quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Palas nos olhos

O movimento ambientalista em Portugal (de que faço parte, não me canso de sublinhar) está capturado pelos "activistas", de maneira geral, pessoas especializadas em explicar aos outros o que devem fazer em relação a assuntos em que os activistas nunca demonstraram saber fazer melhor.


Atavés deste artigo de João Adrião, fiquei a saber que a Associação Zero tinha feito um semáforo para avaliar as componentes ambientais dos programas eleitorais dos partidos com representação parlamentar.


Em relação à Iniciativa Liberal, o resumo feito pela Zero é uma boa descrição do que é um bloqueio mental: "Boas ideias em vários pontos, mas será difícil lidar com os intangíveis do ambiente num sistema mais liberal".


Se dúvidas houvesse, há uma apreciação parcial que é de antologia: "Defende a sustentabilidade da floresta através da obtenção da rentabilidade, acabando por não deixar espaço para os fatores não quantificáveis."


Confesso que fiquei sem saber se a Zero defende que a sustentabilidade é possível sem rentabilidade, ou se entende que esquecer a rentabilidade resulta em melhores condições para criar espaço para os factores não quantificáveis, num país em que o abandono rural é unanimente considerado o principal problema de gestão das áreas menos produtivas do país.


A ideia da Zero é boa, é útil que as associações ambientalistas escrutinem os programas ambientais dos partidos, mas é uma pena estragar boas ideias com más execuções como  considerar que lidar com "os intangíveis do ambiente" é mais difícil em sistemas mais liberais.


Estão a falar das políticas ambientais dos países nórdicos, dos países mais liberais do mundo, por exemplo? Estão a sugerir que o sistema de parques nacionais americanos é pior que o sistema de parques de Cuba, Coreia do Norte ou China? Estão a negar que o aclamado sistema de áreas protegidas da Costa Rica funciona bem, entre outras razões, por ser um enorme activo económico do país, gerido como tal?


A diferença de opiniões é uma coisa intrinsecamente boa, mas convém é não esquecer que existe uma realidade, que essa realidade é feita também de factos, e que ter opiniões sem atender aos factos não é muito útil.

4 comentários:

  1. O problema é que estes ambientalistas e "activistas" não passam de gente que põe à frente do ambientalismo a ideologia.
    Veja-se o que se passa com a Climáximo: um grupo de idiotas úteis disfarçados de ambientalistas, todos eles ligados umbilicalmente ao BE e que, muito mais que as questões ambientais, estão apostados em impôr a destruição do capitalismo. Capitalismo onde  vivem e do qual usufruem. Sim, porque está malta é muito "revolucionária" mas não é parva.
    Por eles, e à boleia da desonestidade intelectual que padecem, voltaríamos à idade média. 

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  2. Os "outros" voltariam à idade média. Eles fariam parte de uma nomenclatura previligiada.

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  3. A Zero é a versão climática do que é o Livre na politica, uma associação climática unipessoal (Francisco Ferreira) contrapondo o Tavares no Livre.
    A Zero é o novo veículo de promoção das vaidades do Ferreira, criada quando a Quercus deixou de servir. Quando o Ferreira fala, mudo de estação, assim contribuo para diminuir a poluição sonora.

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