terça-feira, 22 de março de 2022

Anti-liberalismo primário

Tenho visto comentários de gente muito preocupada com o batalhão AZOV ou com a eventual ida de Mário Machado para a Ucrânia, usando, mais ou menos explicitamente, o argumento: "a Ucrânia, sim, tem um problema único com o extremismo de direita, como sabe, ou sabia antes da invasão, praticamente toda a gente. ... O Ocidente abre aos seus cidadãos, muitos deles criminosos condenados, caminho para que marchem rumo à Ucrânia, onde ganharão experiência militar e acesso a armamento sofisticado. O espantoso caso de Mário Machado é um exemplo, mas não serão poucos os extremistas entre aqueles que aproveitam a oportunidade para ir adestrar-se no Dniepr. Quando milhares de lunáticos treinados e equipados regressarem da Ucrânia às nossas ruas, talvez acabemos a lamentar a irresponsabilidade chorosa destes dias". Note-se que se fazem afirmações que se pretendem sérias como "Deus nos guarde quando estes fanáticos, derrotados e sedentos de vingança pela 'traição' ocidental, andarem pelas ruas de Lisboa e Paris com Stingers e NLAWs".


Saltemos por cima da ingenuidade de pensar que os extremistas vão adestrar-se para cenários de guerra, onde contactam com armamento sofisticado e depois voltam calmamente para as nossas ruas treinados e equipados, e concentremo-nos nos factos.


Na Europa, depois da segunda guerra mundial - vamos esquecer a América Latina, em que de facto houve grupos extremistas violentos de direita que provocaram problemas sérios, de maneira geral com bastante apoio nas forças armadas dos respectivos países - os grupos que mais gente mataram, perseguiram, feriram, nas nossas ruas, foram praticamente todos de extrema esquerda ou de origem islâmica.


Sim, é verdade que Mário Machado esteve envolvido nos acontecimentos em que morreu Alcindo Monteiro, mas actividades de Mário Machado e seus próximos, quando comparada com a das FP-25, só não é uma uma brincadeira de meninos porque ainda assim diz respeito a assuntos sérios de violação de direitos individuais de terceiros, incluindo o direito à vida de Alcindo Monteiro.


E pela Europa fora, desde as Brigadas Vermelhas a Baader-Meinhof, passando pela ETA ou o IRA, é esmagadora a preponderância da extrema-esquerda na actividade terrorista na Europa, entretanto substituída pelos grupos islâmicos radicais.


Pelo meio existem incidentes bastante grandes com pessoas de extrema direita como Anders Breivik ou Gundolf Kohler, mas a comparação entre o risco associado a organizações estruturadas de extrema esquerda (mais recentemente, de inspiração islâmica) ou organizações de extrema direita, na Europa, tem pendido largamente para o lado da extrema esquerda (pese embora o facto de actualmente já não ser exactamente assim).


Tanto quanto sei, nenhum dos partidos de extrema-direita (sem discutir o conceito de extrema-direita, usando-o apenas como auxiliar de linguagem) com mais representatividade tem milícias armadas como acontecia com os partidos de extrema-direita dos anos vinte e trinta do século XX.


A larga maioria das pessoas que vejo estarem muito mais preocupadas com os riscos associados ao batalhão Azov que ao exército russo - eu nem consigo perceber como se põe o foco no batalhão Azov, que no máximo terá mil ou duas mil pessoas, quando está a ocorrer uma invasão por um exército com umas centenas de milhar de pessoas - têm como base uma posição profundamente anti-liberal: as pessoas não contam muito, é preciso olhar para valores superiores (a superestrutura, diriam os marxistas clássicos).


É por isso que acham, frequentemente, que a Rússia, como grande potência, tem direitos especiais de segurança que implicam uma área de influência em que terceiros não são livres de fazer opções diferentes das que resultam desses tais direitos especiais.


São pessoas para quem a Rússia e a Ucrânia são entidades bem mais reais e relevantes que os russos e os ucranianos.


E, no entanto, se olharmos para o assunto do ponto de vista das pessoas comuns, é inegável que a generalidade das pessoas, incluindo russas, têm muito mais medo do exército russo que do batalhão Azov.


Acontece que o anti-liberalismo primário que os impede de pôr as pessoas no centro do problema também os impede de ver como é ridículo, perante a dimensão do problema criado pela invasão russa, perder muito tempo com Mário Machado ou com a discussão sobre se houve ou não a despolitização do batalhão Azov.

