segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Hortense

Não seria normal, num país normal, com uma imprensa normal, que de cinco em cinco minutos alguém perguntasse a António Costa, ou pelo menos a Ana Catarina Mendes, se o PS mantém a confiança política em Hortense Martins?


É que a velha escapatória "à política o que é da política e à justiça o que é da justiça", aplicada a este caso, leva a uma questão muito simples: está mais que demonstrada uma actuação persistente, consistente e consciente de Hortense Martins no sentido de obter vantagens privadas dos cargos políticos que ocupa - ela e a sua família directa - incluindo por meios ilícitos como a falsificação de documentos.


Independentemente da inacreditável opção do Ministério Público arquivar o caso com base em tretas, a questão política subsiste: o PS mantém a confiança política em quem reiteradamente usou os cargos políticos a que acedeu através do PS para defraudar o Estado por meios ilícitos?


Hortense faça o que quiser, claro, não é essa a questão - ou melhor, é uma questão, mas é menor - mas o PS quer mesmo não fazer nada, por opção?


E a imprensa acha isto tão tranquilo que não acha necessário pedir esclarecimentos ao PS?


E nós, sobretudo nós, encaramos isto tão serenamente que nada se passa, para além de umas piadas sobre o facto do marido não ter reparado que a contraparte do contrato que assinou era o pai?


Adenda: nem de propósito, um artigo sobre nós e a nossa passividade, aqui, por Luis Rosa

5 comentários:

  1. HPS, mas como? se "defraudar por meios ilícitos", ascender a cargos e usá-los para proveito pessoal (e da família e amigos) está no adn desse partido!  (Com raras mas honrosas excepções). Eles é que não se dão conta, mas as pessoas estão a tornar-se cada vez mais atentas.

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  2. Não tem a ver com o post, mas o Henrique veja


    https://www.rt.com/uk/501267-uk-scientists-covid-open-letter/


    que lhe vai agradar (e me agrada a mim).

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  3. Um "Partido" ( em português corrente, Quadrilha ) corrupto, de corruptos e para corruptos.
    Para esta Súcia, a mesa do orçamento é o Pinhal do Escaroupim, de saudosa memória.


    JSP

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  4. Caro HPS
    «E nós, sobretudo nós, encaramos isto tão serenamente que nada se passa(...)». Que podemos nós fazer? Quando o poder vigente se prepara para eliminar na secretaria uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) contra o acordo ortográfico de 1990, tudo sendo feito para impedir que a dita ILC suba a plenário da assembleia da ré pública; fazendo tábua-raza da vontade de mais de 20 mil votantes (votantes de todas as tendências clubísticas, ideológicas, sexuais, animais e etc.); desprezando a Lei que eles próprios votaram; que podemos nós legalmente fazer? Nada. A única solução é utilizar a violência. Quem está disposto a utilizar a violência?
    Boas pedaladas.

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  5. Ia dizer "eu!", mas depois arrependi-me.

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