quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A minha rua

Na minha freguesia publica-se um jornalinho local de informação geral chamado "Freguês de Avenidas Novas", umas poucas de páginas com informação que se pretende que seja do interesse dos fregueses das Avenidas Novas.


O exemplar de hoje volta à carga com um assunto que, de vez em quando, aparece: a prostituição na zona onde moro.


Ao que parece, há uns tempos, formaram por aqui uma espécie de comissão de moradores em que pontuam umas senhoras - dizem-me que são umas senhoras, eu não tive contacto directo com estes meus vizinhos - que se incomodam muito com a prostituição que há por aqui, suponho que uma herança do tempo do quartel da Artilharia Um, há muito desactivado.


Já em tempos, quando Jorge Sampaio era presidente de câmara, houve uma reportagem sobre o assunto, mais ou menos a sugerir que era inadmissível que o presidente de câmara não fizesse nada sobre o que via todos os dias à volta da sua casa.


O melhor da reportagem é quando uma jovem reporter entrevista uma das vizinhas de Jorge Sampaio, do prédio exactamente em frente, querendo que a senhora em causa, muito bem posta, dissesse que a prostituição a incomodava, ao que a senhora resistia explicando que não tinha nenhuma razão de queixa (como a esmagadora maioria das pessoas que por aqui moram). "Mas não a incomoda sair de casa e ter de se cruzar com estas senhoras na rua", perguntava a reporter quase em desespero. Calmamente, do alto dos seus oitenta anos, a resposta foi de antologia "Não, não me incomoda nada. Sabe, filha, isto não se pega, não é contagioso".


O jornalito diz que em "algumas áreas da Rua Rodrigo da Fonseca e Rua Sampaio Pina há um aumento de prostitutas que abandonaram a Rua Castilho, devido à acção dos seguranças de alguns condomínios de luxo (não há aqui condomínios de luxo nenhuns, devem estar a falar do prédio em que Ronaldo comprou uma casa). ... Os dejectos humanos e os preservativos nos passeios são um "caso de saúde pública", segundo os moradores".


Tretas, os dejectos que existem são dos cães da burguesia que aqui abunda e em mais de vinte anos não me lembro de ver preservativos por aí, tanto mais que sendo esta área uma área de contratação de prostituição, não é uma área de exercício da actividade.


Não pretendo romantizar a prostituição, muito de vez em quando há umas discussões na rua a horas impróprias (pessoalmente incomodam-me mais as conversas dos grupos que saem dos restaurantes e ficam à porta à conversa, por serem mais frequentes e durarem mais tempo, as discussões, quando existem, costumam ser curtas), mas o serviço de segurança que estas senhoras prestam ultrapassa largamente esses pequenos dissabores, até porque as senhoras sabem bem que a sua tranquilidade depende, em grande medida, das boas relações que mantêm com os moradores.


Conheço casos de pessoas avisadas do assalto ao seu carro, já me vieram entregar chaves que um dos meus filhos tinha deixado cair ao sair de um carro, era um sossego quando as miúdas cá de casa saíam à noite por saber que, pelo menos nas redondezas, estavam protegidas, e nunca tive uma conversa desagradável com nenhuma das senhoras.


Mais, quando encontrei uma das senhoras a trabalhar na peixaria de um grande supermercado, fizemos uma grande festa e tive oportunidade de lhe dizer como gostava de a ver ali.


Apenas uma senhora me ficou a dever um euro que lhe emprestei para cigarros, depois de uma noite que teria corrido particularmente mal, e que nunca mo devolveu (não era problema, mas ela não me pediu um euro, pediu-me emprestado). Apesar de tudo, considero um preço mais que justo pelo bem que cantava o fado quando lhe dava para aí.


A única situação verdadeiramente inquietante para mim era a de uma rapariga muito bonita, ultra discreta - só dei por ela porque trabalhava mesmo em frente de minha casa, muito poucas horas, num sítio em que os prédios fazem um gaveto que a protegia de exposição excessiva - e que tinha sempre à sua espera, no outro lado da rua, sentado na soleira do meu prédio, um homem com uma criança dos seus três ou quatro anos.


