terça-feira, 1 de setembro de 2020

Escolas

A FENPROF resolveu, agora de forma bem mais moderada, voltar à conversa da responsabilização do Ministério pela falta de condições de segurança sanitária nas escolas.


Nenhuma surpresa, a FENPROF não existe para defender o ensino, existe para defender os interesses dos professores e há muitos professores cujo maior interesse é receber sem dar aulas.


Felizmente estão longe de ser a maioria e, também por isso, o grau de sindicalização é o que é e a representatividade da FENPROF é o que é.


Grave, mas mesmo grave, é a histeria de jornalistas como a que é expressa por esta peça do Observador, em que até boatos no twitter são usados como fontes de informação fiáveis e afirmações sem a menor base factual, como a da ligação entre a abertura das escolas a meio de Maio e o início da subida de testes positivos em Israel, um mês depois, é apresentada como uma evidência apesar de contrariar os períodos conhecidos entre contágio e detecção da infecção, e apesar do momento da subida de casos em Israel ser o mesmo momento da subida de casos nas mesmas latitudes no hemisfério Norte.


Aparentemente, a jornalista não acha necessário interrogar-se qual é a confiança que se pode ter na base científica para a diversidade de medidas tomadas nos diferentes países, de tal maneira elas são díspares, mas acha muito importante começar a peça com um caso particular de uma mãe em situação de risco que não quer levar o filho à escola, como se a situação descrita tivesse a mínima representatividade.


Não abrir escolas é um golpe duríssimo na vida de milhares de alunos mais pobres e mais frágeis, mas o que não falta é gente de classe média, como os jornalistas, para quem é mais importante falar normalmente do fecho de escolas porque há um teste positivo, em vez de avaliar se realmente faz o menor sentido fechar uma escola de cada vez que há testes positivos.


A longa explicação da jornalista para desvalorizar a realidade sueca - fugindo ao mesmo tempo de falar da Dinamarca e outros que tais - é dos exercícios de contorcionismo jornalístico mais tristes que tenho visto.


Meus caros jornalistas, nesta matéria das escolas não tenham a menor dúvida: o tempo se encarregará de vos encher de remorsos pelo mal que estão a fazer aos alunos mais pobres e frágeis.

3 comentários:

  1. Não são só os jornalistas, HPS, não é só o ano escolar, é tudo o resto. Não se vê um rumo, uma estratégia, um plano, nada de nada. É aflitivo.
    Repare que os ministros permitem-se andar ostensivamente desaparecidos, numa "normalidade" quase indecorosa a contrastar com as circunstâncias excepcionais que todos atravessamos. Estarão "apenas" a cumprir  as regras do "distanciamento social", a "lavar as mãos"? Ou denota apenas um quase alheamento, uma completa desarticulação com a realidade e com as necessidades do país? Apenas um exemplo: por onde anda o M.da Educação que não aparece (ou alguém por ele) nesta altura, a esclarecer e a tranquilizar-nos com um plano para abertura do ano escolar?


    Nem sei bem porquê, mas tive necessidade de aqui encaixar este podcast. (Outro susto que aí vem. Mais um).


    nohttps://observador.pt/programas/explicador/da-mineracao-de-guito-europeu-ao-papel-do-estado/   

    ResponderEliminar

  2. se faz o menor sentido fechar uma escola de cada vez que há testes positivos


    Foi precisamente isso que o Instituto Superior Técnico fez em março (ainda uns dias antes do início do fecho mandatado pelo governo): apareceu no Técnico uma pessoa com sintomas e imediatamente o Conselho de Gestão mandou toda a gente no campus ir para casa. Toda a gente, com duas horas de aviso prévio, foi mandada embora. Quatro dias depois, veio-se a saber que tinha sido falso alarme, a pessoa com sintomas até nem tinha covid-19, mas entretanto já toda a gente estava encerrada em casa.

    ResponderEliminar
  3. Henrique,  para quando um novo post sobre este tema ?
    worldometers.info/coronavirus/country/spain/

    Veja as mortes sff  (hoje ainda nao estao contabilizadas as cento e oitenta e quatro de hoje).   

    ResponderEliminar

O caso das bandeiras (outra vez)

A devolução ao Parlamento, sem promulgação, do decreto sobre as regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos, pelo Presidente da ...