A manhã despertou com uma luz cinza, desolada, profana: nem ouvi o sino tocar na igreja aqui ao lado. Vejo a praceta deserta da minha janela, onde junto aos caixotes do lixo esvoaçam uns farrapos de papel de embrulho colorido e rolam garrafas vazias, despojos da véspera. No parque em frente uma solitária criança aplica-se afoita no baloiço, num vai e vem estonteante e sincopado, insistente. Desconfio que ela preserva os seus olhos onde ainda brilha o milagre do Natal que foi ontem. Nas crianças é que depositamos a nossa esperança, não é verdade?
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Garrafas vazias é um dos lixos hoje em dia mais ubíquos na cidade de Lisboa. Eu passo a vida a encontrá-las ao andar pela cidade.
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