sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Cristalino

"Resta uma só solução: levar o confinamento muito a sério. ... Relativizar o perigo é exponenciá-lo. Virar-lhe as costas, por fadiga ou impaciência, por descrença nos políticos ou por dúvidas sobre as prescrições dos especialistas, é fugir à responsabilidade. Ficar em casa é mais do que uma opção individual, é um acto político, ... um gesto de resistência em favor do bem comum. Num momento dramático como este, é dever do Público alertar para a calamidade que vivemos e apelar a esse esforço colectivo indispensável para a vencer."


Obrigado Manuel Carvalho.


Raramente se encontra um director de jornal a explicar tão claramente que entende que o compromisso fundamental com os seus leitores não é produzir informação tão factual, objectiva e independente quanto possível, deixando à sociedade as opções quanto às consequências daí decorrentes, mas sim condicionar os seus leitores para adoptar opções politicas que o jornal entende que materializam o bem comum.


Nem nos orgãos oficiais de partidos e instituições é normal ser tão claro quanto aos objectivos pretendidos pelo jornal.


Francamente obrigado pela transparência e pela coragem de avisar os seus leitores de que o que lerem no jornal não é a descrição tão objectiva quanto possível da realidade, mas sim a materialização de uma agenda política que aconselha a calar o escrutínio sobre os políticos ou as prescrições sociais dos especialistas que o jornal escolher como porta-vozes do bem comum.

11 comentários:

  1. a culpa é sempre dos contribuintes e do porteiro dos ministérios

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  2. Ora, há muito que se sabe, ou pelo menos se observa, que os jornais em Portugal não servem para produzir informação, mas sim para veicular opinião. Hoje em dia os jornais são uma espécie de blogue impresso, em que diversas pessoas emitem as suas opiniões; a informação é subsidiária.

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  3. Apenas mais um escravo ao serviço das Famílias Donas de Portróikal e dos restantes interesses instalados...

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  4.  Muitos dos nossos órgãos de informação fizeram-se mensageiros da propaganda do poder, de modo que têm contribuído por omissão ou por acção, para o declínio da democracia. Diante do descalabro que nos rodeia, (que não se deve apenas à crise da pandemia) é um sintoma que não haja vozes independentes na Comunicação Social que delatem as falhas e incriminem os verdadeiros culpados pelo estado de quase ruína em que o país se encontra.

    Hoje escreve um texto no Observador que é de estarrecer.
    Se me permite, fica aqui indicado:


    https://observador.pt/opiniao/o-sinistro-milagre-portugues/


    MT

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  5. Pergunta:


    Qual foi o governo 'facho' sob o qual foram entregues milhões de euros de dinheiro dos contribuintes aos principais jornais e televisões privados (condicionando-os objectivamente), ao mesmo tempo que a polícia andava a vigiar jornalistas?


    Resposta:


    A. O governo húngaro de Orban;
    B. O governo de Trump;
    C. O governo 'do Passos' (de Massamá);
    D. Outro.

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  6. Um (re)conhecido lacaio servil e obediente  à voz do(s)  dono(s)..
    Que, legitimamente, aguarda voos mais altos : recordemos o trajecto  profissional do Prof. Doutor Artur Baptista da Silva, "nom de plume"  nicolau santos...
    JSP

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  7. Faltou-lhe mais uma opção:


    E.  Não sei / Não respondo (tenho medo)

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  8. Excelente comentário! Lúcido!

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  9. Totalmente de acordo.
    Francamente, já estamos tão fartos de ser guiados e teleguiados...

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  10. Há quem diga que a blogosfera não presta, mas o jornalismo do politicamente correto que aprenda com ela, e siga o exemplo deste diretor de jornal.

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  11. Ninguém vai para jornalismo para dar notícias. Vai para pregar a sua moral.
    O jornalismo é essencialmente o proselitismo da religião política, fanáticos que acreditam que a política tudo resolve.

    Os jornalistas são os padres. E o jornal e Telejornal a missa. Hoje a moral, o que é pecado e o que não é, é definido pelo jornalista.
    Quando compra um jornal ou vê o telejornal está a ir à missa.
    A política é a única religião que reclama poder controlar o clima...

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Donas de casa

Aqui e ali (ler Patrícia Fernandes, no Observador, sobre este ou outros assuntos, quase sempre se lê com muito proveito) aparece a discussão...