quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O que nasce torto...

Em conversa há alguns dias alguém me dizia que a catalogação Esquerda e Direita no espectro da política já não fazia sentido. No meu entender ela mais do que nunca é necessária, assim haja espaço para a pluralidade de perespectivas e que eu saiba os conservadores ainda se sentam no lado direito da bancada parlamentar. O que melhor define a Direita no meu entender, não é tanto a questão da economia mais ou menos liberal, é antes a convicção de que é com uma atitude conservadora que se alcança o verdadeiro progresso. Porque são os indivíduos livres, na sua imensa complexidade e contradições, com os seus desejos, frustrações e atitudes que, de forma orgânica, operam na realidade social e económica. Ao contrário, a esquerda tende a desculpabilizar as pessoas,  imputando as responsabilidades pelo status quo ao "sistema", uma entidade abstrata, convenientemente diabolizada. De nada serviu matar o rei, a realidade impôs-se e as coisas só pioraram. 


É nesse sentido que a Direita deve desconfiar do construtivismo social, a pretensão da mudança de hábitos e  costumes por decreto de uns quantos "iluminados". Porque não se legisla o amor, a honestidade nem o empreendedorismo - factores decisivos para um Mundo melhor.  Os decretos políticos são sempre soluções ortopédicas que no imediato pouco interferem com a realidade, e está comprovado que o estoicismo é atributo que hoje em dia não se vende bem - ninguém mais quer vestir a pele do casto e magnânimo Cavaleiro Branco.
Depois, não se promulga o desenvolvimento de uma Nação, este depende das escolhas e atitudes das pessoas que a constituem, com a sua história ou falta dela. Curioso como na sua origem etimológica, a palavra “revolução” (revolutĭo, - ōnis) nada tem a ver com "progresso" antes significa "rotação" o retorno para o ponto de partida. Por exemplo, não se pode andar duzentos anos a promover o Individualismo e o Hedonismo, enquanto ao mesmo tempo se combate a Religião e a Aristocracia, e virem depois (agora) os poderes políticos aflitos exigir resultados rápidos de um decreto contra a crise da natalidade. Tal como não é possível imobilizar a marcha de um longo e pesado comboio em cinquenta metros, vai demorar muito tempo a travar a decadência do Ocidente democrático.  

7 comentários:

  1. Nem mais! Perfeitamente de acordo. As lérias que a esquerda defende e apregoa, não passam disso mesmo - lérias!
    A 'esquerda', gastadora e sem vergonha, rebenta com as finanças públicas, deixa os países onde alcança o poder, nas 'lonas', e, depois, claro está, venha então a direita para, com sacrifícios e reformas públicas, repor 'a coisa' no sítio.

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  2. João

    Eu não sei se o Távora é de esquerda ou direita, se a prosa acima é de direita ou de esquerda o que eu sei é que em vários momentos de leitura fiquei a pensar na inteligência e capacidade de diagnóstico que o seu pensamento contém.

    abraço

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  3. Durante décadas fizeram tudo para destruir a família e promoveram o aborto. Agora estão muito admirados porque deixaram de nascer crianças.

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  4. Errado é pensarmos que vivemos numa democracia multipartidária. Na realidade, desde 25/4 que não temos tido mais do que um regime de socialismo multipartidário.

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  5. A sério? acham mesmo que a falta de natalidade é porque as mulheres andam aí a abortar que nem loucas?... Essa balela da esquerda gastar o dinheiro todo e a direita é que endireita as contas... por favor. A esquerda não tem culpa da crise mundial, provocada pelo sector da finança.... que tanto gosta da direita! Quanto ao individualismo... fala-se de qual - do individualismo da esquerda, que promove o desenvolvimento do indivíduo, mas em permanente relação com o colectivo? Ou o individualismo da direita, que promove a procupação do indivíduo com o seu próprio bem estar, às expensas do colectivo?... 

    Concordo que se deva esclarecer bem e definir bem o que é esquerda e o que é direita, mas mais importante, é esclarecer quem é mesmo de esquerda e quem é mesmo de direita... é que há muita gente perdida aqui no meio, sem saber bem aquilo que defende, e muito deles aterraram num partido qualquer. Outros não estão perdidos... enfiaram-se mesmo onde conseguiram, para vomitar a sua agenda podre.

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  6. Havia de explicar isso da "realidade social e económica" à minha amiga Sofia a quem o seu patrão, um conservador distinto e monárquico encartado, decidiu não renovar o seu contrato de trabalho porque ela decidiu que era tempo de abraçar a maternidade...

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  7. Não sei se é o caso, mas há gente ruim de toda a espécie, caro anónimo. 

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