35 comentários:




  1. Aqui um documentário suave dos tempos em que a BBC ainda tinha alguma informação equilibrada:    https://www.youtube.com/watch?v=5SBo0akeDMY

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  2. Tem toda a razão, o problema são os nazis da Ucrânia, e só não se transformam num problema muito maior porque Putin resolveu ajudar os oprimidos da Ucrânia a libertar-se do ovo da serpente.

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  3. Tem toda a razão, o problema começa nos nazis da Ucrânia e Putin foi obrigado a resolver o problema antes que houvesse mais mortes provocadas pelos nazis

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  4. E é do mais lúcido que tenho lido o paralelismo entre o nacionalismo ucraniano e nazi, os dois são expansionistas e, ao contrário do que relata a imprensa, na verdade foi a Ucrânia que invadiu a Rússia.

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  5. De resto, a peça é de 2014 e pergunta qual será a força dos neonazis na nova Ucrânia.
    Em 2022 é fácil responder: em torno de dois por cento dos votos e zero deputados nacionais.
    Mas claro, esse é o perigo, não o exército russo.

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  6. E, por curiosidade, quem é o JPS e a que propósito é para aqui chamado?

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  7. O JPS é o Henrique Pereira dos Santos. Em vez de H o autor do comentário escreveu J, que é a letra que fica ao lado no teclado do computador.

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  8. Henrique, ainda faltaram as brigadas vermelhas que mataram Aldo Moro, era só primeiro ministro de Itália... É com cada lunático que aqui anda...

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  9. Henrique, desculpe, não tenha em consideração o que escrevi. Falou sim das brigadas vermelhas. Um abraço.

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  10. Criticar os ucranianos por aceitarem militantes de extrema-direita nas forças que os defendem da invasão russa, faz o mesmo sentido de criticar os aliados por se terem aliado ao Estaline na segunda guerra mundial. Não havia (nem há) propriamente escolha. Realço quem, em 2014, o exército ucraniano era, em grande parte, controlado por oficiais pró-Rússia, que massacraram os manifestantes do movimento Euromaidan, enquanto permitiam a actuação das milícias armadas pelo Kremlin - pelo que, a defesa do Donbass teve de ser feita, à falta de outros, por milícias nacionalistas. Não acredito que o "anónimo" tão ralado com as maldades do "batalhão Azov" diga mal das milícias de extrema-esquerda que se constituíram em Espanha a seguir à sublevação de 18.07.1936, por exemplo, para defender Madrid, precisamente pela mesma razão - porque grande parte dos oficiais do exército espanhol não era fiel à República.

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  11. Como sou muito bem mandado, fui informar-me e o que li está sintetizado pela wikipedia: em nada fica demonstrada a sua alegação de que os neo nazis ucranianos é que são um grande risco, não o exército russo:
    2014 Odessa clashes - Wikipedia

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  12. HPS:
    Não desconverse e não perca a lucidez e discernimento crítico que tivemos muitas ocasiões de admirar aqui da sua parte, nos tempos da histeria covídica. Agora  não é um vírus, mas a histeria e a desinformação são as mesmas.
    Eu nunca disse que o problema ucraniano "começa" com os neonazis. O problema tem séculos. Se andou a ler a Wiki aproveite para dar uma vista de olhos à história do que tem sido esta "Ukraína" (= "terra de fronteira"), cujas fronteiras actuais datam do pós-1ª Guerra. A história, que remonta a mais de mil anos e começa na "Rússia de Kiev", tem muita importância para os russos. (Ao invés de nós.)

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  13. O meu modesto contributo para a  propaganda.




    PS - O golpe de estado de 2014, orquestrado pelos EUA, derrubou o presidente ucraniano democraticamente eleito Yanukovych e colocou no poder um governo fantoche pró-EUA, tal era o domínio dos oficiais pró-Rússia no exército ucraniano, está-se mesmo a ver. 
    Os disparos iniciais na praça Maidan, quando a maioria dos manifestantes já se tinha retirado para ser colocada a iluminação natalícia, tiveram origem num edifício ocupado pelos golpistas e atingiram indiscriminadamente polícias e civis - há vídeos a confirmar. Não refira isto que, por ser verdade, não assenta bem na propaganda. 
    Também não refira que foi em consequência desse golpe de estado que a Crimeia, etnicamente russa, com receio do que lhes pudesse vir a acontecer realizou um referendo em que venceu a reintegração na Rússia. 
    E nem pensar em recordar que a Crimeia tinha sido "dada" à Ucrânia nos anos 50 so século passado, senão ainda é abatido a tiro no meio da rua pela SBU - a Gestapo ucraniana - tal como o foi o negociador ucraniano há uns dias atrás. 

