segunda-feira, 27 de julho de 2020

Obrigado, Carlos da Câmara

"O fogo deve ser encarado como os gatos. Um gato não é domesticável, nós aprendemos a conviver com um gato. Com o fogo é exatamente a mesma coisa. A ideia de um Portugal sem fogo mostra uma ignorância total do assunto. Um Portugal sem fogo é o mesmo que um gato a vir-nos lamber as mãos quando chegamos a casa. Não funciona."

15 comentários:

  1. Claramente o tipo não tem gatos!

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  2. De facto, não terá, só pode ser isso (ou então até os terá; mas tendo para com os animais uma visão meramente utilitarista: meras coisas que apenas valem enquanto ajudarem na caça, guardarem rebanhos, fornecerem força, eliminarem ratos ou forem comestíveis). Mas seguramente tem, quanto a gatos (o texto ainda não o li), todas as firmes certezas da ignorância. 


    As que, desde logo, confundem domesticação com submissão incondicional. 

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  3. Não confio em alguém que não entende nada de gatos.

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  4. Comentar o que não se leu é sempre uma atitude muito útil e inteligente

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  5. Costa, enumerou uma série de "funções" que V. atribui aos animais. Curiosamente _ para quem diz que tanto gosta deles_ esqueceu-se (!) de escrever que os animais podem ser "de companhia". Por isso se chamam "domésticos", palavra que nada tem de ofensivo. Acho que há um equívoco. Explico: "domus"(latim) significa "casa". Daí, "no domicílio", "ao domicílio", "doméstico", "domesticar"... Assim os animais "domesticados"  são aqueles que vivem connosco, na nossa companhia, nas nossas  casas,"domus".

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  6.  Quando o homem vive "da" Natureza, "com" a Natureza e "para" a Natureza é "natural" que aproveite os seus recursos, não acha? Que estranho dizer "uma visão utilitarista". Depreendo que aí também inclua as colheitas das sementeiras, da madeira  de que se serve para se aquecer, das pedras que afia, da força dos animais, da força motriz das águas, do vento. Tudo "subtraído"( vulgo "roubado") à natureza.
    Tenho um amigo que se refere às pessoas como o sr. como "os urbanóides". Uma espécie que nasce e cresce como cogumelos em apartamentos de cidade e que debitam "imensa" coisa nenhuma sobre o "campo", o "clima", "os animais" e "assim".

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  7. Bem vê, eu não comentei o texto. Comentei um trecho do mesmo, aqui destacado. Uma passagem que vale por si mesma, independentemente de contextualização (donde, da leitura do restante texto; que aliás, sugerido por si, merecerá sem dúvida essa leitura). Um trecho que em minha opinião - permita-se-me a ousadia -, e nada mais, labora num erro clássico quanto à sociabilidade entre gatos e humanos. E fi-lo secundando um comentário anterior que, arrisco, ia no mesmo sentido.


    Um tema (e uma opinião) absolutamente acessório e irrelevante para a questão em apreço? Decerto. Perdoe-me então, peço-lhe, pela perda de tempo e o incómodo causado.


    Mas por favor, se possível, não questione sem mais a minha inteligência.


    Costa

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  8. Porra lá prós gatos ao domicílio e com fogo...Credo em cruz, santo nome de Jesus...!

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  9. Respondo a dois comentários apresentados em sucessão, ambos anónimos mas que parecem afinal constituir um só.


    Nada vejo de ofensivo na expressão "animais domésticos" (agradeço a breve explicação quanto ao étimo), distingo sim entre domesticação e submissão incondicional. Creia que não me esqueci dos animais de companhia. Admiti sim que o autor do texto destacado tenha dificuldades em tomar os gatos como tal. Ou pelo menos que os não considere verdadeiramente como tal. Não decerto ao nível desses outros que lambem sofregamente a mão (usando o exemplo citado), podendo, mesmo de quem reiteradamente os trata da pior forma.


    E não, nada tenho contra os cães. Apenas não confundo nem hierarquizo a relação dos humanos com uns (cães) e outros (gatos) numa ordem de verdadeira aproximação ao humano. São bem diferentes e ambas para mim encantadoras. E outros, ainda: animais de companhia podem sem os mais inesperados. 


