De há dias a esta parte tenho visto várias referências, umas oficiais, outras dos especialistas especiais que se especializaram em ser ouvidos, a dizer que não se podem abrir as escolas porque a ocupação de camas nos cuidados intensivos ainda é muito alta.
A ocupação de camas em cuidados intensivos depende da quantidade de doentes que existem.
A quantidade de doentes que existem depende da quantidade de pessoas infectadas.
A quantidade de pessoas infectadas depende da quantidade de contágios.
Depois de um contágio passam em média 4 a 6 dias para que algumas pessoas fiquem doentes, depois dessas pessoas ficarem doentes passa em média uma semana para que alguns desses doentes precisem de cuidados hospitalares e passam mais uns dias até que alguns desses hospitalizados precisem de cuidados intensivos e depois passam mais duas semanas até que a cama de cuidados intensivos fique de novo vaga.
Os tempos são bastante variáveis e o parágrafo anterior é simplesmente um esquema para tentar perceber o que significa o número de camas de cuidados intensivos hoje.
As pessoas que hoje estão em cuidados intensivos terão sido registadas como casos positivos há pelo menos uma semana, resultante de contágios que devem andar perto dos quinze dias anteriores (na melhor das hipóteses, como ficam vários dias em cuidados intensivos, muitos dos que hoje ocupam camas de cuidados intensivos foram infectados há três semanas ou um mês e alguns, numa percentagem menor, ainda há mais tempo).
Assim sendo, podemos ver a evolução de camas de cuidados intensivos nos números de casos de há quinze dias, três semanas ou um mês, admitamos três semanas, para simplificar.
Nada sabemos dos contágios que estão a ocorrer hoje, isso é verdade, e até pode ser que o número de contágios esteja a aumentar dramaticamente como na última semana de Dezembro e primeira de Janeiro. É muito pouco provável, mas é possível.
Há, no entanto, uma coisa que sabemos seguramente: ainda que assim seja, começaremos a ver os casos subir daqui a uma semana, os internamentos a subir daqui a duas e os internamentos em cuidados intensivos daqui a duas a três semanas.
Qual é o corolário lógico decorrente do que é dito acima?
Esperar que a ocupação de camas de cuidados intensivos chegue às 242 camas para dar segurança ao sistema de saúde é duplamente estúpido.
É estúpido em si mesmo porque não faz o menor sentido gerir a sociedade para dar folga aos sistemas de saúde, o que é preciso é gerir os serviços de saúde para responder a eventuais problemas decorrentes da epidemia e o que sabemos é que com a ocupação de 900 camas de cuidados intensivos não há notícia de que se tenha esgotado a capacidade de prestar cuidados de saúde. Não é desejável que se chegue a esse ponto porque para dar resposta a esse nível de pressão da procura teve de se deixar muita coisa para trás, mas a verdade é que o sistema deu resposta a essa procura (com dificuldade, com esforço excessivo dos profissionais, com problemas, sim, tudo isso, mas deu resposta).
Mas é muito mais estúpido porque consiste em planear usando um indicador atrasado de caracterização da situação, ou seja, não tomamos hoje decisões necessárias, como abrir as escolas, com base num indicador que reflecte, com três semanas de atraso, uma situação que já hoje conhecemos.
Que tanta gente inteligente e com preparação ande por aí a propagar esta estupidez é coisa que não entendo, que uma imprensa acéfala não os questione, assusta-me: o medo é a fundação mais sólida do fascismo.
Não se podem abrir as escolas porque os miúdos mantêm os pais em casa.
ResponderEliminarNão se podem abrir as escolas porque a ocupação das camas nos cuidados intensivos é muito alta.
Sempre pensei que as escolas fossem centros de formação de miúdos e graúdos, nunca pensei que as escolas servissem para fazer política translacional.
Quando lemos que a mãe do senhor primeiro ministro, jornalista e escritora supostamente bem informada, aconselha o presidente da republica a fechar a escola durante um ano para controlar a epidemia, diz-nos muito da iliteracia daqueles que supostamente gerem a nossa vida e pior, a nossa morte
ResponderEliminarHá pouco tempo o PR ainda dizia que baixar dos 2000 casos na Páscoa era muito bom - é esta a qualidade da informação que lhe dão.
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ResponderEliminarIsso mesmo foi defendido pelo professor que é diretor do liceu que o meu filho mais novo frequenta.
No ano letivo passado, em face da perturbação causada pela epidemia, e em face de alegadamente haver alguns alunos que não tinham suficiente material informático em casa, a direção desse liceu deu ordens aos professores para não ensinarem qualquer matéria nova (nas aulas online) e o diretor do liceu defendeu publicamente que aquele ano letivo deveria ser desconsiderado, eliminado, como um ano sem ensino. Seria um ano de atraso na vida de todos os alunos.
A mãe de António Costa tem 88 anos e tem portanto uma probabilidade razoavelmente elevada de perecer caso seja atingida pelo vírus. Está portanto, nesta epidemia, no partido dos velhos contra os novos. "Os novos que se lixem, o que interessa é preservar a nossa vida", pensam os velhos.
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Nem todos, balio. Modere-se, homem!