Até hoje, para além do que é fácil, ter falado com ela, perguntar ao rapaz se queria um cobertor ou um casaco para o miúdo não apanhar frio, e essas coisas que qualquer pessoa faria, não consigo saber o que deveria ter feito nessa circunstância: o miúdo não devia estar ali, claro, mas sou incapaz de avaliar as razões para que uma mãe e um pai, que tratavam o miúdo com evidente desvelo, estivessem ali.


No fundo, é o dilema de sempre que me falam das condições sub-humanas de trabalho dos imigrantes que trabalham na agricultura, ou que vejo notícias do encerramento de lares ilegais, ou de casas para miúdos sem família que são objecto de fiscalização: o que acontece a esta gente depois de cumprirmos as regras formais?


Que condições de vida têm estas pessoas para que se sujeitem ao que vemos?


Francamente, quando vejo os meus vizinhos armados em moralistas que querem acabar com a prostituição na vizinhança - qualquer pessoa de bem considera a prostituição um mal - é disto que me lembro, dos buracos para que estamos a atirar estas pessoas se nos concentrarmos em tirar estas pessoas da rua (ou dos lares, ou das escolas, ou das estufas), sem, ao mesmo tempo, procurarmos saber de onde vêm e, sobretudo, para onde vão, depois de deixarmos de as ver.


Eu gosto da minha rua, as senhoras que aqui trabalham não me incomodam e esta gente que se encarniça em as esconder não me representa, provavelmente teria bastado ter escrito isto sobre o assunto.

30 comentários:

  1. Excelente, muito bem escrito.

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  2. Faltou, apenas, mencionar os ridículos cartazes de sentido proibido ("excepto trânsito local") espetados, há uns tempos, pela CML no fim das ruas em causa, para dissuadir os clientes das senhoras (que até circulam devagar, como constato quando não tenho gasolina que chegue para chegar a uma BP) e dar sossego aos donos dos hotéis que ali brotaram. Num país civilizado, tinha lá ido alguém serrar aquilo. No nosso, a malta limita-se a ignorá-los.

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  3. Como para mim todo o trânsito terrestre é local em cada momento, não ligo nenhuma a esses sinais (acho que resultaram da pressão da tal comissão de moradores).

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  4. qualquer pessoa de bem considera a prostituição um mal


    Então eu não sou uma pessoa de bem.


    As prostitutas são trabalhadores como qualquer trabalhador com o corpo. O Ronaldo trabalha com os pés, um sapateiro trabalha com as mãos, as prostitutas trabalham com a vulva. Cada um(a) trabalha com aquilo de que dispõe, prontos.

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  5. Tudo seria muito melhor se se acabasse com a vergonhosa lei que proíbe o proxenetismo e a prostituição passasse a ser feita como na Holanda - dentro de casas, às quais os clientes se dirigem, em vez de as prostitutas terem que estar a apanhar frio na rua.
    (É claro que eu não concordo com a exposição de mulheres em vitrinas que se faz na Holanda.)

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  6. Claro que concordas. Deixa te de tretas.

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  7. "Eu gosto da minha rua, as pessoas que aqui trabalham não me incomodam".
    Gostaria de poder dizer o mesmo em relação às pessoas que trabalham na minha rua, essas incomodam-me e muito, "roubam-me" todos os locais de estacionamento disponíveis, o que com um bebé de colo não é fácil de gerir.
    Quanto ao texto que escreveu está fantástico, incluindo a parte que refere os dejectos caninos da burguesia.

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  8. Faz bem lê-lo, meu caro.
    Cumprimentos.
    JSP

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  9. Hoje tal como há 15 dias fui à Baixa de Lisboa e confesso que me inquieta ver em certas ruas e nas varandas,mulheres oferecendo-se e algumas tão jovens que faz pena.

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  10. Nas varandas?! Quem é que olha para as varandas? E há varandas na Baixa? Aliás, há casas habitadas na Baixa?
    Eu nas poucas vezes que vou à Baixa, não me lembro de reparar nas varandas... muito menos de ver lá gente.
    A que ruas se refere a Maria?

