Dei-me ao trabalho de transcrever a gravação, para não ficar dependente de fontes secundárias de informação:
"Nós temos tido dificuldade … em estabelecer uma associação entre certas medidas em particular que se tomam e depois como é que isso se reflecte na subida e na descida da incidência. Se perguntar concretamente: impedir os movimentos em determinados concelhos durante um determinado tempo, qual é o impacto que isso tem em número de casos e redução da incidência, eu tenho muita dificuldade em responder a essa pergunta porque há heterogeneidade, porque isso não é constante ao longo do tempo, portanto é difícil responder a essa pergunta … mas é evidente que tudo o que contribua para diminuir o número de contactos e a probabilidade de um contacto se traduzir num contágio, tudo isso contribui, evidentemente, para mantermos o controlo sobre a epidemia".
Traduzido em miúdos, nós sabemos que reduzindo contactos que se traduzem em contágios a epidemia se controla, mas não fazemos a menor ideia de como as medidas tomadas, e que defendemos, conseguem reduzir contactos e contágios.
Em qualquer caso, isso não é muito importante, porque empiricamente conseguimos dar respostas:
“Se se recordam … no dia 19 de Novembro eu apresentei este slide onde nós projectámos que o pico estaria na última semana de Novembro e nessa altura com um valor próximo dos sete mil casos por dia. Boas notícias, o pico chegou mais cedo nos constatamos que o pico estará entre 18 e 21 de Novembro, com menos casos por dia … Porque é que nós projectámos para mais tarde? Bom porque nós fazemos medições com os dados que temos e a 19 de Novembro ainda não estávamos a conseguir capturar o impacto das medidas que foram introduzidas neste mês de Novembro … o pico dos contágios … terá ocorrido por volta dos dias 12 a 15 de Novembro … isto ocorre um pouco depois da introdução das medidas do governo e portanto reflecte já, a meu ver, o impacto dessas medidas."
Como? A 19 de Novembro não conseguimos perceber que estamos no pico que está a ocorrer, concluímos mais tarde que o pico de contágios foi ali por 12 a 15 de Novembro e concluímos que medidas tomadas no fim de Outubro/ princípios de Novembro é que fizeram diminuir os contágios a meio de Novembro?
E é nisto que estamos.
E não é apenas Manuel Carmo Gomes, citado acima, o Instituto Ricardo Jorge também previa, ali por 23/ 24 de Novembro, quando o pico já tinha passado e isso se notava nos números, que a 4 de Dezembro (foi ontem) o número de casos seria de 9 776 (um erro de 100%, mais coisa menos coisa) e haveria 680 pessoas em cuidados intensivos (um erro de 150, mais coisa menos coisa).
Claro que é inevitável que previsões não batam certo (se por acaso se acerta é mais acaso que sabedoria), mas quando é o Instituto Ricardo Jorge que todas as semanas publica uma versão actualizada disto (este é de ontem) e ainda assim conclui que há uma relação manifesta entre as medidas tomadas e as variação do R(t), não há muito a esperar da racionalidade da gestão da epidemia.

Estou convencida de que tem razão nisto do Coronavirus. Mas parece que não consigo convencer ninguém... Ninguém quer acreditar que não podemos exercer uma influência determinante na propagação da virose. É duro resignarmo-nos à nossa insignificância...
ResponderEliminarEra interessante saber quantos testes foram feitos em cada dia!?
ResponderEliminarSe alguém tiver conhecimento desses dados envie o link por favor.
