Manuel Carvalho escreve hoje um editorial no Público em que começa por falar sobre este video.
No essencial, trata-se de um homem que, com ou sem razão, procura defender-se do que considera uma compressão dos seus direitos individuais e da iniquidade da actuação do Estado.
Não usa de violência, não se recusa a identificar-se, mantém procedimentos básicos de protecção em relação à epidemia, em especial o distanciamento físico. É um homem isolado, desarmado, frente a dois polícias, num primeiro momento, mais meia-dúzia de polícias num segundo momento, chamados pelos dois primeiros, limita-se a desobedecer de forma não violenta perante o que lhe parece ser um abuso da autoridade do Estado.
É completamente irrelevante se tem razão ou não, isso ver-se-á mais tarde nos tribunais, se a tanto chegar o caso.
Perante um homem isolado que contesta pacificamente o poder, dentro da longa tradição de desobediência civil que está associada à defesa dos direitos individuais contra o abuso de poder do Estado, com ou sem razão (friso bem este aspecto), o que tem a dizer Manuel Carvalho, o director de um dos diários mais influentes do país?
Que "em circunstâncias normais, a atitude desse homem mereceria uma condenação sem reservas. Nos dias que correm não faltou quem apoiasse a insolência perante a autoridade".
Quando a imprensa está, por definição, a favor do poder e contra os indivíduos que, pacificamente, se manifestam pelo que consideram os seus direitos individuais inalienáveis, condenando a sua "insolência perante a autoridade", estamos conversados.
O editorial exemplar na demonstração das razões profundas da crise do jornalismo.
ResponderEliminarA mim só me espanta como é que, perante isto, o Henrique Pereira dos Santos continua a pagar para ler esses pasquins.
(Se não paga em dinheiro, pelo menos paga em oferecer a sua privacidade à devassa, em ficar com o seu nome em mais uma base de dados.)
Caro Senhor
ResponderEliminarSe aminha memória não me engana, é esse Sr. Carvalho , director do Público ( desculpem a fantasia; é como chamar ministro de educação a Tiago Rodrigues), pois foi esse senhor que veio publicar a sua discordância de um artigo publicado no dia anterior, no Público!
ResponderEliminarinsolência perante a autoridade
Eu só vi uns poucos segundos no princípio do vídeo, e não vi insolência nenhuma. Insolência em má educação, é atitude de mandar vir, de desafiar; e eu não vi nada disso.
Também li, também vi o vídeo e li os comentários.
ResponderEliminarAssim é muito fácil os governantes tomarem medidas idiotas e pelos vistos bem aceite pelo povo.
ResponderEliminarAh, chico-espertismo e desenrascanço, as instituições definidoras da nossa grande e mui nobre Pátria.
Quanto ao não estar armado... O smartphone parece-me hoje em dia ser uma arma bastante poderosa.
Mas se é completamente irrelevante se tem ou não tem razão o que é que o homem vai fazer para o tribunal, já agora? É deixá-lo na sua liberdade passear à beira-mar!
E se é tudo irrelevante, se ter razão ou deixar de ter é como o litro, por que raio não continuamos a vidinha como se nada fosse e deixamos que a natureza se encarregue de eliminar os fracos e os burros?
Tenho a certeza absoluta que o Henrique usa máscara. É esperto de mais para não o fazer.
Sugiro que leia o post outra vez: é sobre jornalismo, não é sobre como se deve tratar alguém que pacificamente resolve desobedecer à autoridade do Estado
ResponderEliminarO meu caro é extremamente polido, caridoso até , face a um obsequioso lacaio , que se prostituirá até onde for necessário, para não perder o acesso à gamela.
ResponderEliminarJSP
Era muito mais elegante o M. Carvalho usar a palavra "ignorância" em vez de "insolência" visto que desta houve pouca ou nenhuma enquanto daquela parece ter havido bastante. Porquê?
ResponderEliminarO individuo alvo devia saber que, quer queiramos ou não, há uma lei em vigor, temporária, que estipula claramente as regras que inibem as pessoas de "passear". Face a elas, o senhor estava a transgredi-la, porém, com todo o direito de o fazer. Ignorar as consequências disso talvez não seja ignorância ou insolência. Fora isto, todos sabemos para que lado o carvalho se inclina.
A Lei é clara "" Ora, se o "distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde" se mostra "impraticável" naquele sítio (ao menos até os senhores agentes da autoridade se abeirarem do cidadão), gostava de saber onde é que ele é praticável. PS: ao eunuco, faltou acabar o artigo com "a bem da Nação".
