sábado, 9 de maio de 2020

Geografia da mortalidade

Um bocado cansado das comparações espúrias entre países em matéria de resultados de políticas de gestão da epidemia em curso, resolvi fazer um post chato e comprido a explicar por que razão me parece, neste momento, que fazer comparações baseadas em variações geográficas da intensidade da epidemia é uma tontice.


A seu tempo saberemos, ou pelo menos teremos hipóteses sólidas, das razões pelas quais nuns sítios a epidemia foi violenta - Lombardia, Madrid, Nova York - e noutras foi ligeira, como na generalidade de Portugal. Mas neste momento não sabemos nada e toda a discussão que liga as medidas não farmacêuticas (quais medidas? Elas são tão diferentes) a estas variações é, neste momento, ociosa.


E para não haver dúvidas sobre números, vou seguir o sétimo relatório do sistema de vigilância de mortalidade italiano, que inclui dados reais até 28 de Abril, escolhendo os gráficos que me ajudam a explicar o meu ponto de vista, deixando aqui a ligação para o relatório original para quem queira aprofundar o contexto dos bonecos que vou usar.


Primeiro uma advertência: como é normal neste tipo de relatórios, quase toda a informação se refere a anomalias face à linha de mortalidade esperada, ou seja, não diz respeito a números absolutos mas a números relativos face ao esperado. Este aspecto é especialmente relevante quando os surtos ocorrem em diferentes épocas do ano porque a mortalidade esperada não é igual. No caso da actual epidemia, sendo claramente tardia (mesmo em Itália), tende a empolar a percentagem face ao esperado na medida em que o esperado em Março é mais baixo que o esperado em Janeiro, como neste gráfico de enquadramento (esqueci-me de dizer que os dados não se referem a Itália toda, mas a um conjunto de cidades).


set 1.jpg


Atenção que este gráfico é graficamente uma bela porcaria e os dados reais são umas bolinhas quase invisíveis e não, como se poderia pensar, a linha encarnada, que é a tendência do ano, que compara com a linha preta, a linha base da mortalidade (note-se como a mortalidade excessiva no Inverno de 2017/ 2018, 2018/ 2019 e Inverno de 2020 até à entrada da covid é pouco maior que a esperada, no caso de 2020 até é menor, o que significa, provavelmente, que grande parte dos que morreram agora, com a covid, tiveram a felicidade de viver mais algum tempo em consequência da amenidade das épocas gripais anteriores).


Como se pode ver, a mortalidade do período covid tem um pico mais alto que o pico de 2017 para o conjunto das cidades italianas analisadas, embora da mesma ordem de grandeza.


O que verdadeiramente me importa, no entanto, não é isto, mas sim a possibilidade de avaliar diferenças regionais dentro do mesmo país, sujeito às mesmas medidas de política. Poupem-me ao argumento de que sendo as medidas as mesmas, não são tomadas na mesma fase da epidemia, não tenciono discutir esse argumento que se limita a ser um prognóstico no fim do jogo, dando corpo a um raciocínio circular típico: as medidas funcionam em função do tempo em que são tomadas, se são tomadas em tempos diferentes dão resultados diferentes, quando se verificam resultados diferentes é porque as medidas foram tomadas em fases diferentes da epidemia.


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set 3.jpg


Quer as variações dentro das duas regiões consideradas (quem conseguir explicar a diferença nas curvas de Brescia e Veneza com base nas medidas não farmacêuticas tomadas tem direito a um prémio), quer as diferenças entre Norte, Sul e Centro, dentro do mesmo país, sujeitos às mesmas medidas de confinamento, sugerem que é provável que seja melhor procurar as explicações para estas variações noutra coisa que não nas medidas de política tomadas.


O relatório tem um conjunto de outros dados muito interessantes, como da mortalidade intra e extra hospitalar (curiosamente com pesos relativos invertidos entreo Norte e o Sul), bem como o que parece ser o efeito claro da concentração hospitalar: os dados de mortalidade das grandes cidades do Norte (Milão e Turim) parecem inflacionados pelo facto de serem os centros hospitalares onde morrem mais pessoas.


