terça-feira, 28 de junho de 2011

O embate da cruel realidade


A quimera do dinheiro fácil, patrocinado por uma magnânima federação europeia ou pela promessa dum futuro oásis económico erigido pelos nossos intrépidos netos ou bisnetos desfez-se  em meia legislatura. Veja-se como nuestros hermanos agora decidiram suprimir três ligações de alta velocidade, que que desde Dezembro último ligavam diretamente Toledo, Cuenca e Albacete, por simples falta de procura.
Este como outros iminentes reajustamentos de projetos faraónicos ou falências de Estados, assim como a subsequente depressão do Dr. Mário Soares e dalguns cândidos sobreviventes do Maio de 68, não se devem às fracas lideranças europeias e muito menos a um malévolo complot da senhora Merkel. Devem-se simplesmente ao inconciliável mosaico de distintas nacionalidades europeias, e a simples questões de básica aritmética. Não entender a diferença entre solidárias federações de Estados como os da América ou da Alemanha, com a utopia dum projeto federal duma Europa, composta por irredutíveis e idiossincráticas nações com séculos de História, se não for ingenuidade é estupidez.


 


Da caixa de comentários:


 


O Mário Soares vê sempre as coisas como um combate esquerda-direita. Para ele o problema da Europa é que só dois governos são de esquerda. Por sinal qual deles o pior, mas enfim. O problema da Europa e da má vontade do Norte contra o Sul é que o Norte hoje também não é tão rico como nos tempos dos "grandes" líderes que Soares tanto gosta. Não sabemos o que Kohl ou Mitterand fariam hoje e se seriam melhores governantes que Merkel e Sarkozy. De uma coisa tenho a certeza. É que era certamente mais "fácil" governar a Alemanha e a França nos anos 80, antes de o mundo ser multipolar, como de resto muita esquerda ansiava. Só que a multipolaridade que existe não é a multipolaridade que os federalistas europeus queriam, porque não é a UE a potência desafiante dos EUA, mas sim a China. Não é a Europa o continente com o maior crescimento económico do mundo, mas sim a Ásia. Esta multipolaridade não permite à Europa Ocidental sequer ter a relevância estratégica e o poder que detinha quando o mundo era bipolar. Costuma dizer-se que é preciso ter cuidado com o que se deseja...


Ass. Lionheart



 

2 comentários:

  1. O Mário Soares vê sempre as coisas como um combate esquerda-direita. Para ele o problema da Europa é que só dois governos são de esquerda. Por sinal qual deles o pior, mas enfim. O problema da Europa e da má vontade do Norte contra o Sul é que o Norte hoje também não é tão rico como nos tempos dos "grandes" líderes que Soares tanto gosta. Não sabemos o que Kohl ou Mitterand fariam hoje e se seriam melhores governantes que Merkel e Sarkozy. De uma coisa tenho a certeza. É que era certamente mais "fácil" governar a Alemanha e a França nos anos 80, antes de o mundo ser multipolar, como de resto muita esquerda ansiava. Só que a multipolaridade que existe não é a multipolaridade que os federalistas europeus queriam, porque não é a UE a potência desafiante dos EUA, mas sim a China. Não é a Europa o continente com o maior crescimento económico do mundo, mas sim a Ásia. Esta multipolaridade não permite à Europa Ocidental sequer ter a relevância estratégica e o poder que detinha quando o mundo era bipolar. Costuma dizer-se que é preciso ter cuidado com o que se deseja...

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  2. Sim, sim, mas podia usar outra imagem para ilustra uma história de desgraça Ibérica, do que um bando de gauleses burros que lutavam com a superior nação romana!

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