Quem ouvisse na sexta-feira pela 1ª vez o programa “Contraditório” da Antena 1, um debate entre Ana Sá Lopes, Carlos Magno e Luís Delgado, três afamados jornalistas da nossa praça, atendendo ao nome do programa certamente estranharia tanta unanimidade. Os três manifestavam-se contra Cavaco Silva e Passos Coelho, rejeitando a solução FMI antes das eleições, como senas actuais circunstâncias tal fosse uma questão de vontade. Eu, que sigo com alguma frequência este programa da rádio Estatal paga com o dinheiro dos meus impostos, habituei-me a esta harmonia “corporativa” e consensual complacência para com a governação de José Sócrates, ora visto como vítima de “campanhas negras” ora de perversas traições e factores exógenos que conduziram o País ao actual estado de pré-falência. Ironicamente tem sido o cordato Luís Delgado, o ex-fiel paladino de Santana Lopes e actual consultor da PT, o mais reverente defensor da governação socialista. Convicções, são convicções.
Aceito desportivamente o endémico e desequilibrado tendenciosismo jornalístico, um fatídico reflexo da sociologia lusa: é o preço a pagar pela fraqueza das nossas elites, pelos séculos de fome, e paternalismo provinciano. Mas tendo em conta a extrema gravidade da situação que se vive e dos valores postos em jogo, parece-me hoje premente e indispensável um sonoro apelo ao equilíbrio e moderação por parte dos jornalistas comentadores, que, sem que para tal tenham sido mandatados democraticamente, exercem desmesurada influência na opinião pública e consequentemente nos desígnios do eleitorado, como tal sendo co-responsáveis pelo estado de coisas. Ora justamente na Grécia onde se vivem por estes dias amargos um tremendo aperto económico e ajustamento de expectativas, o ódio popular é repartido democraticamente pelos políticos e... pelos jornalistas.
ATens toda a razão, caro João. Ainda hoje ouvi o mesmo Luís Delgado, que era tão pró Santana Lopes, há uns anos, mas desde há uns tempos defende com unhas e dentes o PS e José Sócrates, virando por completo 'a casaca'. Já me disseram que é por ser 'consultor' na PT, o que gostava que fosse uma critica injusta.
ResponderEliminarComo se pode defender um tipo que, em seis anos, duplicou o desemprego, o défice e, o que ainda é pior, a dívida pública para 170 mil milhões de euros?
São as tais 'inteligências comprometidas' ou, que é mais verdadeiro, as 'indigências comprometidas'...
Abraço
Esse homenzinho causa-me Vergonha, caro Rui. A Ana Sá Lopes e o Carlos Magno limitam-se a serem coerentes com as suas convicções políticas, e por vezes são aqueles que assumem alguma divergência.
ResponderEliminarAbraço