Vi um mapa de Itália que analisava a mortalidade excessiva de forma mais fina e num mapa de toda a Itália, que era muito expressivo, mas não o encontrei agora e confesso que já perdi tempo a mais com isto, mas o que o mapa mostrava era essencialmente o que este post diz.


Com tempo teremos este tipo de discussões feitas para todo o lado e talvez nessa altura consigamos perceber o que está na base destas variações geográficas. Têm sido levantadas várias hipóteses, as principais dizem respeito à poluição ou à entrada da epidemia em populações muito envelhecidas e com morbilidade pulmonar, mas não passam disso mesmo, de hipóteses ainda sem grande consistência.


Por enquanto, todas as discussões que pretendam usar variações geográficas para demonstrar êxitos ou falhanços de políticas de gestão da epidemia (a mais aguerrida é a discussão sobre os resultados da Suécia, esquecendo que a diferença entre Estocolmo e Gotemburgo é tão grande como a diferença da Suécia para os seus vizinhos, por exemplo) são discussões sem base factual nenhuma.


Adenda:


O mapa não era este, mas serve. Sugiro uma visita a este post, onde estão algumas animações que permitem ver isto melhor e , já agora, ler uma das conclusões: "Il picco di mortalità avviene di norma circa 2 settimane dopo l’inizio dell’eccesso dei decessi, in modo quasi indipendente dalla zona geografica e dall’inizio effettivo del lockdown".


set 4.jpg


 

39 comentários:

  1. E sobre o post e dados empíricos, tem alguma coisa a dizer?

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  2. Não tenho tempo para conversas de café. O que eu tenho a dizer está no artigo da PNAS que lhe enviei, em que epidemiologistas italianos trabalham exactamente os mesmos dados que o Henrique apresenta para responder à pergunta que o Henrique diz que não tem ainda resposta. A resposta que eles deram é claríssima e foi publicada numa revista reputada e com revisão por pares. Não tenho nada contra argumentos de autoridade, creio até que são cada vez mais necessários, e sugeria que o Henrique deixasse mesmo de fazer as figuras patéticas com que nos anda a entreter há mais de um mês. Ponha uma ideia simples na cabeça: não tem a técnica e conhecimentos necessários para fazer as discussões que tenta aqui alimentar. O seu último post é apenas mais um exemplo. A minha sugestão é que ganhe humildade, leia mais e escreva menos. Como referi, comece pelo artigo que lhe indiquei, pois é a versão profissional e informada daquilo que o Henrique tentou fazer neste post. Se quer realmente perceber a realidade, é o que deve fazer. Se quer tentar ganhar a discussão a todo o custo para restaurar o ego, continue a fazer o que tem feito, mas só está a adiar a queda e vai doer ainda mais. Não tenho mais nada a acrescentar. Veja se descansa no fim-de-semana.  

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  3. Eu sei que percebe o ridículo de pretender responder a dados até 28 de Abril com simulações feitas com dados anteriores a 26 de Março nesta matéria.

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  4. Ridículo? Ridículo e até preocupante é pretender que uma conclusão extraída com dados até 25 de Março deixe de se aplicar quando os dados vão até 28 de Abril. Por outras palavras, está a concluir que entre 26 de Março e 28 de Abril o efeito do confinamento foi extremamente negativo, isto é, anulou um brutal efeito positivo que os autores do artigo da PNAS documentam. Isto corresponde a um grau de negacionismo superior, porque até agora a sua titubeante tese era a de que o confinamento não tinha nenhum efeito... ou talvez tivesse, mas pouco... ou talvez não tivesse... e em todo o caso na China aconteceu algo mágico... ou não podemos saber. A sua nova e extraordinária tese é a da que a ida das pessoas para casa aumentou a propagação da doença e tem por base não se percebe bem o quê além de achismo e citações de um relatório com pouca sofisticação analítica e provavelmente nenhuma revisão por pares. Já percebi que só gosta dos modelos que confirmam as suas intuições, mas sugiro que faça alguma "contenção de danos" porque a conversa começa a ser surreal. 

