segunda-feira, 21 de março de 2011

A Luta Continua


 


Apesar de não electivo e sem polémicas expectáveis, foi inegável o grande impacto político do XXIV Congresso do CDS, um dos mais participados e entusiásticos de sempre. O acontecimento revelou-se uma grande demonstração de unidade quanto às prioridades, perante a oportunidade de crescimento e afirmação do partido, no culminar da falência do socialismo a que Nação Portuguesa vem resistindo há décadas. Se dúvidas houvesse sobre a competência e tenacidade de Paulo Portas, elas seriam dissipadas pela forma como o partido tem cavalgado o esgotamento desse modelo, e pela renovação de quadros de inegável qualidade que a direcção vem patrocinando e protegendo.


Do outro lado do espelho, vislumbram-se preocupantemente palpáveis os vícios que emanam da desmesurada ambição do líder na perspectiva de controlo absoluto do partido. A vergonhosa instrumentalização do Congresso de Viseu, expressa na tentativa de anulação duma iniciativa independente como a Moção Alternativa e Responsabilidade, retirando-lhe maquiavelicamente o palco, revelou-se tão gratuita quanto desnecessária: uma liderança forte e aglutinadora não se compadece com estas pequenezas. 


. Das vinte intervenções para abordagem na especialidade das matérias da Moção, às 3,00hs. da manhã tinham-se realizado três, e a Mesa havia reduzido o tempo para dois minutos por pessoa. Paulo Portas ao desmultiplicar a sua Moção em sete “sectoriais”, e repartindo as apresentações pelas suas figuras em “promoção”, acabou por monopolizar, desvalorizar e restringir um debate que se desejaria construtivo e plural. Estranho é que o mesmo líder que diagnostica a tal emergência duma sociedade “pós-partidária” (indiferente aos partidos e organizações), não promova a credibilização e transparência dos processos para dentro da estrutura, numa demonstração do mais ordinário desprezo pelos militantes empenhados. 


Dizia-me um amigo que o golpismo regimental dentro dos partidos e particularmente em congressos é moeda corrente, sendo que a sua banalização pouco comove os aparelhos instalados, muito menos a comunicação social. Esta é uma triste realidade a que as bases inconformadas e livres não podem jamais ceder, para que em tempo certo os bons costumes e propósitos não deixem de fazer a diferença, contra uma Direita enfeudada ao politicamente correcto e com tiques relativistas.


Finalmente, como balanço, fica o reforço da iniciativa liderada por Filipe Anacoreta Correia, demonstrada na entrada para a comissão política de Pedro Pestana Bastos, um dos grandes dinamizadores da Moção, e de Gonçalo Maleitas Correa, além do aumento de cerca de 40% votos para o Conselho Nacional em relação ao congresso anterior, mantendo-se a sua representatividade em cerca de 20% dos eleitores. A luta continua.

3 comentários:

  1. Caro João,
    Bom texto, a lembrar que há um CDS que, para se afirmar, aponta caminhos (como os enunciados no filme) e não se reduz a atacar pessoalmente o seu 'aliado natural'. É pr aí, pelo combate à abstenção, 'pela positiva', que podemos voltar a das Esperança a Portugal. Pena é que no último fim de semana nem todos o tenham compreendido em Viseu.  :-)

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  2. Meu Caro João Távora
    Os meus melhores cumprimentos.
    Como já nos habituou, aqui temos, mais uma vez, um belo texto, elucidativo, claro e sem preocupações de dizer a verdade. Segui atentamente o Congresso e, sem duvida,  vi aquilo que diz.
    Tenho em mim que haverá muito pouca gente capaz de se dar, capaz de servir, duma maneira absolutamente despida de ambições pessoais, de protagonismo e, como não podia deixar de ser, de defesa e protecção daqueles que, duma forma ou doutra, os mantém nos "altares".
    Apesar de tudo, tenho a certeza, este Congresso foi um avanço muito grande no expor de ideias, com menos receios, diria mesmo medos.
    Sempre fui contra o políticamente correcto. O meu Caro Amigo, certamente já deu por isso se, por acaso, tem a bondade de ler alguns dos meus "posts" por essas páginas fora.
    Graças a Deus não tenho qualquer receio em chamar "os bois pelos nomes" o que, me parece, poucas pessoas o fazem.
    Cada vez mais a saga socialista está a chegar ao fim.
    O vosso grupo "Alternativa e Responsabilidade", tem pela frente um trabalho importante a fazer pois que, como todos sabemos, a vida política e a vida do Partido não se esgotam num Congresso.

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  3. Que o CDS tem em abundância  quadros com qualidade para ser alternativa de poder, ninguém duvida, que dentro desse conjunto existem pessoas bem intencionadas, com  capacidade, para apresentarem estratégias válidas alternativas ao programa oficial do partido, ninguem duvida, que o lider do partido, Paulo Portas, além de ter sentido de Estado, é alguém que alia uma grande inteligencia a uma fina matreirice e sentido de oportunidade, ninguem duvida. Foi por todos esses motivos e pela legitima ambição de poder, suportada pela evidencia de ter olho em terra de cegos, que Paulo Portas manipulou este congresso, assim como manipulará todos os seguintes enquanto nisso tiver interesse, disso eu não tenho duvidas.  

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