quinta-feira, 19 de março de 2015

O regime a chafurdar da lama

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O barulho causado por este “caso” das listas VIP confunde e desvia a atenção daquilo que deveria ser a preocupação primeira das pessoas: como se promover a protecção eficaz do sigilo fiscal, defender os cidadãos do simples voyeurismo do funcionário das finanças e no limite à sua utilização como arma de arremesso ou exibição pública na comunicação social. Parece-me muito pertinente que a Autoridade Aduaneira estude e ensaie estratégias profilácticas para esta perversão. Parece-me também bastante óbvio que há um conjunto de cidadãos que, pelo seu protagonismo social e político se encontram mais expostos a abusos e ataques, aspecto que em nome da eficácia legitima que se trate de forma diferente aquilo que é diferente – é evidentemente pouco provável que algum funcionário das finanças perca tempo a bisbilhotar ilicitamente a declaração de IRS do Manuel dos Anzóis vice-presidente do Grupo Recreativo e Cultural de Alguidares de Baixo. Pelo que venho lendo aqui e ali (seria interessante a comunicação social fazer uma pesquiza do que é a metodologia utilizada nos outros países) estas listas são prática comum onde impera a norma do sigilo fiscal para defesa da confidencialidade dos dados de cidadãos mais expostos à ira sectária de alguns ou sentimentos baixos da turba.


Custa por isso a entender como o governo, e principalmente o CDS cujo grupo parlamentar se reduziu a um silêncio ensurdecedor, se deixou tiranizar pelo igualitarismo politicamente correcto - proteger toda a gente é o mesmo que não proteger ninguém, como é fácil entender: por exemplo, não se preparam contingentes especiais de polícia onde o perigo de tumulto seja mais evidente, ou de vigilância numa exposição de preciosidades artísticas? Também me parece certo que António Costa ao cavalgar este caso, se no imediato ganha com a confusão - a mensagem que passa é de que o governo quer proteger os poderosos de serem fiscalizados -  a prazo compromete e enterra com mais lama o regime de que depende a sua carreira.  

5 comentários:

  1. Na lama ou na merda?...

    Peço desculpa pelo calão, mas o regime já tresanda tanto a excremento que dali já ninguém minimamente inteligente pode esperar seja o que for.

    Agora é só esperar que se vá sempre decompondo até implodir, algo praticamente inevitável, dado que a maminha da UE que durante décadas alimentou a subsídiodependência do regime, parece ter secado de vez...

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  2. A inteligência na vacuidade é tanta que até parece que alguém quer esvaziar os cofres do estado e dar a alguém:
    http://www.noticiasaominuto.com/politica/363284/portugueses-infelizmente-estao-com-bolsos-vazios (http://www.noticiasaominuto.com/politica/363284/portugueses-infelizmente-estao-com-bolsos-vazios)

    Já na Grécia é muito diferente: "Dirigente do Syriza diz que Governo de Portugal está contra o povo português"

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  3. A lista VIP existe, porque existem e sempre existiram uns parasitas que nunca pagaram impostos e andam de prescrição em prescrição há várias gerações. Agora ficaram com medo que os nomes aparececem nos jornais e toca a ameaçar funcionários e a levantar processos. O passos não é único. e era bom sabermos todos quem foge ao fisco e com que valores, visto a economia paralela ser enorme.

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  4. Parece-me uma boa estratégia do boyzismo colhista. Perante a força dos factos da existência ilegal de um pacote VIP a direita que viu o seu PM negar o agora inegável na Assembleia da República passa a argumentar que faz sentido que exista essa Lista e que portanto se não existira deveria existir. No Observador Hegel Matos já apresenta essa mesma tese. Saiu a ordem da São Caetano para a boyzada ecoar na blogosfera e nas colunas de opinião. Vá toca a bulir.

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  5. Deus criador, livrai-nos dos fariseus e dos que invocam o teu nome em vão; diria eu, se acreditasse nessa mistela que só deforma a alma.


    razão tinham os pagãos de Roma em pensarem que aquela gente das catacumbas era suspeita de laxismo moral. messalina dava uma excelente conselheira nacional nas bandas da rua da madalena.

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