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  5. na semana 19 o vírus já está a fazer as malas.


    https://www.abc.es/sociedad/abci-coronavirus-ahora-aparece-menos-grave-afirma-cientifico-italiano-202005091416_noticia.html

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  6. Para o caso de não abrirem a noticia , fica aqui o bocadinho à moda  André Dias :



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  7. O ridículo é pretender que uma simulação é o mesmo que ter dados empíricos.
    É por não ver isso que não consegue ver que o artigo em causa não faz nenhuma avaliação consistente das variações geográficas (por exemplo, não responde às diferenças verificadas em Brescia e Veneza).
    Não, estou a concluir nada disso, estou a dizer que uma simulação é uma simulação, dados verificados, são dados verificados.

    Se reparar, nem sequer fiz nenhuma avaliação dos efeitos do confinamento, limitei-me a dizer que se com as mesmas regras de confinamento os dados observados divergem substancialmente, então as explicações para as diferenças devem ser procuradas noutro lado.
    De maneira que volto a perguntar: e sobre o post e valores observados, tem alguma coisa a dizer?

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  8. a diferença entre Estocolmo e Gotemburgo é tão grande como a diferença da Suécia para os seus vizinhos, por exemplo

    Pode o Henrique dar-nos dados (por exemplo, um mapa da Suécia similar ao mapa da Itália que apresentou) que sustentem esta sua afirmação?

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  9. Não. O ridículo é o Henrique não se aperceber sequer da iliteracia científica do comentário: "é pretender que uma simulação é o mesmo que ter dados empíricos". O artigo da PNAS analisa dados empíricos! A modelização é para explicar esses dados. Está tudo bem Henrique? Pela sua descrição, dir-se-ia que o artigo foi uma previsão escrita antes do período analisado. Na verdade, é posterior ao período analisado, pelo que esse seu comentário entra directamente na grossa antologia das tolices de HPS. 


    "Se reparar", as suas conclusões quanto ao efeito do confinamento na Itália DIVERGEM TOTALMENTE da conclusão do artigo que lhe enviei, que vai ao ponto de quantificar com intervalo de confiança o brutal efeito positivo do confinamento. Acredito mais num artigo da PNAS escrito por cientistas italianos sobre o que aconteceu na Itália do que num post num blog português de variedades escrito por um amador fascinado pelo pensamento "contrarian que previu o fim da pandemia nos EUA para 21 de Abril. Trata-se de uma simples estratégia de gestão de tempo.

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  10. Ou seja, sobre o post e sobre os factos relatados no post, não tem comentários a fazer.
    Não está sozinho, o que não falta é quem jamais permitirá que os factos influenciem as suas opiniões.

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  11. É uma informação facilmente acessível, mas podes ver aqui, por exemplo
    http://lacey.se/c19/

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  12. A minha leitura é diferente. O HPS escreve que


    '

