segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Frivolidades

Rui Tavares faz hoje uma crónica no Público que se baseia num estudo de Eugénio Rosa (que não li), concluindo que Portugal está encravada numa armadilha de baixos salários da qual é preciso sair fazendo um plano que tem como objectivo uma série de boas intenções.


Rui Tavares é dos maiores paladinos de governos de esquerda, interpretando quase tudo o que se passa à sua volta com uma chave interpretativa bem simples: a esquerda é boa, a direita é má, tendo como corolário que se uma coisa é boa é, por definição, de esquerda.


No cerca de 315 meses que nos separam do governo de Cavaco Silva - é no período de governo de Cavaco Silva que Portugal tem o seu segundo melhor tempo de convergência com os países desenvolvidos nos últimos duzentos anos -, cerca de 227 meses, 72% do tempo, o país foi governado pela esquerda, e cerca de 88 meses, cerca de 28% do tempo, foi governado pela direita.


Depois de um diagnóstico demolidor para a situação económica do país, em especial para o que isso significa de baixa qualidade de vida, o que conclui Rui Tavares?


Que o fundamental é votar em quem é responsável por 72% do tempo de governação que nos conduziu à armadilha de baixos salários que Rui Tavares execra.


Rui Tavares é só um, mais relevante será se a maioria dos eleitores - veremos no momento da votação se será assim - também achar que se deve votar em quem teve a responsabilidade de governo em 72% do tempo de estagnação das últimas décadas.

9 comentários:

  1. Por isso é que a escola pública deixou de trabalhar com a memória!! Bem apanhado! 

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  2. Mas esse sr. é de uma indigência intelectual, que até dói.

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  3. Parece-me que o Henrique Pereira dos Santos cai mais ou menos no mesmo maniqueismo que atribui a Rui Tavares, ou seja, dividir todos os governos em "esquerda" e "direita", como se toda a esquerda fosse igual e toda a direita fosse igual e como se não houvesse montes de intermédios ou alternativas.

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  4. a escola pública deixou de trabalhar com a memória


    A pública e não só. Quando o meu pai andou na escola, lá para 1930, os alunos eram obrigados a memorizar os nomes de todos os afluentes de todos os principais rios de Portugal. Aquilo é que era uma maravilha de trabalho com a memória! Em 1930 é que era bom!

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  5. Eu tenho uma ideia para resolver o problema: é criar o salário médio obrigatório.

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  6. ... ou até como se tivesse havido um governo de "direita" em Portugal...
    PSD é social democrata, ou seja o nome que se dá ao socialismo no norte da Europa.
    O CDS coitado, está há quase 40 anos a insistir (e com razão) que não é de direita.
    Só num país terceiro-mundista se podem considerar estes dois de direita.

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  7. A memória é a ferramenta da inteligência. 

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  8. O PSD é social democrata de nome mas já abandonou a social democracia há bastante tempo. O mesmo aconteceu ao Partido Socialista que já meteu o socialismo na gaveta há uns anos valentes.

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  9. É o que se diz e o que eles querem que se acredite... mas o socialismo é mesmo isto que nós temos: estado brutal (em tamanho e prepotência); sociedade falida... Não tenha ilusões.

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...