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  14. Eu não desconverso e sou até muito directo: a Rússia invadiu a Ucrânia.
    Desconversar é falar do Rus de Kiev a propósito disso.

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  15. Contributo inútil, porque é repetido todos os dias por dezenas de pessoas.
    Mas isso não o torna mais factual.

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  16. Vou-lhe dar uma novidade que pelos vistos desconhece: a Rússia invadiu a Ucrânia.

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  17. Vou-lhe dar uma novidade: há uma guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia.
    Argumentar que foram os EUA que deram ordens a Putin para invadir a Ucrânia é simplesmente delirante.

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  18. Isso. Se os factos atrapalharem, inventem-se outros. Não sei o mais hilariante (ou triste, na realidade), se o facto de as "iluminações natalícias" na Ucrânia serem colocadas em Fevereiro (quando foram mortas mais de 100 pessoas na praça), se o referendo na Crimeia ter precedido a anexação russa (a Rússia invadiu em Fevereiro de 2014 e o referendo foi em Março, organizado pelas autoridades escolhidas pelos russos). "Golpe de estado" foi o que aconteceu cá, em 25.04.1974 (ou em Santiago do Chile em 11.09.1973, se preferir), quando a tropa derrubou um regime, que também tinha sido eleito por eleições "livres, tão livres como na livre Inglaterra". O que aconteceu na Ucrânia, no Inverno de 2014, foi o mesmo que aconteceu em França, em 14.07.1789 ou no Cairo em 25.01.2011. E, mesmo que não tivesse sido, já houve eleições depois, e o "

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  19. Cada vez que "Elvimonte" escreve sobre 2014 e o "derrube" (não foi derrube foi deposição" relembro o que já opinei sobre essa descaradíssima inverdade.
    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/e-tudo-impensavel-mas-vai-provavelmente-7619684?thread=37738596#t37738596

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  20. Elvimonte, é espantoso que se diabolize uma pulga, as hostes de extrema-direita no combate à invasão russa, um elefante colossal!!! É dum relativismo Mas espanta-me muito mais que não tenha uma palavra sobre a imoralidade _ essa, sim, e de de proporções apocalípticas_ da ameaça do Kremlin sobre a Ucrânia e os países ocidentais, espalhando o terror e chantageando-os como uso de armas nucleares e não só...
    E que diz ao falhanço putinesco carregado de ódio e vingança  "não consigo vencê-los, mas vou destrui-los"? 

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  21. Deixe-o lá, HPS! Não há pior cego que aquele que não quer ver.

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  22. É tão delirante como aquela tirada do Boaventura SS de que a Rússia, coitada, "foi provocada a expandir-se". 

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  23. «In the big lie there is always a certain force of credibility; because the broad masses of a nation are always more easily corrupted in the deeper strata of their emotional nature than consciously or voluntarily; and thus in the primitive simplicity of their minds they more readily fall victims to the big lie than the small lie, since they themselves often tell small lies in little matters but would be ashamed to resort to large-scale falsehoods. It would never come into their heads to fabricate colossal untruths, and they would not believe that others could have the impudence to distort the truth so infamously. Even though the facts which prove this to be so may be brought clearly to their minds, they will still doubt and waver and will continue to think that there may be some other explanation.» (Mein Kampf, Adolf Hitler)



    Companhia Internacional dos Arranjinhos, especialista em golpes de estado, deposição de governos, desestabilização internacional, guerras directas e por procuração: nós jogamos xadrez no tabuleiro do Mundo - felizmente as massas "

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  24. Mário Soares, 2008: "NATO: da defesa à ameaça  
    A NATO, que se tornou um verdadeiro braço armado dos Estados Unidos, está a fazer também estragos noutras regiões do mundo. Refiro-me ao Cáucaso, às zonas do Cáspio e do mar Negro e aos países limítrofes da Rússia Ocidental. (...) E a NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de mísseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia, que a pode tornar agressiva. Um perigo!