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  13. Falar sobre a Itália sem discutir Veneto desqualifica qualquer análise, Henrique.
    Ignorou durante semanas as minhas perguntas e agora queixa-se insistentemente de que não dou atenção aos seus achados. Deve ser filho único. Mas faço-lhe a vontade. Qual é a sua conclusão, afinal? Que "todas as discussões que pretendam usar variações geográficas para demonstrar êxitos ou falhanços de políticas de gestão da epidemia" são precipitadas. Se houver outra conclusão na sua análise, faça o favor de a frisar. Quanto a esta conclusão, apresentei-lhe um estudo sobre a região em que se concentrou que quantifica o efeito do confinamento social e chega a uma conclusão clara que contraria a sua moratória. Perante estes dados, a sua resposta foi dizer que o período era diferente. Quando lhe fiz ver que essa defesa o obriga a defender cenários muito pouco verosímeis, a sua resposta apenas demonstra que não leu ou não percebeu o artigo. Ainda assim insiste para que eu comente não sei bem o quê. Se quiser formular a sua tese em termos que possam ser discutidos, força nisso. Apenas aproveito para lembrar, uma vez mais, que existem já carradas de estudos de gente que será situacionista e estará corrompida pelo sistema, ao contrário do Henrique, do André Dias e de outros teóricos das redes sociais, que se desdobram em comentários na desbunda que é surfar a onda "contrarian" mas ainda não fizeram nenhuma análise séria, nem a submeteram a um processo de escrutínio rigoroso. Quando fizer um estudo sério ou descobrir algum, avise, porque o seu post é converseta de café. Entretanto, encaixe mais três estudos sobre a Itália:
    Este é um artigo curioso, pois foi elaborado pela mesma equipa que escreveu o artigo da PNAS e analisa dados vão até 24/4. O impacto positivo do confinamento nunca é questionado:
    https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.30.20083568v1.full.pdf
    Este outro só vai até 5/4, mas:
    "Hence, the current adopted lockdown measures are vital to contain the epidemic and cannot be relieved. Rather, they should be even more restrictive. The enforced lockdown could be mitigated in the presence of widespread testing and contact tracing, which would strongly contribute to a rapid resolution of the epidemic".
    https://www.nature.com/articles/s41591-020-0883-7

     Há ainda este:
    "Model simulations indicate that the mild restrictions imposed in Italy during the first two weeks of the outbreak have had negligible effects on the disease dynamics, but later more drastic measures have managed to reduce the basic reproduction number R0 below 1. "

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  14. Modelações, modelações e modelações, lá explicar as diferenças entre Brescia e Veneza é que está quieto.

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  15. Sem discutir se isto explica ou não o que se passou no veneto, há uma coisa evidente: nada disto tem qualquer relação com o confinamento geral de pessoas saudáveis

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  16. É interessante este diálogo em torno das políticas de confinamento com resultados tão diferentes como os citados de Brescia e do Veneto. Gosto da divergência e aprecio o debate, mesmo quando as posições se extremam, de forma educada entre pessoas que manifestam a sua liberdade de pensamento e tentam fundamentá-la.
    A minha contribuição para o debate prende-se com a evocação da teoria das catástrofes. Pode ser que, como em tantos casos, a diferença entre uma situação normal e a catástrofe seja tão só a conjugação de causas, em que nenhuma por si explica, mas em conjunto poderiam explicar. Normalmente há, depois, a ter de considerar um factor atractor/desencadeador que pode ter sido a  da precipitação das pessoas para os hospitais de referência e que terá  provocado o "efeito borboleta". Lembro que no período da Gripe A, no mesmo período em que no RU 200 mil pessoas acorreram aos hospitais, em Portugal cerca de um milhão de pessoas foi às urgências. A infecção seria, pois, de natureza nosocomial tendo sido, ainda, potenciada por um factor exógeno como o jogo Atalanta/Valência, com repercussões maiores na zona de maior concentração de adeptos? Hipóteses! Mas poderia haver aqui um embrião de resposta. Acerca da política de confinamento ela não é senão uma armadilha, como se irá vendo, pois a questão da 2ª vaga de que se fala, ela nunca aconteceu em epidemias virais, e a da gripe espanhola não é senão um erro de interpretação. As infecções da tal 2ª vaga foram de origem bacteriana e não viral, a qual seria hoje tratada com os antibióticos, e nessa altura inexistentes. É uma questão de se lerem os estudos disponíveis. Retomo a questão de que vale a pena debater ideias e fazer avançar o conhecimento acerca deste período de catástrofe económica, na medida em que a política que nos trouxe aqui, não vai acabar e virão novas vagas de crises psicológicas, financeiras e outras, e nessa altura veremos que quem quis ganhar com as perdas de todos nós foi a aliança da ciência oficial e dos monopólios farmacêuticos, que já hoje dominam e irão continuar a impedir o pensamento divergente. Não tenham dúvidas!
    Albino Lopes.