    Esse seu amigo (não será o senhor?) chamará "urbanóide" a quem bem entender e mediante uma avaliação pelos critérios que julgar os apropriados. Não lhe posso, sem mais e em abstracto, contestar a legitimidade para o fazer. Quanto a mim, nasci na cidade e nela vivo a maior parte do meu tempo (se me permite, é uma infelicidade de que ainda não me consegui libertar). Mantenho todavia as minha ligações "à terra", à aldeia de onde provém o ramo materno - o "da província" - da família, à casa dos meus antepassados, habitada, plenamente funcional e lugar querido para mim. Assisti ao longo da infância e adolescência (e ainda assisto, se bem que menos; mas diz-se que esses anos são cruciais na nossa formação) ao labor dos campos e aos seus ciclos, pausas e trabalhos (bem antes do uso generalizado - por ali, pelo menos - de tractores e outros meios motorizados). Vi nascer, crescer e morrer não só gatos e cães, mas também o gado e a "criação". 


    Vi animais exaustos pelo trabalho. E ainda assim trabalhando. Testemunhei maus tratos, mas vi também o respeito - mesmo que nessa perspectiva utilitarista cuja invocação sem mais, apriorística e irrestritamente tanto o parece incomodar - que mereciam de quem com eles trabalhava a terra. Percebi que a carne que como e aprecio vem de seres vivos, e que houve que matar para que eu comesse. Alguns desses seres vivos olharam-me. E que para isso, para que eu coma, viveram tantas vezes em condições de absoluta barbaridade (talvez não tanto na aldeia; mais em ambientes industriais) e foram mortos de forma penosíssima. Não, não sou vegetariano (ainda não sou). E muito menos seguidor de certas seitas.


    Em suma (é lugar comum mas talvez por isso se aplique tão bem aqui): o meu conhecimento das galinhas, das vacas, dos porcos, dos coelhos, etc.; deles enquanto entes, seres vivos, "sensientes" como agora se diz, ultrapassa um pouco a embalagem no expositor refrigerado do hipermercado.


    O que, permita-se-me a presunção, e sem pretender saber trabalhar a terra e criar os animais, me libertará da condição de urbanóide, activista do que não conhece. Onde me parece que se pretenderia incluir-me. Enfim, conceda-se-me ao menos ser um pouco mais do que, "assim" (como escreve), um cogumelo (idem)...


    Mas afastamo-nos largamente do tema, facto pelo qual já apresentei pedido de desculpas ao autor do "post" e em que não quereria voltar a incorrer.


    Costa


    Ps.: conhecerão esses urbanóides o silêncio de uma noite campestre, ou os sons, a paz, da Natureza (onde - coisa politicamente incorrectíssima por estes dias - incluo o som do sino da igreja, na distância, marcando as horas)? O sr. conhece?

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  10. Notável é como os tontos aparecem que nem cogumelos na floresta após as primeiras chuvas.
    Ou são pisados, ajudando a espalhar os esporos, ou são comidos.

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  11. É bastante revelador do estado das coisas! Publica-se um artigo sério sobre fogo e vêm os amigos do PAN de Oleiros discutir gatinhos.

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  12. Constato, depois de ter tido o prazer de ler o seu belo texto, que é visível que não pertence à referida "categoria". Decididamente devo-lhe um pedido de desculpas.
    Só acrescentaria, nesse seu hino à Natureza autêntica e vivida, as noites límpidas salpicadas de estrelas, constelações... de infinito,  um tesouro que os "tais" não têm.
    Vejo que partilha da mesma visão desassombrada sobre o mundo rural: tem tanto de belo e bucólico, como de brutal e violento. Mas esse é o Todo e a Realidade de que fazemos parte.


    LR

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  13. Atendendo a que o único animal que renasce das cinzas é a fénix. Atendendo a que o único animal falado aqui é o gato. Não estamos a falar da mesma coisa. Assim sendo que tal deixarmos a bicharada e falarmos de coisas sérias?

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  14. Acalme-se, comentador sem nome. Não se trata aqui de “discutir gatinhos“, muito menos de se trata de menorizar um tema tão sério (e aqui sempre tratado de forma inquestionavelmente fundamentada: o fogo florestal). Um assunto, grave, sério, muito respeitável, levou a outro que - imagino que discorde veementemente - também o é. É tudo. E é natural, creio, num blogue que se presume local de livre, desde que educada, opinião. E creio ser o caso (do blogue e da opinião).


    Mal vai uma sociedade, uma comunidade, uma nação quando entre os seus o respeito por, e o tratamento sério, de um destes assuntos exclui necessariamente igual respeito e tratamento do outro. Mal vamos quando quem respeite as outras formas de vida que não a humana - e respeitar não significa sacralizar em absoluto (passe a redundância) - é sem mais e de imediato taxativamente conotado com forças políticas e radicalismos de que não há a menor prova que siga e professe. 


    Mas, em boa verdade, isso nada surpreende. Por alguma razão estamos onde e como estamos. 


    Costa

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  15. Caríssimo anónimo: saiba que estou nos antípodas de tal movimento.
    LR

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