Obrigado
ResponderEliminarRelativamente a confiança:
https://www.independent.co.uk/news/health/coronavirus-pfizer-vaccine-legal-indemnity-safety-ministers-b1765124.html
Para ler com atenção:
https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjWmq-p57ntAhVr7OAKHUgFCJYQFjAEegQIChAC&url=https%3A%2F%2Fwww.wodarg.com%2Fapp%2Fdownload%2F9033912514%2FWodarg_Yeadon_EMA_Petition_Pfizer_Trial_FINAL_01DEC2020_signed_with_Exhibits_geschwa%25CC%2588rzt.pdf%3Ft%3D1606870652&usg=AOvVaw3uUxCRJSd-1Rta-57kC9OX
Lamentável que se continue a falar em "casos" (testes RT-PCR positivos) sem que se especifique o número de ciclos de amplificação (ct) a que é sujeito o material genético colhido. O Prof. Michael Mina e página do site do CEBM da Universidade de Oxford têm explicado desde há meses, bem assim como o artigo do NYT "Your Coronavirus Test Is Positive. Maybe It Shouldn’t Be", a necessidade de se ter em consideração o número de ciclos de amplificação (ct). Nesse artigo, de 29/8/2020, já se escrevia que, relativamente a um ct de 40, valor usual nos EUA:
ResponderEliminar«With a cutoff of 35 [cycles], about 43 percent of those tests would no longer qualify as positive. About 63 percent would no longer be judged positive if the cycles were limited to 30.»
Como se isto não bastasse, também o artigo científico “Correlation Between 3790 Quantitative Polymerase Chain Reaction–Positives Samples and Positive Cell Cultures, Including 1941 Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Isolates”, citado no ACÓRDÃO N.º 1783/20.7T8PDL.L1-3 do Tribunal da Relação de Lisboa, datado de 11 de Novembro de 2020, afirma claramente (na tradução constante nesse acordão):
Portanto, todas as estimativas produzidas a partir do número de "casos" carecem de significado na ausência de conhecimento do ct usado nos testes. Não havendo sequer necessidade de se invocar a relação existente entre o seu número e o número de testes realizados, outro facto cujo conhecimento os ditos "especialistas" também ignoram sistematicamente sem o mínimo de pudor, de vergonha, de escrúpulos e de honestidade intelectual. A menos que se trate de ignorância, de frete, de propaganda, de vassalagem, ou de necessidade de protagonismo.
elogio o esforço na explicaçao, e desejo de todo que a generalidade dos leitores possam explicar concretamente para si proprios o que estao a ler.
ResponderEliminarConstato que V/Exª integra a imensa e esmagadora maioria de pessoas que compreende perfeitamente que o confinamento, e portanto a diminuiçao do contacto com mais pessoas, trava, inevitavelmente o contagio, a pandemia.
E o que mais nos interessa é real e verdadeiramente ver o numero de contagios a decrescer.
Valeria a pena recordar as previsões em Abril, de que o pico enorme se daria em finais de Maio, para depois dizerem que o pico tinha sido em finais de Março.
ResponderEliminarTudo sem uma retração, pedido de desculpas, um assomo de humildade.
Nem, naturalmente, qualquer pergunta de jornalistas ou oposição sobre o que anda esta gente a fazer.
Ouvi a intervenção de Manuel Carmo Gomes em directo, achei bizarro o argumentário. Transcrito e agora lido, pior. Em condições normais, estas pessoas eram apenas ignoradas de tão más. Mas nós não vivemos em condições normais.
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ResponderEliminarAo minuto 45:00 da última reunião no Infarmed (
https://www.youtube.com/watch?v=Sq5uewaJY6w) o especialista do Instituto Ricardo Jorge é muito claro quando refere que a transmissibilidade inicia o seu processo de descida antes da declaração de estado de calamidade (14 de outubro), ou seja, antes da imposição de qualquer tipo de restrições.
Sendo isso parcialmente verdade, seria fácil demonstrar com os estudos de mobilidade. O problema é que os estudos de mobilidade não são claros nessa demonstração.
ResponderEliminarA solução para esta fraudemia passa por deixar de fazer testes da treta e começar a tratar quem realmente esta doente.
ResponderEliminarSabemos que se for bem repetida e amplificada a detecção de uma qualquer pedra da calçada, esta terá que ficar confinada uma semanita. Atenção Departamentos de Obras dos Municípios, não deixem as V/ calçadas serem politizadas.
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