultura ou até do mesmo sexo???? Explique-me por favor:

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  16. Sobre "interlocutores credíveis", veja este aqui:


    https://apnews.com/article/russia-ukraine-russia-france-germany-europe-d9a2ed365b58d35274bf0c3c18427e81 (https://apnews.com/article/russia-ukraine-russia-france-germany-europe-d9a2ed365b58d35274bf0c3c18427e81)

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  17. O ex-"batalhão de Azov" está longe de ser o único e mais importante. Veja aqui outros:


    https://freedomhouse.org/sites/default/files/2020-02/FarRightEurasia_FINAL_.pdf

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  18. Caro Sr., é exactamente como diz e eu acrescentaria mais: a igualdade é a forma de nivelar todos por baixo, impedindo que alguém sobressaia, ou seja, os melhores É bem conhecida aquela máxima da esquerda: " prego que se salienta deve ser pregado "
    E o dito era aplicado à letra na União Soviética ou na China (de Tianamen) sempre que alguém sobressaísse ou ousasse ser/pensar "diferente" fora do colectivo.
    (Mas não só aí. Também nos lembramos que assim pensam muitos dos ministros esquerdistas que apoiavam o A. Costa na última legislatura. Lembramo-nos bem, só para dar um exemplo, que  o min.T. Brandão Rodrigues _durante a pandemia_ quis proibir que as escolas que mais se destacavam e que estavam mais bem preparadas,  pudessem leccionar.). 

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