Alexandre Homem Cristo, hoje, no Observador, tem um bom artigo sobre o facto de haver quem defenda o carácter sigiloso dos pareceres que fundamentam a decisão da DGS em relação à vacinação de crianças, em que diz: "Infelizmente, na vida política, tornou-se mais confortável tratar as pessoas como estúpidas, pelo que me parece vã a esperança de que Governo ou Presidência da República vejam algo de errado em tratar os cidadãos como gente limitada à qual não se deve esclarecimentos ou explicações. Porque esse é o procedimento padrão instituído em Portugal. E porque, neste caso em particular, a DGS decidiu no sentido que Governo e Presidência da República pretendiam."
Manuel Carmo Gomes dizia ontem no Porto Canal "Eu não tenho nenhum problema em divulgar qualquer parecer em que participe mas ... não se pode libertar documentos técnicos sem estar preparado, com uma máquina montada para tirar todas as dúvidas sobre os seus conteúdos. ... as pessoas têm de ter literacia na área da saúde para compreender os pareceres e todas as suas implicações... não basta dizer que queremos ver o parecer sem que haja uma máquina habilitada a tirar as dúvidas às pessoas".
Caro Manuel Carmo Gomes, não sabe, mas tem mesmo um problema e muito grande em relação à divulgação de pareceres: desconhece, por completo, a legislação aplicável.
A sua opinião sobre o assunto, como a minha, é largamente irrelevante porque a lei é claríssima.
Lei nº 26/ 2016 de 22 de Agosto, Artigo 5.º Direito de acesso 1 - Todos, sem necessidade de enunciar qualquer interesse, têm direito de acesso aos documentos administrativos, o qual compreende os direitos de consulta, de reprodução e de informação sobre a sua existência e conteúdo. 2 - O direito de acesso realiza-se independentemente da integração dos documentos administrativos em arquivo corrente, intermédio ou definitivo.
A mesma lei, Artigo 6º, 3 - O acesso aos documentos administrativos preparatórios de uma decisão ou constantes de processos não concluídos pode ser diferido até à tomada de decisão, ao arquivamento do processo ou ao decurso de um ano após a sua elaboração, consoante o evento que ocorra em primeiro lugar.
Ou seja, agradecemos todos que dê as suas opiniões, mas agradecemos mais que a lei seja cumprida.
É verdade o que diz Alexandre Homem Cristo: o padrão de comportamento da administração é o da violação da lei, e esta é uma questão que deveria preocupar seriamente os partidos políticos.
A verdade é que Graça Freitas, ou qualquer servidor do Estado, como Manuel Carmos Gomes, não correm nenhum risco por infringirem a lei: quem quiser reclama para a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, que sem margem para dúvidas irá intimar a entidade para dar cumprimento à lei e se isso for feito, não acontece nada a quem tomou as decisões anteriores ilegais.
O único caso que conheço em que houve sanções (perda de mandato para um presidente de câmara, se não me engano), foi anos depois e por desobediência às decisões dos tribunais sobre a matéria.
Por mim, decisões ilegais deveriam permitir despedimento por justa causa, para os técnicos, e cessação das comissões de serviço (o despedimento seria tratado como para os técnicos) imediata para os dirigentes.
Claro que seria muito mais fácil chegar a este ponto se mal Manuel Carmo Gomes se pussesse a argumentar de forma tonta sobre o acesso a documentos administrativos, como neste caso, a jornalista insistisse que Manuel Carmo Gomes estava simplesmente a defender ilegalidades.
ResponderEliminarIndependentemente da obrigação legal que sem dúvida existe, é possível que a DGS tenha boas razões para se recusar a divulgar os pareceres. É que os pareceres estão, naturalmente, assinados por quem os deu, e a sua divulgação pode dar azo a conflitos entre as diversas pessoas que os deram. É até possível que as pessoas só tenham aceitado dar pareceres sob compromisso de que o parecer não seria divulgado publicamente.
Em ciência é normal pedir-se a um cientista para dar parecer sobre o trabalho efetuado por outro cientista. Tais pareceres são sempre dados sob anonimato (isto é, o autor do trabalho criticado tem o direito de ver o parecer, mas não tem o direito de saber quem o produziu). Só sob anonimato é que a pessoa que produz o parecer aceita produzi-lo, caso contrário poderiam surgir conflitos com o autor do trabalho criticado.
Não entendo porque é que agora se levanta tanta celeuma com a não-divulgação dos pareceres, quando no passado recente a DGS emitiu montes de outras recomendações mantendo em sigilo os pareceres que (supostamente) as fundamentavam. Cabe perguntar porque é que tantas pessoas estão agora tão desejosas de ver os pareceres, e no passado recente não estiveram. Será que as crianças de 5 anos são mais merecedoras de desvelos do que os velhos de 85, ou do que as grávidas, por exemplo?
ResponderEliminarEntretanto a FDA (Food and Drug Adm.) dos EUA, o organismo que sanciona a utilização de vacinas, diz que dará acesso a toda e completa documentação, em que baseou a sua decisão, de aqui a 75 anos!.
ResponderEliminar"prohibit Americans from suing for harms" "se causar problemas os americanos estão proibidos de processar".
The Epoch Times
SIM são. Os adultos sabem defender-se as crianças não. Ouçam os pediatras que não têm medo de falar. Um adulto que defende a vacinação de crianças com medo de ser infetado, qdo se sabe que a vacina não impede a infeção e transmissão é um cobarde. Um pai deve proteger o seu filho e não o contrario. Se a doença não se manifesta nas crianças de forma severa, não faz sentido vacinar todas as crianças. Só um mundo de valores invertidos é que aceita esta loucura.
ResponderEliminarÉ simples. No caso dos velhos o benefício era claro, apesar dos riscos que concerteza existem. No caso das crianças não é fácil entender qual é o benefício uma vez que os risco de doença grave é muito baixo, além de que a doença parece ser mais eficaz que a vacina na inoculação. Devo dizer que ouvi as explicações do Mario Cordeiro e não fiquei nada convencida.
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ResponderEliminarCheck this out https://www.thelibertybeacon.com/miscarriages-other-tragic-side-effects-of-mrna-shots/
ResponderEliminarPor que cargas de água os "pareceres" que pesaram e prevaleceram foram os que estavam mais alinhados com o poder ?!
ResponderEliminarAs democracias, como o peixe, começam a apodrecer pela cabeça.
E aqui para nós, isto lá «em cima» está a degenerar e começa a feder a autoritarismo muito anti-democrático...
Susana V.: Mas é exactamente isso que está a acontecer: deixámos de confiar nos nossos governantes e na sua entourage. Achamos que as suas decisões têm sempre algo escondido. É o resultado da opacidade do poder vigente.
ResponderEliminarE as sondagens, Senhor! Que mistério é este? Porque nos dais tanta dor (de cabeça e coisas afins)?
Desmontando pela raiz. Ao não serem divulgados documentos que tratam da saúde das pessoas corta-se ditatorialmente qualquer hipótese de recurso a pedido de esclarecimento por quem deseje aprender a soletrar a linguagem propositadamente indecifrável dos eruditos.
ResponderEliminarDevem estar a confundir mecanismos credíveis e totalmente abertos que influem decisivamente no bem estar e cuidados de saúde com compras de batatas que podem estar sujeitas ao segredo de pouco transparentes concursos públicos.