Pacheco Pereira sintetizava ontem na Quadratura do Circulo com um pessimismo cortante o drama do impasse português que as eleições não resolvem: a convergência duma incapacidade endógena para a mudança, com a submissão da política à lógica mediática, refém de artifícios comunicacionais em detrimento dos atributos substantivos. Em defesa das disciplinas do Marketing e da Comunicação de que sou profissional e aficionado, simultaneamente endeusadas e diabolizadas, convém afiançar que por mais sofisticadas que forem as estratégias ou técnicas aplicadas, o sucesso da propaganda dependerá inevitavelmente da qualidade substantiva do “produto” ou protagonista. Sendo verdade que uma boa estratégia de comunicação opera milagres na percepção pública duma mensagem, a longo termo, a mentira em confronto com a essência, tem sempre as pernas curtas. Como profissional comunicação sei muito bem que antes da imagem está a substância, elemento preponderante para o sucesso de qualquer acção. Citando Kant de memória, “as formas sem conteúdos são vazias e os conteúdos sem formas são cegos”.
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Em abono da verdade, há que reconhecer que o "Luís-fico-bem-assim" se tem esforçado por merecer o seu salário. E não têm faltado as provas da sua competência técnica.
ResponderEliminarMas também a Riefenstahl era uma cineasta fora-de-série...
Isto para dizer que não se pode ilibar o marketeer de cumplicidade, no mínimo. Mesmo que diga que só andava a fazer pela vida ou aflito para alimentar os filhos.
ResponderEliminarTambém no reino da imagem há um código de ética. O "Luís" teve a possibilidade de dizer não. A História não será misericordiosa com ele.
A propósito (e muito), recomendo a leitura da crónica do Eduado Cintra Torres.
ResponderEliminarEstá postada no Portugal dos Pequeninos.
6 anos são pernas curtas?!
ResponderEliminarUm exemplo clarificador é o congresso do PS que está a decorrer. Uma oportunidade única para ver os pupilos de Goebbels em acção...
ResponderEliminarConcedo que defenda a sua dama e nem duvido que creia sinceramente no que diz, pois tomo-o por pessoa idónea. Todavia há-de convir que no mundo ás avessas gente idónea é o que não há, e o primado da forma substantiva-se a si mesmo como realidade. Os exemplos vêem-se por todo o lado; do diploma domingueiro em Engenharia do Cavalo às doses cavalares de treta diária em folha oficial e oficiosa, de miraculosos estudos, pareceres, pacotes, medidas, resoluções, determinações, decisões, despachos, decretos, promulgações. A realidade substantiva é o papel impresso com o reclamo na página 2 e o respectivo eco multimédia, ao vivo e a cores. Talvez sobre o ouro do Banco de Portugal para negar esta minha crença. Ou talvez não.
ResponderEliminarCumpts.
Caro Bic laranja: o que eu afirmo, é que, seja em Matosinhos ou em S. Bento, uma mentira é uma mentira, mesmo que pintada de amarelo.
ResponderEliminarCumprimentos,
Não percebi o que Sampy me quer dizer, ou sequer se leu o meu post.
ResponderEliminarSe bem percebi, no post defende-se a primazia da substância, vendo na qualidade / autenticidade do "produto" o factor decisivo para o sucesso promocional. E explicitando que a falta de qualidade / falsidade / vacuidade do "produto", por muito bem mascarada que seja, mais cedo ou mais tarde virá à tona, comprometendo o sucesso da campanha.
ResponderEliminarEu, pela minha parte, chamo a atenção para o facto de que, se o ónus pertence primariamente ao produto / protagonista, não cabe isentar sem mais a promoção / marketeer. Não assiste a este o direito a uma pretensa neutralidade ou amoralidade. Como se só lhe competisse vender o produto, o melhor que sabe e pode, não lhe dizendo respeito a qualidade do produto nem lhe interessando as consequências da sua promoção.
Concretamente: um mentiroso só tem êxito na sua promoção (mesmo que condenado a longo prazo) se o marketeer alinhar na mentira, se fôr cúmplice.