segunda-feira, 22 de junho de 2020

O gosto da proibição

"As restrições não se ficam por aqui. As regras para os restaurantes mantêm-se: devem encerrar às 23h00. Os adereços alusivos ao S. João estão proibidos, quer no interior, quer no exterior dos estabelecimentos, e a música está proibida a partir das 21 horas. 


Também “as lojas de conveniência, incluindo as que se encontram instaladas nos postos de abastecimento de combustível, têm ordem para fechar às 19 horas”. O comunicado alerta que “estão proibidas as festas particulares”, o “consumo de bebidas alcoólicas na via pública” e “a venda ambulante de comida e bebidas”.


As principais artérias do concelho serão patrulhadas pela PSP, GNR e Polícia Municipal, “durante a noite e madrugada no sentido de evitar ajuntamentos”."


Note-se bem, estáo proibidos os adereços alusivos ao São João e estão proibidas as festas particulares.


Deixem-me usar um exemplo que não tem nenhuma relação directa com a epidemia, embora tenha muitos paralelismos.


Mais uma vez, uma notícia sobre "Um idoso morreu atingido pelas chamas numa queima nuns terrenos agrícolas, em Barcelos. A vítima teria entre 80 e 90 anos."


Todos os anos há vários casos destes.


Alguns existiriam sempre, mas o que dizem algumas das pessoas que mais estudam os fogos, a adopção de uma política proibicionista em relação ao fogo atira as queimadas para fora do controlo social, ou seja, em vez de serem actividades sociais, integradas socialmente e controladas socialmente, as queimadas passam a ser actividades individuais que se fazem pela calada.


E, quando correm mal, não há ninguém para dar uma mão.


A epidemia tem dado livre curso à veia proibicionista que tem o peso que tem em Portugal.


E que peso, a julgar pela tranquilidade a que se assiste quando alguém me proibe de decorar o meu restaurante ou pretende proibir uma festa feita de forma privada, em espaço privado e a que só vai quem quer.


Fecham-se praias à noite, usam-se os meios repressivos do Estado para aplicar regras não escrutinadas que violam direitos constitucionais e, mesmo assim, não se passa nada, vamos todos na carneirada.

3 comentários:

  1. Não só não se passa nada como se ouve muita gente a pedir mais. 
    E é  isso que é arrepiante... 


    Susana V.

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  2. Instalado o medo através de propaganda bem planeada, acabam-se as oposições. E a propaganda continua para que não haja desviantes.

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