As normas da DGS para as festas familiares (para jantar com os meus filhos e netos, se quisesse seguir as recomendações, teria de ter toda a gente a ser testada) fazem-me lembrar uma história bem antiga.
Há já mesmo muitos anos, uma pessoa que conheço resolveu fazer uma coisa muito pouco habitual na altura, em Portugal: uma casa em madeira.
Todos os projectos entregues na câmara para licenciamento, veio tudo indeferido porque faltavam os cálculos do betão.
Reclamação a explicar que não havia betão na construção, que era em madeira, voltou a vir tudo indeferido porque faltavam os cálculos de betão, que eram uma peça essencial exigida para o licenciamento da obra.
Como a pessoa em causa era do meio do projecto, pediu a um colega de engenharia que lhe arranjasse uns cálculos de betão de uma casa. "Mas qual casa?", perguntou o outro. "Não interessa, uma qualquer que não seja muito grande".
Entregues os cálculos de betão, o processo da casa de madeira foi imediatamente deferido.
Esta maneira de sermos governados não é de agora, é como o brandy Constantino, tem uma fama, e um proveito, que vem de muito longe.
De resto, tenho uma experiência muito directa nisto no que diz respeito à legislação florestal, que é extensíssima e pormenorizadíssima - vem do tempo em que florestar era um desígnio de Estado, não uma actividade económica - mas como ninguém fiscaliza coisa nenhuma, e ninguém passa cartucho à legislação (com excepção dos operadores que são certificados, porque o cumprimento da legislação é o primeiro requisito da certificação), tudo se passa como se a legislação não existisse: os que a deviam cumprir estão-se nas tintas, os que a deviam fazer cumprir vivem noutro mundo.
começou mal, vai acabar pior
ResponderEliminarhá demasiados funcionários públicos a falar para se ouvirem
Deliciosa história.
ResponderEliminarInfelizmente é uma situação comum do conflito entre a burocracia e a realidade, como ver um funcionário da câmara a regar o jardim de impermeável e debaixo de uma carga de água, mas como estava no planeamento a rega para esses dia, fez-se.
A DGS, há duas semanas , numa cerimónia religiosa ao ar livre, proibiu os fiéis de se ajoelharem !!!
ResponderEliminarAs normas da DGS para as festas familiares
Eu não sei com que designação e definição essas festas são referidas pela DGS, mas não se trata de festas familiares e sim de festas sociais.
Entendamo-nos, trata-se de festas para as quais se convida pessoas que não fazem parte da família próxima, aliás, em grande parte nem sequer da família fazem parte. Para um casamento os noivos convidam tipicamente os seus amigos, os quais não são pessoas das suas famílias.
Pretender confundir festas sociais com festas familiares é uma mistificação.
ResponderEliminarTodos os projectos entregues na câmara para licenciamento, veio tudo indeferido porque faltavam os cálculos do betão.
E muito bem indeferido, porque a lei é para se cumprir - vivemos num Estado de Direito, não é? - e portanto, se a lei diz que tem que haver cálculo de betão, então tem que haver mesmo.
ResponderEliminarDei-me ao trabalho de ir ver um comunicado do Ministério da Saúde sobre o assunto.
https://covid19.min-saude.pt/testes-recomendados-em-contexto-laboral-casamentos-batizados-e-eventos-culturais-e-desportivos/
Reza assim
Ou seja, (1) trata-se de uma recomendação, não de uma lei, (2) os eventos relevantes são aqueles que incluam pessoas de fora do agregado familiar, e não as reuniões com filhos e netos, (3) as recomendações (que não são leis e, portanto, não são obrigatórias) são para tomar em conta somente quando haja mais de dez participantes no evento.
Se o número de infectados está a subir a culpa é das pessoas.
ResponderEliminarMas se o número de infectados que está a subir é de pessoas que já tomaram a vacina, a culpa é de quem?
