segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Pobres por opção

"The comments provided by FCT were factually incorrect, and pathetically bad from a scientific standpoint.
– claims made in direct contradition to the project’s abstract
– claimed I was “too junior” to be the PI (no rules placed any age constrait, and my CV is top compared with any full professor in Portugal; so this is an example of Portugal gerontocracy, and probably illegal)


The History panel was in fact mainly composed of archeologists (this is public information) and funded instead of mine, projects such as (again this is public information which ca be found online):


“A aldeia histórica de Idanha-a-Velha: cidade, território e população na antiguidade (séc. I a.C. – XII d.C.) – The historical village of Idanha-a-Velha: city, territory and population in ancient times (first century BC. – twelfth century AC)”


“O Percurso Cromático do Azulejo Português – The Chromatic Journey of the Portuguese Azulejo”


“Pensa em grande sobre as pequenas vilas de fronteira: Alto Alentejo e Alta Extremadura leonesa (séculos XIII – XVI) – Think big on small frontier towns: Alto Alentejo and Alta Extremadura leonesa (13th – 16th centuries)”


“Na espessura das paredes e na profundidade do solo – In the width of the walls, in the depth of the soil”


Undeterred, I tried FCT again the following year. To avoid the History panel, I tried Economics, and got these comments:
– contributions the proposal not clear
– only one study country (Mozambique) fits into East Africa (!!)
– The PI (…) has insufficient expertise and the team isn’t sufficenyl international


In fact, the proposed team was composed of the PI, me (having my main affiliation abroad) and only two other Portuguese scholars with affiliations in Portugal; the latter two were experts in the sources, located in Portugal. All the other 4 proposed team members are nationals of other countries with affiliations in foreign institutions and all were experts in these types of sources.


To be fair, you sometimes get idiotic comments from referees at good journals too. But FCT does this far too consistently. A key source of criticism to FCT concerns not only the bad scientific quality of the comments one gets but also the fact that one does not have a chance to respond. In ESRC, I got 4 referee assessements of my project, and had a chance to respond to clarify any misunderstanding. Two of those 4 classified this project as “outstanding” along all categories and there was really nothing to respond to; while the other two had minor criticisms, and I got a chance to clarify whether these were misunderstandings. This led to much more transparency of the process. By contrast, FCT hires supposedly “international” experts – but really most are substandard researchers – perhaps because it pays them badly, so no one better wants to do the work. The result is what it is. They send their assessment, and if you raise issues, it goes to the same people again (so they just repeat the same)."


Nuno Palma, a propósito da aprovação de um projecto que nos interessa, cujo financiamento foi chumbado pela FCT em Portugal, aprovado pela FCT do Reino Unido.

10 comentários:

  1. A imensa maior parte dos projetos, incluindo muitos bons, é chumbada pela FCT. Este é somente mais um por entre muitos.
    Falta de dinheiro, creio.

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  2. Bom dia.
    Respeitosamente, em parte poderá ser falta de dinheiro, mas não coloco de lado isto - 

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  3. Ricardo Miguel Sebastião21 de dezembro de 2021 às 10:58

    Resta saber se não se trata efetivamente de perseguição ideológica dado o recente sururu da esquerda mediática em torno do Nuno Palma...

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  4. Um explicas-me em que é que a falta de dinheiro explica a aprovação de um projecto e não de outro.
    A falta de dinheiro explica o facto de não serem os dois aprovados, não explica por que razão, não podendo ser todos aprovados, são estes e não aqueles.

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  5. Os projetos são classificados de acordo com o seu mérito. Havendo falta de dinheiro, somente os projetos cujo mérito é classificado como extremamente elevado é que são financiados. É isso que acontece em Portugal.
    Não conheço os números exatos, mas creio que a disparidade entre o dinheiro disponível pela FCT e o montante solicitado pelos projetos apresentados é de tal ordem que somente uns 5% dos projetos acabam por ser financiados.
    A situação é muito melindrosa, pois montes de gente gasta montes de tempo a preparar projetos, criando expetativas também em terceiros, e depois os projetos acabam, em geral, por não ir àvante.
    Resumindo: a situação que agora afeta Nuno Palma está longe de ser exclusiva dele e, se ele se pode queixar de alguma injustiça, está longe de ser o único. Ele está longe de ser tratado pior do que montes de outros investigadores.
    (Já agora, quem classifica os projetos não é um burocrata qualquer da FCT. O mérito dos projetos é avaliado por quadros de cientistas estrangeiros. Esses cientistas podem não ter sido adequadamente escolhidos - é difícil arranjar um grupo de seis cientistas que cubram adequadamente todo um campo científico - pelo que, em muitos casos, os projetos podem não ser adequadamente avaliados.)

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  6. Mas tu leste o post? O projecto foi aprovado no Reino Unido e considerado como outstanding

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  7. É gastar latim. O pobre homem só tem uma ideia na cabeça: no país socilaista está tudo bem como está.

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  8. O projecto foi aprovado no Reino Unido e considerado como outstanding


    Ainda bem.


    Nada tem de especial: dois painéis de avaliadores diferentes consideraram o mesmo projeto e deram opiniões opostas. Isso acontece repetidamente em ciência.


    Eventualmente, num dos painéis estariam cientistas que, ou não percebem muito daquele ramo muito específico, ou não o apreciam. Em ciência há gostos, como em tudo.


    É frequente um artigo científico ser apresentado para publicação a uma revista, que o rejeita baseada na opinião negativa de um avaliador. Depois o autor do artigo volta a apresentá-lo para publicação a uma outra revista, onde ele é lido por um avaliador diferente que o considera muito bom e manda publicá-lo.


    Compreendo que para um leigo como o Henrique isto pareça muito estranho, mas é mesmo assim. A ciência não é aquela coisa límpida e unidirecional que o Henrique possa julgar. Há gostos, modas, preconceitos, más vontades, etc. Como em tudo que é humano.

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  9. Não é só o problema de que ser leigo, é mesmo o facto de eu ser suficientemente estúpido para achar que há painéis de avaliação com melhores regras (consequentemente, com melhores resultados) que outros.

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  10. há painéis de avaliação com melhores regras que outros


    Sem dúvida que há. Algumas revistas científicas dão aos seus avaliadores instruções mais precisas sobre a forma como devem avaliar os artigos e fazem aos avaliadores perguntas precisas sobre aquilo que avaliam.


    Mas convenhamos que, como acontece em Portugal, quando um painel de avaliação tem que avaliar, não uma dezena, mas sim algumas centenas de projetos - porque a procura de dinheiro é imensa em relação ao dinheiro que efetivamente há disponível - e selecionar de entre eles apenas muito poucos, é fácil o painel ser menos cuidadoso e criterioso na avaliação de cada projeto. A tendência é para "despachar" e eliminar rapidamente o mais possível de projetos, mesmo sem os ler cuidadosamente.

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...