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  11. Somos mulheres e por isso a nossa visão é diferente da que aqui é exposta em alguns comentários. Não levam em consideração uma coisa tão simples como isto: é que as mulheres são sempre o "elo" mais fraco. Não é coisa de somenos e devia ser sublinhada na questão da "exploração" _ seja ela qual for. 
    Outra coisa que a nós, mulheres, nos faria imediatamente soar as campainhas: há ali uma cena diária, ao que parece, que envolve um menor. Sem falsos moralismos, não é um contexto próprio para uma criança nem é normal que esteja na rua a altas horas sem dormir. 

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  12. Balio, se tem filhas ou sobrinhas ou pessoas chegadas, gostava de saber a sua atitude e como reagiria se lhe vierem dizer que se dedicam à prostituição. Fico a aguardar a sua sincera resposta. 

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  13. Concordo que muitos trabalhadores, do sexo ou de qualquer outra profissão, trabalham na profissão em que trabalham de forma desesperada, por não terem qualquer outra forma de se sustentarem a si e às suas famílias. Também concordo que muitos trabalhadores, do sexo ou de qualquer outra profissão, trabalham na profissão em que trabalham porque a isso são coagidos pelos seus familiares. Precisamente por esses factos, não devemos impedir esses trabalhadores de exercer essa profissão, que para muitos é, precisamente, a única forma de que dispõem para ganhar a vida.
    Tal como não devemos proibir muitos indianos de virem para Odemira apanhar mirtilos, apesar de se tratar de um trabalho muito duro, uma vez que é a única forma que eles encontram de ganhar a vida, também não devemos impedir muitas mulheres de se prostituirem, apesar de ser um trabalho muito desagradável, porque é a única forma que elas encontram de ganhar a vida.
    Os dramas humanos não se resolvem facilmente através de proibições.

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  14. Anónimo, uma prima minha, infelizmente já falecida, prostituiu-se, na sua juventude, para pagar a droga com que se drogava.

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  15. ,   e  do "elo" mais fraco pela força, e as vítimas são quase sempre as mulheres. Porque é disso que se trata na prostituição e daí também chamar-se "escravatura branca". 


    Que análises _ como direi isto(?) _ tão machistas aqui leio! 

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  16. Não pode acabar a prostituição em Portugal, caneco! O que é que se fazia a esses chulos todos que por aí andam a cair de fome?? Morria tudo tuberculoso e cheios de piolhos.Assim, sempre têm onde ir arrancar "algum", coitados...

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  17. Isso não responde à minha pergunta, pois a sua prima não fez uma escolha livre, foi mais uma vítima das circuntâncias. Quero saber como reage se uma sua filha lhe comunicar que vai, por opção, dedicar-se à profissão de prostituta. 

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  18. Quero saber como reage se uma sua filha lhe comunicar que vai, por opção, dedicar-se à profissão de prostituta.


    Que pergunta bué de ridícula. Todos nós ambicionamos que os nossos filhos tenham profissões prestigiadas, seguras e bem pagas. A prostituição não é nada disso. Portanto, naturalmente que eu não gostaria nada que uma filha minha (mas não tenho filhas!) se prostituísse.


    Porém, também estou certo de que, se eu soubesse que uma filha minha se prostituía, preferiria saber que ela o fazia no conforto e relativa segurança de um bordel legal, do que a angariar clientes na rua ao frio e em insegurança.

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  19. Caro Henrique, talvez não fosse má ideia enviar este texto ao tal jornaleco.

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  20. Falou mas fugiu com o rabo à seringa. Pimenta no - - dos outros é refresco, não é, shôr Balio? "Prestígio" para os seus e os outros que se ... (se lixem).

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  21. Teria algumas, certamente as do senso comum, sem pretensões a mais. Não é área que domine. Mas porque é assunto melindroso que envolve sofrimento humano, merece ser tratado com extrema delicadeza e com todo o meu respeito. Não tenho por hábito expor opiniões sobre um tema que a falta de espaço me obrigaria a tratá-lo com a superficialidade e a ligeireza que o tema não merece. Abstenho-me portanto de o comentar, até porque não tenho "a" solução.

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  22. ... entretanto fui buscar esta passagem com que me identifico totalmente e eventualmente o Sr. também a leu (do Alberto Gonçalves a propósito da IL) e que em parte podia responder perfeitamente por mim à sua solicitação:

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  23. Diz tudo. Depois começaram a emporcalhar os comentários.

