Não faço segredo da minha proximidade à Iniciativa Liberal, de que não sou militante, "somos só bons amigos".
Também não fiz segredo da minha perplexidade, e discordância, em ir a votos sozinha, e não com Carlos Moedas, nem das minhas dúvidas em quem votar, tendo decidido votar na Iniciativa Liberal já na assembleia de voto, quer por achar que Moedas ia perder (por aqui se vê a lucidez das minhas análises políticas, também não votei em Passos Coelho em 2011, apesar da minha feroz e antiga oposição a José Sócrates), quer por ter ficado convencido de que havia virtude em ser mais claro no que pretendia dizer com o meu voto.
Todos os que discordam de António Costa - parece-me mais que evidente que a hipótese de uma maioria absoluta do PS só é considerada positivamente pelos que agora se entretêm a fazer paralelismos entre o actual chumbo do orçamento e o chumbo do PEC4 para concluir que esta extrema esquerda é a idiota útil da direita - não podem ter como programa político removê-lo do poder, por mais que a remoção do poder de António Costa seja um grande benefício do país, como é.
Tenho muita esperança de que o PSD resolva as suas questões internas de modo a que haja uma oposição com verdadeira capacidade de ganhar as eleições - o que, como se viu em 2015, evidentemente não chega para remover António Costa do poder -, fiquei mesmo muito satisfeito com o facto de Rangel ter ido buscar Fernando Alexandre à Universidade para lhe dar apoio no programa que quer apresentar (e espero que isso não signifique a menorização de Joaquim Sarmento, tanto mais que um se move mais na área da economia e outro na das finanças) mas, tudo isso, não me faz querer que todos os que querem ver António Costa arredado apareçam numa amálgama programática que disfarce o que querem os votos verdadeiramente dizer.
Resumindo, espero que a Iniciativa Liberal concorra sozinha.
É evidentemente contra os interesses da Iniciativa Liberal ter Rangel e não Rio à frente do PSD, é bem possível que o voto útil - útil para quem o recebe, como se sabe, para quem o usa o voto só é útil se for claro - limite substancialmente as possibilidades da Iniciativa Liberal ter um grupo parlamentar, em vez de um único deputado, mas os riscos são compensados pela clareza que resulta do processo: é bom que as políticas liberais se apresentem a votos e tenham a representação parlamentar que resulte da vontade dos eleitores.
Depois das eleições, então sim, se os votos dessa representação parlamentar servirem para afastar António Costa do poder, é natural que se negoceiem programas apoiáveis, a partir da diversidade de pontos de vista com representação parlamentar.
Isso diminui a probabilidade de eleger os deputados necessários para remover António Costa?
Sim, diminui, mas se os adversários de Costa tiverem medo de correr esse risco, o melhor é nem irem a eleições, seguindo o exemplo de Luís Patrão, um dirigente do PS que fez toda a sua carreira política (na verdade, nunca teve outra) respeitando a decisão de nunca mais se candidatar a nenhuma eleição que pudesse perder, depois de ter sido surpreendentemente derrotado na eleição para a presidência da Juventude Socialista (história que me foi contada há anos, que não tenho qualquer hipótese de confirmar, mas que se não é verdade é bem achada).
Totalmente de acordo.
ResponderEliminarPara bem de todos, espero que o PSD se deixe de jogos florais e pense no futuro dos portugueses.
Nada de melhor para o país de haver uma maioria de direita (PSD+CDS+IL) no parlamento.
ResponderEliminarSeria funesto para a Iniciativa Liberal apresentar-se às próximas eleições coligada com o PSD, porque isso a transformaria numa espécie de PEV (Partido Ecologista os Verdes), ou seja, num partido cuja verdadeira força se desconhece (e se suspeita ser pequena) e que só existe dentro de uma barriga de aluguer.
Um partido tem que se afirmar claramente como força autónoma antes de começar a (somente ocasionalmente) aparecer coligado com outros.
