quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A estatística do futuro

Salvo qualquer percalço, compro o Público todos os dias (por exclusão de partes).


Antigamente até o lia on-line, ao fim de semana comprava em papel, comecei a perceber que os meus filhos iam lendo os jornais que ficavam por ali, e para fomentar a leitura de jornais (não me interessava se só liam o desporto, a moda, os mexericos, é irrelevante), que acho uma coisa boa em si mesma, passei a comprar todos os dias.


Mas nem sempre o leio, e vou acumulando para ler um dia.


Ontem li vários do princípio de Julho e lá estava uma notícia com o título garrafal: "No Sul dos EUA, teme-se um horror igual ao dos hospitais italianos".


Para além do habitual viés anti-Trump e, consequentemente, anti estados governados por republicanos (a Califórnea aparece referida, mas enfim, sempre com uma nuance), o artigo lá acabava com "grand finale":


"Ontem, o homem que chefiou o Departamento de Saúde do Arizona durante seis anos sob a liderança da ex-governadora Jan Brewer, disse que teme o pior nas próximas semanas. "Olhem para o que aconteceu na Lombardia, em Itália, e em Nova Iorque. É isso que está prestes a acontecer aqui", disse Will Humble ao The Washington Post. "As pessoas vão morrer porque o nosso sistema está sobrecarregado e é importante que outros estados aprendam com os nossos erros. Somos um exemplo daquilo que não deve ser feito".


Como o jornal é de 4 de Julho, e hoje estamos a 27 de Agosto, é perfeitamente possível ver o que aconteceu.


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Sem surpresa, com as diferenças que existem de situação para situação e de padrão entre as zonas temperadas e as subtropicais, o que aconteceu no Arizona não foi nada de especial e tem o padrão que tem sido verificado mais ou menos em todo lado (a análise deve ser feita sítio a sítio, e não por país): uma subida rápida de casos de mais ou menos três semanas, um planalto e uma descida, o mesmo se verificando no padrão de mortalidade, com algum desfasamento e com o arrastamento da perna direita na descida.


E tanto foi assim no Arizona, como nos restantes estados do Sul dos Estados Unidos, independentemente das medidas tomadas (a discrepância da Californea para o Arizona, nas medidas de gestão, é abissal, as curvas da epidemia são quase as mesmas, com diferenças de amplitude e de pormenor).


Nem mesmo com toda esta evidência, se consegue que a hipótese de que a epidemia tem andado um passo à frente de nós, e que a sua dinâmica seja mais interna que resultante das medidas que tomamos, ganhe foros de cidade, mesmo como mera hipótese de trabalho.


Em grande parte pelo enorme contingente de estatísticos do futuro: pessoas que nunca conseguem explicações consistentes para as diferentes situações do passado, mas que acreditam piamente que os dados do futuro vão confirmar as suas convicções.


Quando não confirmam, têm sempre uma nova explicação e mais uma afirmação sobre o facto dos dados do futuro ir confirmar os cenários aterradores que traçam e que, por acaso, até não se verificam posteriormente.


P.S. O governo voltou a decretar um estado de contingência, a partir de 15 de Setembro, para poder limitar arbitrariamente direitos constitucionais dos indivíduos, sem qualquer fundamentação lógica relacionada com o andamento da epidemia. Para além da gravidade desta decisão em si, há um risco maior que todos: são precedentes que vão banalizando a restrição das liberdades individuais com base numa mão cheia de nada em matéria de fundamentação e justificação. Quando estes precedentes forem usados mais tarde por governos de quem gostem menos, não se esqueçam da nossa passividade perante esta barbaridade.

15 comentários:


  1.  Um texto bem divertido com muitas ideias que, calculo, o HPS partilha


    Blasfémias blog

    27 de Agosto 2020
    vítorcunha
     "Chamem-lhe padre, chamem-lhe senhorio, chamem-lhe governo, chamem-lhe o que quiserem"

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  2. Excelente post-scriptum.
    Temos um governo que está repetidamente a violar as liberdades constitcionais de indivíduose empresas, e não há ninguém que diga isto à boca cheia e que se decida a ir para os tribunais!

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  3. O regime de terror da pandemia continua e sustentaas violações dos direitosconstitucionais dos cidad-aos. Ná há qualquerr estado de contingência , nem se justifica .Com as medidas de caça ao virus o PR e o Governo só agravam a crise económica e social profunda que estamos a viverA destrui~\ão da nossa riqueza é devastadora .A nossa independeência foi capturada pelo poder germãnico.Vejam-se os casos da TAP e do Banco de Fomento Português em que o PRfoi um obediente servo do poder germânico.Para quê gastar umas dezenas de milhôes de euros com umPR que não tem qualquer poderem Portugal ?

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  4. Quando há uma pergunta no sapo sobre a possibilidade do uso de máscaras na rua e a maioria das pessoas concorda, qual é a solução?
    Enquanto a comunicação social continuar nesta senda criminosa e sensacionalista de divulgar números pífios da covid apenas com o objectivo do alarme social, cada vez me convenço mais que isto só vai regularizar à mocada.
    Não sei se o confinamento irá evitar alguma coisa, espero que percebam que quanto maior a acção maior a reacção. 

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  5. Uma breve visita á página oficial do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças mostra o mesmo, a pandemia de casos.
    Testes aos dezenas de milhares, casos ás centenas e mortos nas dezenas a nivel europeu de forma generalizada.

    Espero que não chamem ao ECDC um site de conspiracionistas...

    https://covid19-country-overviews.ecdc.europa.eu/ (https://covid19-country-overviews.ecdc.europa.eu/)

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  6. Henrique... teve na manifestação hoje ?

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  7. Peço desculpa mas não percebi a pergunta: está-me a perguntar se eu tive na manifestação o quê?

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  8. Sim, isso mesmo. Hoje como sabe houve uma manifestação precedida de uma conferencia dos "medicos pela verdade".  O Henrique nao foi dar apoio ?

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  9. É um -teve- do verbo estar.
    Fiquei curioso, qual manifestação?

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  10. Não, não sei, mas não percebo mesmo a pergunta porque não sei o que é ter qualquer coisa numa manifestação

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  11. Têm ocorrido manifestações em Lisboa contra as medidas actuais no combate à pandemia.  Incluem médicos 
    O Henrique é uma voz constante contra essas medidas.  Fica-se pelo sofá porque ?

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  12. ah o problema era o "calão" no verbo haver.   Ja percebi. O Henrique é muito engraçado.  Quase tão engraçado como as coisas que escreve sobre dar cabra encharcada em vinho tinto às crianças numa cantina escolar.  Ainda estou a tentar digerir essa

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  13. Vejo que percebe tanto de cozinha e química como do resto: não há ponta de álcool numa chanfana, quando está pronta. 

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  14. Ora aqui está mais uma das disfarçadas falácias do sr. Henrique.  É o que dá falar por falar..... nao me diga que agora tambem é especialista em Quimica ?  Fantástico !   É a pressa Henrique... é a pressa ...  "alcoholalcoholcookingalcohol

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  15. Leu o estudo, ou retirou só a parte que lhe interessava? Viu bem a quantidade de álcool por dose numa chanfana, mesmo generalizando a partir de uma experiência feita com seis receitas?

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