sábado, 19 de junho de 2021

Cultura institucional

Vou contar três histórias que ouvi directamente de pessoas que estavam nos carros, se são verdadeiras ou não, não tenho maneira de saber, que retratam uma cultura institucional, isso sim, sei que são bastante fiéis.


Na primeira, um ministro (José Sócrates) entra no carro em Aveiro e diz para o motorista: tenho uma reunião em Lisboa dentro de uma hora, estou cansado, vou aproveitar para dormir e não se esqueça de cumprir os limites de velocidade. Mas como é que eu chego a Lisboa numa hora a cumprir os limites de velocidade? Como lhe disse, eu vou dormir, estou apenas a dar-lhe informação sobre o meu próximo compromisso e a dar a instrução de que quero que cumpra os limites de velocidade, o resto é o seu trabalho.


Na segunda, uma ministra (Elisa Ferreira), diz ao seu motorista que está atrasada para uma reunião em Lisboa, à saída de Estremoz, ou por aí (não me lembro). Adormece, acorda a meio, sobressaltada, repara no conta-quilómetros e insiste com o motorista: por favor, senhor ... já lhe pedi várias vezes para nunca passar dos 200.


A terceira é com um director geral a quem a polícia manda encostar numa auto-estrada, por evidente excesso de velocidade. Enquanto pára o carro o motorista diz para o seu director geral, de que é motorista há anos: esteja calado, daqui para a frente, diga eu o que disser. Quando o polícia o aborda e lhe faz notar a velocidade absurda a que seguiam, o motorista, com voz alterada, diz para o polícia que a culpa é daquele gajo que agora está encolhido lá atrás porque sabe que se alguém levar uma talhada sou eu, o gajo é que me obriga a estas loucuras, sabe como é, eu preciso do ordenado ao fim do mês, não posso dizer-lhe que não faço o que ele me manda fazer, e por aí fora, e agora por causa disso fico aqui sem carta e sem trabalho, estes sacanas é sempre a mesma coisa e os outros é que pagam as favas, etc. (safou-se da multa e da apreensão de carta).


Não sei porquê, lembrei-me destas histórias e da cultura institucional que impede o Zé das Iscas de sair hoje de Vila Franca de Xira para ir fazer o um pic-nic à Azambuja, mas permite ao primeiro ministro ir de Lisboa a Munique ver um jogo de futebol.

11 comentários:

  1. O problema é que as pessoas aceitaram todas esta narrativa sanitária, e quem quiser sair dela é logo apelidado de negacionista. 
    Criticaram a festa do Avante, criticaram os festejos do Sporting, criticaram os ingleses e agora o arraial da IL. 
    Qualquer tentativa de devolver a liberdade às pessoas é logo cilindrada pelos profetas da desgraça com a ameaça do apocalipse.
    No entanto o célebre estudo papagueado há meses, da evolução da epidemia num ambiente de espectáculo, ainda não teve até hoje qualquer conclusão por parte dos sanitários imaculados.
    Eu só gostava que me explicassem que culpa têm as pessoas do aumento de infectados e de internamentos, quando se sabe que esse aumento é composto por pessoas já vacinadas.
    A quem serve este pânico social?
    Deixem de alarmar as pessoas, falem verdade, deixem de manipular e de mentir.
    Digam o número de mortes diárias de outras doenças, digam o número de consultas que não dão em detrimento do covid. Assumam o crime que estão a fazer às crianças, parem com a hipocrisia e a estupidez de querer tapar o sol com uma peneira.
    Para que é esta parvoíce do cerco da área metropolitana de Lisboa? Tem alguma coisa a ver com saúde? Não será um confrontozinho de egos entre o presidente e o primeiro-ministro?
    Deixem de passar um atestado mental às pessoas, ou estão à espera que desate tudo à mocada?

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  2. Qualquer pessoa (não somente o primeiro-ministro) é livre de ir a Munique (se os alemães o deixarem lá entrar). Pode-se sair de Lisboa para o estrangeiro. Não se pode é sair para outras partres do país.
    Aliás, no limite, se eu quiser ir ao Porto num fim de semana, posso tomar um avião para Madrid e daí outro para o Porto...

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  3. Mocada...mocas aqui só na bilha e há 47 aninhos que é um vê se te avias! Primeiro o prazer,a liberdade bem pode esperar. Futebois,copo 3,taberna,cães e gatos é culto geral do analfabeto ao doutor aqui,não é defeito é feitio!
    Vacina inté o xuxa Dalai lama a mamou,a diferença entre a dele e a do povoleu está no complexo...o B.
    Basilio das hortas

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  4. Saia um Covide de longo curso, ali prá mesa do lado...e depois falamos..
    Pois, enquanto for para a mesa do lado, está tudo bem connosco. 

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  5. Na cultura institucional continuam a existir os plebeus e os outros, donos da cultura e do espaço por onde os plebeus deambulam, pagam com os seus impostos as mordomias dos outros - os donos - e habitam.


    "Filho de algo" terá dado origem a fidalgo. Na mesma lógica da evolução da língua proponho que os tais donos passem a ser designados por "fidapública", começando a evolução em "filho da república",  passando depois por "filho da pública" até se chegar ao neologismo "fidapública". 


    Portanto, temos uns grandes "fidapública" e o restante são plebeus.


      

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  6. permite ir de Lisboa a Munique ver um jogo de futebol


    Do ponto de vista dos portugueses, não tem mal nenhum que uma pessoa, eventualmente infetada, vá de Lisboa a Munique. Ela irá quando muito infetar o pessoal de Munique.


    Agora, já tem muito mal que uma pessoa, eventualmente infetada, vá de Lisboa ao Porto. Ela poderá infetar os portuenses, isto é, portugueses.


    O governo português tem que acautelar as infeções de portugueses, não as infeções de muniquenses.

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  7. Não deixa de ser curioso muitos protestos que se levantam quando agora as restrições à circulação afetam os lisboetas e não o pessoal do resto do país. No passado recente, quando as restrições à circulação afetaram pessoas de outras partes do país (de Odemira, de Ovar, etc) mas não de Lisboa, não se ouviu ninguém a queixar-se.

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  8. Notícia publicada. Onde, já não me lembro. Mas não esqueço.
    O presidente do supremo tribunal de justiça vinha do Algarve, num carro em velocidade excessiva.
    Topado na A2 pelo radar da GNR, estes só tiveram a solução de avisar uns colegas na Marateca. Quando o carro lá chegou havia um barramento na A2. O condutor, formado pelo GOES (Grupo de Operações Especiais), encostou. Aí o 'senhor' disse que ia para uma reunião em Lisboa (à hora do almoço) e identificou-se como presidente do supremo tribunal de justiça. Os GNR borraram-se de respeito e deixaram-no seguir. No fim do turno ao informarem a chefia do sucedido, esta perguntou-lhes pelos 'autos'. Não havia. Foi-lhes dito que no dia seguinte fossem ao supremo tribunal de justiça para obterem os dados para os 'autos'. Ali, o 'senhor' afirmou que o responsável era o condutor. Ele, não sabia de nada. O condutor especial do GOES foi despedido.

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  9. Tive um familiar, extremamente bem educado. Nunca dizia uma palavra feia. Quando estava aborrecido com alguém chamava-o 'filho de uma mãe querida'. Ele quereria dizer 'filho de uma mãe querida por muitos'
    É o caso do lavoura aka bailio.

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  10. Ora aí está prova daquilo que escrevi em comentário anterior: «

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  11. O "inconsciente colectivo" de todo um povo...

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