Ademais, isso retiraria à IL a sua pretensão de ter uma mensagem própria e distinta. A IL passsaria a ser vista somente como uma muleta do PSD, sem autonomia para se coligar a outros partidos.
Repare-se que noutros países em que há partidos liberais, estes tanto se aliam à direita como à esquerda.
Nos distritos mais populosos que elegem a maior fatia de deputados da assembleia o voto "útil" dilui-se, mesmo tendo presente que serão necessários mais votos para eleger um deputado da IL ou do CDS. Agora não deixa de ser injusto que nos restantes distritos sejam deitados para o lixo os votos nos pequenos partidos, PAN, BE, CDU, IL, Chega, CDS... ainda para mais quando temos o exemplo dos Açores que tem um sistema eleitoral que "aproveita" cada voto através décimo círculo eleitoral, denominado de círculo regional de compensação (CRC), coincidente com a totalidade da área da região, o qual elege 5 deputados através de repescagem de votos dos círculos de ilha
ResponderEliminarEu penso que se continua a confundir o partido com os líderes.
ResponderEliminarTirando os líderes quem é que os partidos têm para fazer cumprir um programa de governo?
É só ver os candidatos do Chega nas ultimas eleições autárquicas. Ou ver os debates dos candidatos na última campanha eleitoral.
Ou ver a campanha de ódio dos candidatos às eleições no PSD e no CDS.
É isto que nós queremos para governar o país?
Não há dúvida, a malta tem mesmo o que merece.
ResponderEliminarTem toda a razão.
Nos distritos que elegem menos de 10 deputados, seria racional a IL não concorrer.
Esses distritos já há muito deveriam ter sido agrupados em entidades maiores. Os dois de Trás os Montes, os três da Beira Interior, e os três do Alentejo.
ResponderEliminarEspanta-me que as alimárias da pindérica correção (PC) do costume ainda não se lembraram de colocar no index o difícil filme de Walt Disney acerca desse mundo.
Em contraponto com as religiões que não foram criadas por Deus mas pelos homens, a política é exclusiva actividade humana.
Cumprimenta
Nas circunstâncias atuais não sei se esta é a altura ideal para os pequenos partidos testarem a sua força. Neste momento todos os portugueses moderados e democratas consideram que "outro valor mais alto se levanta". O país está em apuros. É altura de fazer a separação das águas e dizermos o que queremos, afinal, para o país no seu todo, e afirmá-lo com muita clareza.
ResponderEliminarNinguém tenha dúvidas de que este é um tempo de charneira, um novo 25 de Novembro, parte II.
"Funesto", Balio, é deixar o país entregue a governos socialistas. (QED).
ResponderEliminarA verdadeira "força" de um partido vem do respeito que ele conseguir inspirar se disso for merecedor e que só se conhece nas horas difíceis, na forma como se comportar quando o país mais precisar : Está à altura (ou não) do que o país espera dele? O resto são preciosismos, de momento, desnecessários.
st
Muita gente tem afirmado que são funestas as coligações ou as alianças. Está por provar...
ResponderEliminarPensando bem, se cada um de nós hoje fala Português, muito se deve aos "pactos" e à junção de "aliados" ao longo da nossa História, numa união mais fortalecida em torno de uma "ameaça"...
Em 1ºlugar: apear os socialistas
ResponderEliminarEm 2ºlugar: suprimir os socialistas
Em 3º lugar: derrubar os socialistas.
É vital a IL e outros partidos da direita concorram sozinhos.
ResponderEliminarEssa atracção é característica exclusiva do Rio. Não é assim Rangel nem o verdadeiro PSD, entenda bem isso !!!. Eu faço parte dos que sairam na debandada geral, logo que percebemos que Rio abastardou o partido. Porque serão e a que se devem estas percentagens pífias e vergonhosas?! Rio sai e o partido cresce.
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