Recebi chocado a triste notícia da morte de Artur Agostinho, com quem há alguns anos tive o grato privilégio de privar na organização de um espectáculo de Natal para os empregados dos Hotéis Tivoli. Deste grande comunicador guardarei a imagem de um homem generoso e humilde, para além de um bom senso e simpatia raros no seu meio. Perseguido pelos senhores da revolução em 1974, foi a este ilustre Sportinguista que coube a celebre locução do “cantinho do Morais” que em 1964 deu a Taça dos Vencedores de Taças ao seu (nosso) clube do coração. Nas nossas memórias prevalecerá sempre o seu incontornável protagonismo no clássico Leão da Estrela de 1947 realizado por Arthur Duarte. Também não esquecerei jamais o seu divertido papel no programa Zip-Zip, em particular no concurso “Sim ou Não” que muito me fascinava então, no qual o Artur entrevistava ardilosamente os concorrentes no propósito de os pressionar a proferirem as palavras proibidas. De resto, sendo eu desde pequeno um aficionado da telefonia, há muito já sentia a falta da sua afável e inconfundível voz, que estou certo marcará de forma indelével a história da radiofonia lusa. Entretanto, do cidadão responsável e atento, julgava-o interveniente e activo, e isso ajudava-me a sentir o Mundo um local mais familiar e aprazível. Sinto imenso a sua partida. Até sempre Artur.
A entrevista que deu há mês e meio a Judite de Sousa, cheio de optimismo, grato ao que a vida lhe tinha proporcionado e ainda cheio de vontade de fazer coisas foi muito interessante e, diria mesmo, uma lição.
ResponderEliminarA voz que atravessou gerações, o homem dos sete ofícios, o verdadeiro desportista, competente, da paixão pelo arrebatador Sporting dos "cinco violinos". A suprema ironia: o comunicador nato incomunicável numa cela de Caxias, preso pelos revolucionários que cuspiram nos ideais de Abril a troco da imposição da sua democracia. Fazendo jus ao nome, o Artur, corajoso e autoconfiante, começou uma nova vida aos 50 anos no país irmão, porque o nosso, maldizente, fechou-lhe as portas. Voltaste, rejuvenescido e aclamado até chegar o descanso, nobre Leão, com a certeza e a consciência de que nunca te arrependeste de nada na tua exemplar vida.
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