terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

"Nasci para estar ali"

Talvez sendo a Joacine eu possa dizer isto sem me lapidarem.


Sim, eu sei, a formulação é infeliz, presta-se a boas piadas mas, caramba, toda a gente percebeu o que a Joacine estava a dizer, e não estava a dizer nada de especial (tal como toda a gente percebeu a piada infeliz da devolução do que veio de África, tal como toda a gente percebeu o "não podemos ser piegas", ou o "aguenta, aguenta" ou dezenas de outras coisas ditas ligeiramente, ou não tão ligeiramente, "fora do tom, sem melodia" como dizia o Caetano Veloso quando o pública vaiava o seu "proibido proibir").


Em relação a afirmações deste tipo não podemos simplesmente fazer uma piadas e seguir em frente, em vez de nos indignarmos?


Razão teve o Bernardo Silva em queixar-se de que hoje em dia já nem se pode brincar com um amigo.


E eu acrescento que toda a gente diz asneiras, umas vezes mais conscientemente, outra vezes menos conscientemente, e esta mania de lutar por uma linguagem asséptica, neutra, sem imperfeições é uma coisa bastante estúpida, e só não digo que é perigosa e chata porque, felizmente, as pessoas continuarão, por necessidade ou descuido, a dizer coisas erradas ou coisas certas da forma errada, independentemente das várias facções das polícias de costumes.


Estou absolutamente farto deste policiamento permanente da linguagem, como se fosse a linguagem que moldasse o mundo, e não fosse a linguagem uma mera expressão da vida.


Aos que esperam que "o tédio de um mundo feliz nos persiga", eu sugiro que esperem sentados.


E, no entretanto, deixem toda a gente dizer coisas imperfeitas ou de forma imperfeita, que isto fica muito mais divertido assim.

3 comentários:

  1. Assino por baixo
    António Cabral

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  2. Só quem é mentecapto = estúpido afirma tal bestialidade.

    ao

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  3. Que o jóvem solista J. Cid tenha nascido para a música pouca gente duvidará.

    O caso da jóvem Katar é outro. Na orquestra de S. Bento "chega" de fífias, de solistas ou pseudo-solistas.

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