quinta-feira, 13 de maio de 2021

Do ridículo

As recomendações da DGS para que as pessoas que estiveram na celebração de campeão nacional de futebol do Sporting são ridículas.


As regras imediatamente divulgadas para a frequência das praias, são ridículas.


Se daqui a quinze dias as coisas estiverem mais ou menos como estão agora (como é o mais provável) o sentimento das pessoas comuns para com o ridículo disto tudo aumentará e as pessoas tenderão a ligar cada vez menos às orientações, às notícias e a tudo isso que alimenta a histeria sobre a covid.


Só tenho a agradecer aos sportinguistas o que fizeram, do ponto de vista da covid.


O que me chateia é o estatuto de absoluta excepção do futebol, que tanto se vê na inacreditável forma como a polícia não chateia os carros estacionados às três pancadas na envolvente dos campos de futebol como, mais ainda para mim, na forma como todos parecemos aceitar a selvajaria de andar a fazer barulho às tantas da noite em áreas residenciais.


Que vão para o Marquês, que não mora lá ninguém, que vão para os estádios, que encontrem um descampado qualquer para comemorar o que quiserem, mas que a sociedade ache normal ter vândalos a incomodar milhares de pessoas até altas horas da noite, perante a passividade das autoridades, diz mais sobre o respeito que temos pelos velhos, pelas bebés, pelos doentes que milhares de estudos de sociologia.


Que os presidentes dos clubes não se empenhem na protecção das zonas residenciais nestas alturas, que os jogadores de futebol não peçam respeito pelos que têm problemas de sono, que os partidos não exijam que a polícia proteja os mais frágeis dos vândalos, que os comentadores não tenham oportunidade para dizer que é uma selvajaria andar aos gritos, aos foguetes, à batucada em áreas residenciais a latas horas da noite, por mais que o nosso clube tenha ganho seja o que for (ou a selecção, é igual, deste ponto de vista), é inacreditável.


Não somos muito fortes a defender os mais fracos.

6 comentários:


  1. 1) No Marquês de Pombal moram muitas pessoas, eu, por exemplo. Quando há lá festas com altifalante, o ruído propaga-se em linha reta até às janelas da minha casa.
    2) No entanto, nesta festa do Sporting não houve problema, porque não foi feita nenhuma instalação sonora.
    3) No primeiro ano em que o Benfica festejou no Marquês de Pombal, foi horrível, tiveram instalação sonora aos berros até às 4 da manhã. Mas nos anos seguintes já não foi assim - a instalação sonora foi desligada às 11 (ou 12) da noite e pôde-se dormir.
    O que quero dizer é que há uma enorme diferença entre haver uns tipos aos gritos e cânticos pela rua, e haver uma discoteca instalada ao ar livre com uma potentíssima instalação sonora.

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  2. Credo. É uma vez por ano (ou, no nosso caso, uma vez a cada 19 anos). 

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  3. Ridículo desde o início. Não era a vovó Gracinha que dizia, lá para Fevereiro de 2020, que o vírus não chegaria cá? Não era ela e os nossos governantes e outros albardados responsáveis políticos que diziam que não se devia usar máscara, que isso causava uma falsa sensação de segurança e que era o que mais faltava irmos mascarados para as comemorações do 25 de Abril? 


    Todos uma desgraça, onde distinguir a ignorância da incompetência é uma tarefa impossível. E se não se tratar de ignorância e de incompetência, então estamos na presença da estupidez em todo o seu esplendor. A estupidez evidenciada pelo controlador proporcional, sempre atrasado e desfasado em relação à realidade: só começa a actuar sobre a válvula quando a temperatura já ultrapassou o ponto de ajuste em vários graus centígrados e acaba por fechá-la (ou abri-la) completamente, dando origem aos típicos  "overshoots". Uma estupidez que deriva da simplificação grosseira. 

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  4. Os cidadãos têm o direito de dormir 365 noites por ano. Todas. E têm a obrigação de ir trabalhar quase todos os dias. De preferência depois de term dormido bem.

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  5. Excelente comentário. Subscrevo a 100%.

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  6. Deve ser por isso que a natalidade está como está.

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...