ResponderEliminar
ResponderEliminarTal como dizem os Americanos... "Polícia bom é polícia morto."! Eles lá sabem...
Hoje em dia não há jornalismo, há manipulação, há subserviência, há "fake news". Resumindo, não há respeito nem pela profissão nem pelos leitores.
ResponderEliminarParabéns Prof HPS, por nos informar. Deixei de ler jornais e quase não vejo TV, mas não deixarei de acompanhar a sua luta contra quem deixou, há muito, de ser o 4º poder.
ResponderEliminarObrigado
A Lopes
ResponderEliminarPelo menos há outras manadas de escravos menos MANSAS que a Tuga!
"World News
Hundreds march through Copenhagen to protest Covid-19 lockdown & plans for vaccination passports
On Saturday night, hundreds of demonstrators walked through central Copenhagen in front of the parliament building, carrying torches and flares, chanting slogans and playing music."
Um óptimo exemplo do nosso "jornalismo de deferência".
ResponderEliminar
ResponderEliminarNum caso destes, os agentes deveriam estar treinados para uma actuação mais pedagógica, sublinhando para a necessidade deste cidadão se autoproteger. E uma abordagem para o acalmar, pois via-se nitidamente que estava stressado com o confinamento, aliás, ele disse que só queria apanhar ar. Não desafiou, não foi insurrecto e até pareceu bastante ciente dos seus direitos individuais. ( Mas nada disto fez soar as campainhas do referido jornalista...)
Ele só cometeu um pequeno "erro" que o pode tramar em tribunal (se quiserem) é que não usava a máscara. Pelo menos poderia trazê-la consigo.
Avaliando o comportamento do cidadão, dos agentes e do director do jornal, este foi, sem hesitação, o que teve a pior qualificação. Melhor dizendo, não tem qualificação! O que escreveu ultrapassa tudo! Confesso que ainda não me tinha apercebido que já tínhamos chegado a este ponto de desprezo pela liberdades e pelos direitos dos cidadãos. Embora desconfiasse, vemos diariamente os sinais de degradação da democracia.
Mas é um sintoma de que isto está do pior, quando um responsável de um jornal de grade divulgação toma esta posição.
Quer dizer que estamos tramados. ´E para ditaduras já nos chegou uma.
AP
Caro Anónimo das 20:01,
ResponderEliminarO nosso concidadão levava pela mão uma máscara.
Temos falta de formação na polícia, ou excesso de exercício de autoridade. Nem sei. Fiquei perplexa com a atitude da polícia. Quanto ao director do "jornal" Público, nem vale a pena. Há já muito tempo que os seus editoriais não têm explicação (pelo menos, não a conheço).
Catarina Silva
ResponderEliminarQuando as medidas são irracionais... depois dá nisto.
https://observador.pt/programas/contra-corrente/quando-o-jornalista-faz-de-policia-tenham-medo/
Catarina Silva, têm explicação estes editoriais: chegou-se à subversão total da finalidade do jornalismo e do seu dever de imparcialidade ; tempos perigosos, estes, que vivemos, em que um jornalista "faz política" e se coloca ao serviço dos poderosos, com manifesto desprezo pelos cidadãos.
ResponderEliminarMas o mais espantoso disto tudo é que se mostrem tão competentes e tão profissionais em se tratando de medidas de repressão. (Diria que o fazem com gosto e muita eficácia).
ResponderEliminarJá na governação (risos) o mesmo critério não se aplica: não há rigor, são laxistas, incompetentes e sempre a fintar-nos para escapar às responsabilidades. Claro que o tal director dá uma ajudinha.
Pois é sobre o jornalismo. Mas como o Henrique é um influenciador pelos seus estudos e opiniões, poderia ter ido mais além e assumir o partido....
ResponderEliminarPorém, se os agentes lá chegaram, o distanciamento tornou-se realmente impraticável, correcto? Tudo me fez recordar o sketch dos Gato Fedorento: "não me podes tocar, o ar é de todos", mas na fórmula mais singela e pitoresca da desobediência civil que tem nas Caxinas a sua Selma.
ResponderEliminarO Público não tem como missão informar. O Público é a paz social no Continente em troco do prejuízos suportados pela SONAE. Existem protestos contra o continente como existem contra o Pingo Doce? O BE e socialistas mais radicais encontram-se amestrados pelo dizimo pago pela SONAE no Público.
ResponderEliminar