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  24. A mim está-me a parecer que a história da pimenta é mais para si do que para os outros.


    Isto de se mostrar excelentes sentimentos é muito fácil, todos os têem para show-off e acabam na conversa do "a culpa é de todos nós", o que quer dizer que não é de ninguém e o próprio é logo o 1º a ficar de fora das soluções porque - coitado dele - "o que é que eu posso fazer?".


    Resolver hoje os problemas concretos de pessoas concretas que os estão a sofrer hoje é que é uma porra dos diabos, não é meu caro homónimo "shôr" Anónimo?


    Há anos que utilizo os serviços (por assim dizer) de um daqueles engraxadores que estão no Rossio, com o tempo tornámo-nos bons conhecidos, fica feliz quando me vê porque tem conversa, se necessário conselhos durante o tempo que fôr preciso e lhe deixo o triplo do que ele pede.
    Já não é a 1ª vez que patetas variados passam por nós e comentam que é uma vergonha eu estar ali com um homem de cócoras a trabalhar para mim
    (por acaso o nosso PR faz o mesmo em Cascais mas aí os mesmos patetas já se põem a jeito para ficar na reportagem).


    Esta porcaria de gente que tem ar de ter sempre comida na mesa não vê que aquele homem daquela idade, se não fizer aquilo, não come nesse dia ou no dia seguinte e, se estiver à espera que alguém algures lhe resolva o problema, morre rápidamente entretanto porque o problema está lá desde sempre e ninguém quis resolvê-lo.
    Mas saír-se com tiradas "fôfinhas" é o suficiente para os salvadores do mundo de pacotilha limparem a sua "consciência" e ficarem ufanos do seu altruísmo.


    PS - A propósito de grandes e lindas frases completamente ôcas.
     Estive esta semana na Torre (Serra da Estrela) com um neto meu (20 anos ele, 70 anos eu) e veio à baila naquele local uma análise da maneira de estar do português sempre cheio de magníficas intenções sem nada por trás.
    Somos um dos povos da Europa que se afirma nas sondagens mais preocupado com a poluição e logo ali, a um metro do estacionamento e no meio das rochas e ervas, contei 15 máscaras Covid numa área de 2 passos por outros 2, tudo isto a 10 metros de um caixote de lixo.
    Vão-se lixar!

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  25. René Descartes, frase de abertura de "O discurso do método"


    Posto isto: que tal cada um, à sua maneira, ajudar aqui e acolá - mesmo com parcos meios - a resolver os problemas de que vai tendo conhecimento em vez de perder tempo com grandes declarações de princípios sobre o assunto?


    É que não há "senso comum", cada tem o que lhe foi partilhado e portanto é um bem que não é comum e raramente dois autoproclamados "bons sensos" têm grande coisa em comum.
    Mas fica bem "dizer coisas".

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  26. Vou todos os dias úteis desde há 10 anos à Baixa de Lisboa, a pé e descendo de uma das colinas, onde ando nunca menos de 2 horas tirando apontamentos sobre prédios e edifícios variados para uma compilação que estou a ajudar a concretizar (sou reformado e tenho gosto e disponibilidade).


    Portantoolho para as varandas porque as ditas estão - como se imagina - agarradas aos prédios.
    Digamos que, assim a olho, tenho umas 3000 horas a olhar para prédios da Baixa de Lisboa nos últimos 10 anos e nunca vi nada disso.
    Estas minhas andanças são de manhã.
    A que horas do dia (ou da noite) é que a "maria" viu isso e, já agora, em que área da Baixa?
    É que o que é "Baixa" para si pode não ser o que é "Baixa" para mim apesar de eu ser "alfacinha" há 5 gerações!

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  27. pois é...bastava só ter escrito isso, em vez de tao longa estória.  Tou a brincar.


    A  narrativa começa bonita, mas antes do meio quebra, recupera e avança algo aos soluços. 



    Prende o leitor.


    Mal comparado, vou contar (as vezes faço-o) numa linha o titulo maior do maior jornal do país :  (dizia o nome da freguesia ) alarmada com onda de assaltos.


    Acontece que vivia na freguesia em pleno e nem um assalto vi ou ouvi. 

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