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  17. Li o paper, pode guardar essa acusação. Os seus reparos são irrelevantes. Aliás, estão todos contidos na conclusão a que os autores chegam e eu citei. Se quer ajudar o Henrique, tem de provar que a estimativa a que eles chegam com aquele intervalo de confiança tão apertado é descabida. Por outras palavras, tem de fazer contas, replicar o modelo, descobrir bugs, etc. Ir catar as ressalvas e cautelas que os autores incluem no artigo só demonstra que não deve estar habituado a ler este tipo de literatura e não percebeu o que eu escrevi (ou então eu não fui capaz de me explicar, claro). Mas o esforço foi notável, dou-lhe os meus parabéns. De caminho, leia os outros três que acrescentei (esses confesso que não li, fiquei-me pelo resumo). O objectivo não era discutir a literatura mas provar que existem já vários trabalhos que invalidam a moratória do Henrique. Já se concluiu que o confinamento social abrandou a epidemia na Itália, a única discussão é sobre a quantificação desse efeito. O que o Henrique faz é refugiar-se na complexidade do problema (é evidente que as variações de região para região não se explicam exclusivamente pelas diferenças nas medidas aplicadas e ninguém o afirma) para evitar retractar-se.  

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  18. Aprenda o que é um modelo e deixe de escrever asneiras.  Respondi ao seu desafio. Explique-me agora a China e Veneto. E ponha outra coisa na cabeça: basta encontrar um exemplo claro de que o confinamento funcionou para demonstrar a minha tese. Demonstrar a sua tese, isto é, que algo não funcionou ou não aconteceu, é muito mais difícil. Se não entende este princípio elementar da epistemologia, não entende nada. Nisso, isto é, na demonstração de que não entende nada de nada, tem sido de uma coerência notável. Demonstre que o confinamento não funcionou em Veneto. E depois fale da sua alucinada explicação sobre a China. Por que motivo foge a esta pergunta? Ganhou entretanto juízo ou ganhou vergonha?

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  19. "
    Resumindo, sendo esta a única coisa que o post diz, posso finalmente concluir que afinal está de acordo com o post.
    Era a ideia que eu tinha a partir da sua insistência em estar sempre a ir buscar coisas que não têm qualquer relação com o post.

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  20. Deixe-me ver se eu entendo.
    Eu faço um post a dizer que quaisquer comparações geográficas, neste momento, são espúrias e a sua crítica é a de que eu não consigo explicar as diferenças regionais?

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  21. Ah, voltamos à distinção entre confinamento e medidas .  lembra-se dessa. Em que ficamos: a sua tese é a de que não  tirar conclusões sobre o confinamento ou que não  tirar conclusões sobre qualquer medida ?  se for a primeira, fica com o problema de explicar a passagem do seu texto que originou esta discussão: "demonstrar êxitos ou falhanços de políticas de gestão da epidemia". A sua manha é mesmo descomunal mas a sua memória parece ser muito curta.

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  22. Para se saber quem é aqui o manhoso basta notar que trunca citações com a maior das facilidades.
    O que cita não é o que devia ter citado: "

