domingo, 12 de janeiro de 2020

Em veículos eléctricos, Senhor Primeiro Ministro?

Parece que ontem o Senhor Primeiro Ministro anunciou, no contexto do lançamento de Lisboa capital verde da Europa 2020 (não fui verificar o nome certo, mas a ideia é esta e, de qualquer maneira, qualquer nome que eu escolha não deve ser pior que os cartazes e o logo que escolheram), que neste ano e no próximo os senhores ministros, nas suas deslocações urbanas, o farão em veículos eléctricos.


"“É a prenda simbólica que o Governo gostaria de dar à cidade de Lisboa ao longo deste ano, mas também para servir de exemplo para todos os outros”, salientou."


Na verdade estou a deturpar voluntariamente as declarações (onde está veículos, o Senhor Primeiro Ministro disse viaturas) para poder dar publicidade ao judicioso comentário de João Pires Cruz: mas isso (acrescento eu, isso é a prenda que o Rei Sol, na sua magnanimidade, oferece à cidade de Lisboa) é o que fazem todos os dias milhares de pessoas em Lisboa, deslocam-se num veículo eléctrico que se chama Metro.


Há já bastantes anos, propuz, sem qualquer êxito (como de costume) ao Governo que adoptasse uma política simples de mitigação climática, que não exigia mais nada que uma decisão própria: todos os membros do Governo (no sentido alargado que inclui os membros dos gabinetes) assumiam o compromisso de 10% das suas deslocações serem em transportes públicos (incluindo bicicletas, na altura não havia trotinetes, que se podem também incluir agora, ou mesmo motas), excluindo desta contabilidade os aviões.


Senhor Primeiro Ministro (e, já agora, senhores jornalistas presentes que não fazem perguntas e senhores ambientalistas presentes que não fazem comentários), isso de pôr os seus ministros a andar de carro eléctrico é para meninos (na verdade, em qualquer caso, quem tem de resolver os problemas dos carros são os motoristas e quem paga é o desgraçado do trabalhador têxtil do Ave que tem mesmo de ir de mota para o emprego, por falta de alternativa, e sustena, na bomba de gasolina, o Fundo Ambiental que paga os carros eléctricos do Governo), deixe-se de mariquices e ponha toda a gente a andar de transportes públicos (ou a pé, grande parte das deslocações do seu Governo em Lisboa estão perfeitamente ao alcance de qualquer pessoa que decida andar a pé).


Menos que isso é simples treta.


Se quer dar o exemplo, dê exemplos que possam servir as pessoas comuns, ou acha que alguém vai passar a andar de carro eléctrico porque vislumbrou um ministro a passar de carro eléctrico quando esperava o sinal na passadeira que ia atravessar para chegar à paragem do autocarro?

2 comentários:


  1. Há por ali gentinha a cantar, muito feliz, na sua torre de marfim e nem sequer perceberam quão ridículo aquilo soa cá fora.

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  2. em transportes públicos (incluindo bicicletas, na altura não havia trotinetes, que se podem também incluir agora, ou mesmo motas)

    Discordo da inclusão das bicicletas. As bicicletas são, evidentemente, transporte privado, e não público. A bicicleta é usada por uma e uma só pessoa.

    Uma bicileta elétrica é, tal e qual como um carro elétrico, um veículo individual movido a eletricidade.

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