"
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ResponderEliminar(1) Não é costume os "filhos" (já Pais) e netos fazerem parte do agregado familiar (dos "Avós", neste caso).
(2) Dez pessoas, em muitos casos é muito pouco. Em famílias de 8 ou 9 ou mais pessoas - que as há - basta ter UM convidado para ser já um "evento" (!)
(3) As recomendações, como se tem visto, rapidamente se tornem em obrigações - sobretudo se houver hipóteses de recolher uns € de multas.
Ah, que saudades do balio e dos seus comentários a defender o status quo. Bem haja.
ResponderEliminarLuis,
ResponderEliminarOs meus filhos e netos não fazem parte do meu agregado familiar;
As recomendações são recomendações, mas a lei manda cumprir as recomendações sob pena de crime de desobediência.
Que um liberal como tu defenda este tipo de abusos do Estado é uma coisa que sempre me espantará
ResponderEliminarEu não defendo este tipo de abusos. Apenas afirmo que pessoas privadas, com o Henrique e eu, não têm que cumprir nada disto, uma vez que são coisas que se aplicam somente em festas sociais e não em festas familiares, e uma vez que se trata somente de recomendações. Estas normas apenas têm força de lei para empresas que se dedicam à produção de festas sociais (casamentos e batizados, etc) nas quais participam (tipicamente muitas dezenas ou até centenas de) pessoas de diversas famílias.
É exatamente como as máscaras na rua, que nem o Henrique nem eu usamos, dado que, embora seja uma norma, de facto só é aplicável em casos raros.
Quem me dera saber arquitectar assim um textozinho...
ResponderEliminarO sr.Arquitecto era a peça que faltava, hoje, no "Fronteiras XXI"... , sobre a Floresta. Estava gente boa, mas havia lá um senhor que seria engenheiro florestal, que se balançava no seu cadeirão articulado, parecia as senhoras quando estão á espera de vez, na cabeleireira, sempre a pensar- "que seca do caneco..." - devia estar morto por cavar dali. Parece-me que não gosta de investir no "monte"...
Dizes tu, não dizem nem o que está escrito e muito menos o que é a interpretação do polícia que resolver chatear
ResponderEliminarÉ sabido que leis nesta terra são meras sugestões. Existem para "inglês ver" e nada se cumpre porque nada se controla e fiscaliza (excepto a caça à multa no tráfego rodoviário).
ResponderEliminarbom, bom bom, de todos os angulos.
ResponderEliminarE revela o quao burros (casmurros) somos uns quantos, quando bastaria seguir o curso e cumprir aquela formalidade surreal. Em vez de desesperarmos a tentar que compreendam a particularidade do "projeto". Afinal, se só querem mais um papel, pois tomem lá o papel.
Nao conheço os pormenores, mas ainda recentemente, a mae de uma filha com profunda deficiencia, fartou-se de explicar aos militares que a filha, comprovadamente, nao estava "apta" para comparecer ao dia da defesa nacional. Nao sei como terminou, mas nao os imagino a irem buscar a adolescente ao lar.
Mas tambem e noutro pais, hoje ouvi esta : queria arrendar casa, mas para isso teria de ter conta bancaria. Acontece que para conseguir abrir conta bancaria, teria de apresentar o contrato de arrendamento.
afinal, dou conta, que nao tratei nem critiquei o tema do post.
ResponderEliminarTodos podem, e fazem-no, criticar pintelhos. Embora o ideal fosse encontramos quem, de varinha magica, resolvesse os problemas.
Dos que ainda não foram vacinados e vão para a borga no Bairro Alto?
ResponderEliminarLembra a história dos bancos dos jardins onde era proibido a gente sentar-se...
ResponderEliminarA Autarquia ordenou a pintura dos ditos bancos.
Pintados estes, foram
colocados cartazes a impedir o povo de se sentar neles... enquanto não secasse a tinta.
Mas, anos depois, continuava a vigorar a proibição...