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  23. Muito interessante. Pode explicar-me o que muda com a inclusão de "usar variações geográficas", sendo certo que as medidas não-farmacológicas diferentes do confinamento das pessoas saudáveis também terão tido variações geográficas? Deixe de levantar poeira. O essencial na citação é mesmo a parte que seleccionei, a saber, "políticas de gestão da epidemia", que obviamente incluem todo o tipo de medidas não-farmacológicas. Se a meio da discussão, porque pensa que lhe dá jeito, julga que está a discutir com um desmemoriado e não consegue encaixar Veneto, faz equivaler essas políticas ao confinamento da pessoas saudáveis (um claro abuso) e tem ainda a ousadia de me acusar de aldrabice, a aldrabice é toda sua e nem sequer percebo que tenha a lata de ir por aí, enterrando-se ainda mais. Vou repetir, mesmo sabendo que agora vai amuar outra vez: esta sua resposta prova que, quando se sente encostado às cordas, é mesmo um pequeno aldrabão e tenta jogadas que não serão para me convencer a mim mas iludir a eventual pessoa com muito tempo livre que ainda acompanhe esta discussão. A que outra conclusão pretendia que eu chegasse? Tem noção do que fez? Vá, reproduza agora o número da honra ferida. Até lhe dá um jeito porque assim fica com uma bela desculpa para não abordar as suas extraordinárias reflexões sobre a China. Repito: em décadas de internet e acima de um certo limiar de inteligência e formação, nunca encontrei ninguém tão pouco leal a discutir.  

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  24. Pode até ser Nobel da Medicina ou bisneto do Robert Koch, é irrelevante. Limito-me a reagir ao que me respondem, não ando a avaliar currículos ou genealogias. 


    Saberá certamente que qualquer artigo, com a excepção das demonstrações matemáticas, nunca é uma resposta definitiva. Quanto à sua conclusão, terá de explicar melhor por que motivo os autores não podem quantificar o efeito das medidas, pois pareceu-me que está a tratá-los - e aos revisores do artigo - como imbecis. Talvez esteja com o mesmo problema do Henrique, que ainda não percebeu que os modelos muitas vezes (como é o caso) são calibrados pelos dados empíricos. Mas adiante, porque não me parece ser o essencial. O que rebati foi a conclusão de HPS de que mais valia adiarmos conclusões sobre as consequências das medidas não-farmacológicas só porque ele não entende um determinado padrão geográfico e nenhum dos amadores que aqui escrevem (eu também sou um amador, não se irrite) consegue explicar esse padrão. Essa conclusão é evidentemente uma forma que HPS encontrou de adiar o reconhecimento de que as medidas de intervenção não-farmacológica funcionam, algo que ninguém na academia discute (tirando umas figuras excêntricas deslumbradas pelo protagonismo dado aos heterodoxos nestas alturas, que não escrevem artigos sérios, preferindo a ribalta das entrevistas). A evidência passada e presente sobre o impacto das intervenções não farmacológicas é tão esmagadora que não percebo como pode alguém ainda dizer que talvez estejamos a assistir à evolução natural da pandemia.  Chegou a ler a prosa alucinada de HPS sobre o que se passou na China? Pareceu-lhe normal? Veja se consegue que ele desenvolva a sua enigmática tese sobre o desaparecimento natural do vírus da China, um fenómeno que terá sido totalmente independente de medidas não-farmacológicas de uma intensidade sem precedentes. Se tal ideia não lhe parecer uma total maluquice, creio que não partilhamos o necessário para manter uma discussão. Retomando: a discussão que existe é sobre a quantificação do efeito dessas medidas e quais as mais eficazes e recomendáveis. 


    É evidente que os autores assumem coisas. Também assumimos, por exemplo, que o ADN é uma hélice de cadeia dupla. Não há razão para abdicar desse ponto de partida. Da mesma forma, assumimos que quando as pessoas se fecham em casa o vírus deixa de se espalhar na rua e que quando usamos testes de diagnóstico para identificar infectados e depois essas pessoas ficam em quarentena a epidemia desacelera. Para HPS, estes efeitos são tão extraordinários que devemos manter qualquer conclusão em suspenso. Até quando? Não sabemos, mas eu diria que é até nos esquecermos todos desta conversa e o HPS puder voltar a pontificar sem reconhecer os seus erros (já sabemos que lhe custa muito). 


