quinta-feira, 24 de março de 2011

É assim que se perdem eleições

Não tinham ainda passado 12 horas sobre a demissão de Sócrates para a tradicional nabice comunicacional do PSD se revelar no seu esplendor. Logo de manhã, na TSF, já se falava que, aproveitando umas declarações atabalhoadas de Miguel Relvas, o PSD ia “subir os impostos”. E lá vinha Santos Silva em dose cavalar na sempre benevolente rádio socialista. Só à noite vi os telejornais dos canais por cabo e já estava estabelecido que os juros da nossa dívida tinham batido recordes devido à demissão do Governo. Ninguém, claro, referia, que já andavam a bater recordes há não sei quantos meses precisamente porque este Governo estava funções. Ninguém pensou que, se calhar, “os mercados” terão ficado mais preocupados por se descobrir que afinal o défice de 2010 tinha ultrapassado os 8% e, na verdade, ninguém perceber qual é a nossa real situação financeira. A Fitch cortou dois níveis no nosso ranking, e os nossos jornalistas relacionaram logo com a queda do Governo, mas uma outra agência cortou também dois níveis ainda antes do anúncio do PEC 4… Ninguém deu valor ao facto da Bolsa portuguesa ter subido bem mais do que 1%, sem qualquer “pânico” provocado pela partida dos nossos sábios governantes. Nos jornais das 22h da TVI24 e da SIC Notícias, anunciaram, respectivamente, o incansável Santos Silva e Silva Pereira. Não tenho paciência para os ouvir, é claro. Será que é desta vez que o PSD perceberá que conta com uma Comunicação Social que oscila entre a despreparação e uma atitude pró-socialista e que se não reagir corre o risco de perder de novo as eleições, por muita razão que tenha? Que, 24 horas depois da demissão de Sócrates, os socialistas já construíram uma narrativa para se livrarem de culpas do estado desastroso a que conduziram o país, enquanto o PSD tem que responder, na defensiva, porque quer aumentar os impostos, como se fosse o verdadeiro responsável pelo descalabro?

6 comentários:


  1. O PSD tem que se convencer que isto da comunicação é para ser feita por profissionais, não por meninos de coro. Contratem mas é alguém competente, rapidamente, para os aconselhar.

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  2. A bem da nação, vamos ter de pôr em marcha uma "Operação Valquíria".

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  3. Marco António Costa reafirma que o PSD "nunca terá preferência por sobrecarregar os mais carenciados", mas admite que o aumento do IVA também os iria penalisar. "O IVA é um imposto cego que afecta dez milhões de pessoas".

    Ah, e promete que o Programa de Governo do partido estará pronto em 30 dias. (Ou seja, não há).

    Isto vai lindo, vai...

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  4. Tiros nos pés são mais que muitos25 de março de 2011 às 10:20

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  5. O responsável pelo projecto "Mais Sociedade", desafiado pelo presidente do PSD Pedro Passos Coelho para liderar o movimento, referiu que "não se podem aumentar muito os impostos porque seria contraproducente", já que "estamos perto do limite". Em contraponto, Carrapatoso considerou inevitável "reduzir salários e apoios sociais", apontando uma meta: "O peso dos salários e apoios sociais tem de passar de 34 por cento para 29 ou 27 por cento do Produto Interno Bruto".


    Afinal, o IVA aumenta para não baixarem salários e prestações sociais ou o IVA fica como está porque reduzir salários e apoios sociais é que é bom?

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  6. Ninguém falou em aumento de impostos, falou-se que em caso de necessidade de aumentar impostos tal recairia sobre o IVA, só gente mal intencionada cujo o nome como por "Abr" e a acaba em "antes", ou similares pode pretender fazer passar a ideia que o PSD vai aumentar impostos!

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