    O vice-presidente Dick Cheney, em fim do mandato, fez uma recente visita, altamente desestabilizadora, para dar, em nome da NATO, apoio à Geórgia. Mas, felizmente, ficou tudo em retórica inconsequente. Após a provocação do Presidente da Geórgia – e da guerra –, os russos reagiram e os europeus procuraram pacificar a situação. Ainda bem. Se a guerra não acabasse, os europeus seriam os primeiros a ser atingidos, com o corte do petróleo e do gás; e pior: entrariam numa fase com grandes riscos para a paz na Região. Putine não é Hitler e não ressuscitemos a «guerra fria»..."
    ("NATO: da defesa à ameaça", Mário Soares, 2008, http://www.fmsoares.pt/mario_soares/textos_ms/002/247.pdf)

    Não emanou da Declaração de Istambul e posteriormente da Declaração de Astana um princípio, elementar para a manutenção da paz e subscrito pela OSCE, segundo o qual o reforço da segurança de um país não pode ser feito à custa da segurança de outro país?



    George H W Bush no parlamento ucraniano, 1991:  U

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  25. Não me acuse de inventar factos. Eu não estive em Maidan aquando dos acontecimentos e apenas relato aqui que li, ouvi e vi. Será que o JPT esteve lá e o seu conhecimento é em primeira mão?


    Mas houve pessoas que lá estiveram, há imagens dos acontecimentos e existe um documentário produzido por Oliver Stone que faz uma resenha histórica, desde os tempos do nazismo ucraniano até ao post golpe de estado de 2014, com uma cronologia detalhada. Outras fontes corroboram o material apresentado e encontram-se também fontes que apresentam versões diferentes relativamente aos acontecimentos de 2014. Ao longo de toda a História, aquilo que verifico sempre é que são elites que estão na origem das revoluções, nunca o verdadeiro povo.  


    De acordo com IMDB:  "Ukraine. Across its eastern border is Russia and to its west-Europe. For centuries, it has been at the center of a tug-of-war between powers seeking to control its rich lands and access to the Black Sea. 2014's Maidan Massacre triggered a bloody uprising that ousted president Viktor Yanukovych and painted Russia as the perpetrator by Western media. But was it? "Ukraine on Fire" by Igor Lopatonok provides a historical perspective for the deep divisions in the region which lead to the 2004 Orange Revolution, 2014 uprisings, and the violent overthrow of democratically elected Yanukovych. Covered by Western media as a people's revolution, it was in fact a coup d'état scripted and staged by nationalist groups and the U.S. State Department. Investigative journalist Robert Parry reveals how U.S.-funded political NGOs and media companies have emerged since the 80s replacing the CIA in promoting America's geopolitical agenda abroad."


    https://newtube.app/user/Fragalicious/OkYaPpW - Ukraine on Fire, The Real Story - Documentary by Oliver Stone (2016)  

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  26. Pelo que percebo, a decisão de Putin invadir a Ucrânia corresponde ao último acto de sacrifício do peão Ucrânia para permitir o ataque à Rússia.
    Ou seja, Putin não passa de um agente da CIA, é isso?

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  27. Vou-lhe dar uma novidade que, aparentemente, desconhece: não foi a Nato ou os EUA que invadiram um país, foi a Rússia que invadiu a Ucrânia

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  28. Aqui a primitive simple mind que fez o post nunca entenderá como o peão sacrificado para atacar a Rússia foi sacrificada através da decisão russa de a invadir.

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  29. Tem toda, não há qualquer invenção de factos (matéria séria só ao alcance de verdadeiros criadores), mas sim repetição de mentiras sem qualquer relação com os factos para branquear um facto indesmentível: a Rússia invadiu a Ucrânia.

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  30. Stone é (no meu juízo) um genial, ainda que irregular, autor de ficção "baseada na realidade". Por isso, mesmo nos "biopics" que faz (quanto mais nos "documentários") a frase final "qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência" é a única coisa que deve ser levada a sério. Se quer um filme sobre os eventos da Maidan, sem voz-off e sem um ou vários sujeitos a dizer-lhe o que deve pensar (admito que isso o horrorize) tem o filme "Maidan" de Sergei Loznitsa, que consiste em duas horas e dez, sem um só comentário. 

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