    O que pretendi ao apresentar 4 artigos sobre os padrões que HPS diz serem inexplicáveis foi mostrar como a discussão decorre na academia. É só nesta caverna medieval que o HPS criou, e noutros lugares animados pela pulsão libertária e a embriaguez "contrarian", que a complexidade de fenómenos multifactoriais é usada como areia para os olhos ou manto de camuflagem. Como que propósito? Com o exclusivo objectivo de proteger o HPS de feridas narcísicas inadiáveis. 

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  25. HPS,
    Farto fiquei com os comentários de bosta (palavra consagrada por um Maome Ba, AsPoNe do BE).
    Quando se matar o bicho, acaba a peçonha.
    Chiça!
    ao

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  26. eu também , gabo a paciência do HPS , não é  nada fácil aturar um ciclotímico na fase da mania. bolas , que o tipo é chato e alucinado. 

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  27. Não é a única coisa, nem sequer a mais relevante, mas se quiser tratar-me como um imbecil eu entro no jogo para não arrastar mais esta interacção inútil.Eremita

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  28. Na verdade, a prosa de HPS é tão deprimente que curaria qualquer fase maníaca. Apure o insulto, por favor. Creio que pode fazer muito melhor.

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  29. não foi um insulto , foi um diagnóstico. sou psiquiatra.

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  30. As pessoas aqui têm uma necessidade irreprimível de dizer o que são. Para diagnosticar tanta insegurança não é preciso nenhum diploma. Enfim, se realmente é psiquiatra (o que duvido), além de pateta é irresponsável. 

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  31. vá , está na hora da terapia :

    pegue numa caneta e num papel
    releia os seus comentários
    anote todos os pejorativos  ( pode incluir frases inteiras, se o sentido for negativo)
    que atribui a pessoas e comentários.
    conte
    faça estatísticas
    aplique o/os modelo/os que achar conveniente
    e

    verifique se não está na hora de marcar consulta.

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  32. Não preciso de reler nada. Disse que o HPS é um pavão ignorante e qualquer análise objectiva só me dará razão (pode rir ou abrir o DSM V para ver se inventa um diagnóstico mais criativo). É também um pequeno aldrabão por não resistir a acusar os outros de aldrabices que não consegue provar, nomeadamente quando se sente encostado às cordas. Está tudo escrito, inclusive nos comentários a este post. Leia a acusação de HPS sobre a minha "citação truncada" uns comentários acima e tire as suas conclusões (não as partilhe comigo, seria irrelevante).  Sobre HPS, após semanas de picardias, não encontrará mais nenhum comentário depreciativo/insulto meu. Um pavão ignorante muito manhoso a discutir. Mais nada. 


    Quanto às minhas respostas aos vários machos beta que não estão minimamente interessados em discutir a COVID-19 mas acharam importante dizer-me coisas desagradáveis, como foi o seu caso, não descobrirá nenhuma subida de tom. 


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  33. não tenho paciência para ler o comentário , mas pelas primeiras linhas  dá para perceber que está a projectar. isso mesmo mau , pá , ainda vai parar a Carnaxide.

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  34. Outro blasé que investe na pequena aldrabice quando provocado. Aposto que não é psiquiatra e que leu o comentário inteirinho, mas reconheço que está no blog certo para escrever coisas inverosímeis. E sobre a epidemia, tem alguma contribuição a fazer ou a sua vocação é mesmo para troll de internet cobardolas? Nota-se que se tem em boa conta e ainda bem, sou pela maximização da felicidade na sociedade, ainda que à custa de ilusões, mas como as suas provocações são básicas e previsíveis isto só assim fica muito chato.

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  35. A paciência que você tem... É quase espírito de missão ou promessa. Um abraço. Como vê, não consegue ter resposta às suas questões. Entretanto o ritmo não cessa. Todos os dias uma teoria nova. 

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O provincianismo que nos tolhe

Garantem-me que Portugal é um país com quase nove séculos de História, mas quem olhar para a forma como comunicamos os nossos símbolos diria...