segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Ainda sou do tempo

"“O modelo prevê que é possível evitar a segunda onda. É exigente, mas é possível”, afirma Manuel Carmo Gomes, acrescentando que se está a assumir que existe uma homogeneidade entre as pessoas no que toca à suscetibilidade à Covid-19, um assunto que ainda está “pouco esclarecido”.


Manuel Carmo Gomes considerou ainda que é “fundamental” ventilar as salas de aula. “Penso que é uma medida que pode fazer toda a diferença“, afirmou o epidemiologista.


Para o docente universitário, as salas de aulas devem ser ventiladas antes do início de uma aula e no final. Caso a aula tenha uma duração de 1h30 ou 1h45, a sala deverá ser ventilada durante cinco minutos a meio da aula."


Das coisas que mais confusão me fazem na gestão da epidemia é o profundo desprezo dos especialistas pela realidade.


Não vou falar da coisa extraordinária que é Claudia Nunes optar por falar (ressalva para a hipótese de ter falado no resto e os jornalistas escolherem o que entendem) de Israel e não da Dinamarca, da Suécia ou da Noruega a propósito da abertura de escolas, matéria que está muito mais bem documentada nestes países (até podia falar da Alemanha, se não quiser falar dos nórdicos), o que me interessa mesmo é esta ideia de que as salas devem ser arejadas antes e depois de cada aula e no meio das aulas mais demoradas.


Como toda a vida tive falta de dinheiro, quando fui fazer o meu estágio em Bragança - pelo qual era pago, mas pouco, e ainda tinha de pagar as dívidas do meu curso que, em grande parte, foi financiado por mim próprio - aluguei um quarto que não sendo excessivamente longe de onde trabalhava (não tinha carro e os transportes públicos na cidade não existiam), também não era caro.


Lembro-me bem do facto das janelas terem gelo nos vidros, quando acordava de manhã. Mas não era só do lado de fora, era também do lado de dentro.


Acho que isto me qualifica para me rir a bandeiras despregadas com a hipótese dos alunos do Nordeste entrarem em salas geladas, aumentando enormemente os riscos de doenças pulmonares que realmente os afectam, como as gripes e consequentes pneumonias, para se defenderem de uma doença que não os afecta por aí além.


Francamente, quando a adesão dos especialistas à realidade é esta, acho que está na altura de os mandar de volta para os gabinetes de onde nunca deveriam ter saído e voltar à gestão racional da vida pública através de pessoas eleitas que, podendo não saber nada de epidemias, ao menos têm uma ideia bem precisa do que significa abrir janelas no Nordeste no Inverno.


P.S. O modelo com base no qual querem tomar estas medidas pressupõe que somos todos iguais, coisa que toda a gente sabe que é mesmo assim.

2 comentários:

  1. Esse cromo Manuel Gomes é um corrupto intelectual, só mais um que diz isso para não perder o emprego e a boa vidinha... Vive num mundo de modelos e cenários de algoritmos e folhas de cálculo. Nem para varredor de ruas serve.

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  2. "aumentando enormemente os riscos de doenças pulmonares que realmente os afectam, como as gripes e consequentes pneumonias"


    Isso deixou de existir... gripes e pneumonias! Agora só existe CUVID!

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