sábado, 20 de novembro de 2010

Um talento muito especial


 


Se é verdade, como refere hoje no Público no seu habitual tom jocoso Vasco Pulido Valente, que o sucesso da cimeira da OTAN confirma uma excepcional capacidade Lusa para administrar acontecimentos de grande complexidade logística e protocolar – em tempos eu próprio me envolvi profissionalmente na organização da Cimeira da OSCE com 52 chefes de Estado e de governo (!) e numa outra mais modesta, também da Nato mas ministerial -  o facto é que, o traço comum entre estes grandes eventos (aos quais  se podem incluir a Expo 98 e o Euro 2004), é, em maior ou menor grau, o eufórico e gigantesco despesismo, que com mais ou menos patrocínio externo, todos eles incorrem. Assim, lamento desiludir o popular cronista e historiador, mas eu diria que a nossa espantosa “capacidade de organização” corresponde a uma vocação e talento dos portugueses em fazer vida de ricos, a mesma que nos impede de "nos governarmos a nós próprios".

5 comentários:

  1. Nesta altura os homens do destino do mundo ainda não estavam a ver o fotógrafo, pois não?


    Sua Exª. o nosso PM, esse sim, estava atento.Como convém.

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  2. Estão a ver? Estão a ver? Diz Sócrates.
    Dou-me com Deus e com o Diabo! Querem melhor que eu?
    Trouxe o Chavez, que manda no pó! Conheço o Kadhafi que tem muitos camelos.
    Jintao, bem esse, então, é cheio de dinheiro.

    Obama, é simplesmente o primeiro Homem do Mundo.

    Até o Sr. Carla Bruni e aquela alemã muita chata, todos eles me adoram.
    Isto é o resultado de ter dado Portugal. Como se tira do Tratado, aquele que tem o nome da nossa velha Lisboa.

    Vamos saír da crise em breve. Só tenho bons amigos, gregos e troianos.


     

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  3. No que respeita a fatos, o de Sócrates realça, pois então! Como o de Obama. Vieram dos Estates, e olhem que por lá há bons alfaiates, com bons cortes, ó larilas!

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  4. Não estou totalmente de acordo, João.  É certo que houve despesa por parte do Estado, até porque as questões de segurança couberam a Portugal. Há ainda que dizer que a NATO também financia uma parte destas despesas. Mas, então o que dizer disto?


    1. Perfeita organização, num evento que recebeu milhares de pessoas que tiveram de ser controladas, transportadas e alimentadas.
    2. Um Cimeira da OTAN na capital portuguesa, sem que isso significasse qualquer desacato de monta. Note-se que tal não se deveu à preguiça nacional, mas sim à organização das forças policiais do estado e claro está - ficou nítido -, à generalizada compreensão e apoio por parte da população. Em Paris, Madrid, Berlim Estocolmo, etc, teria sido bem diferente, não duvide. Aqui tudo funcionou e muito bem. Espantoso para os nossos aliados, não é?
    3. A visibilidade do país e as palavras em directo, proferidas pelos chefes das principais potências, congratulando Portugal pela organização. O prestígio também conta e faz marcar pontos, disso pode estar certo.
    4. A moderação e sageza da policia portuguesa, que actuou de uma forma exemplar. A falha consistiu no catering que se esqueceu dos agentes da ordem, deixados de plantão muitas horas e sem qualquer refeição. Tivesse a população sabido e decerto teria acorrido às avenidas com bolos, bebidas e sanduíches. Não duvido.
    5. É claro que a organização foi feita por múltiplas entidades preparadas para estas coisas e que o governo disso beneficiou em termos de visibilidade. Mas afinal, qual é o problema disso? A NATO e a defesa nacional, devem estar acima da insuportável partidite. É por isso mesmo que somos monárquicos, coisa que mais tarde ou mais cedo, o país um dia entenderá. 


    Sinceramente, parece-me que foi positivo. 

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  5. Caro Nuno,

    Tem razão. Tocou aí num ponto importante que espero venha a ser reconhecido públicamente: o enorme esforço por parte das forças policiais que desenvolveram um trabalho exemplar, com horários muito sobrecarregados. Mostraram brio profissional e competência. Foi aliás, já reconhecida pelos participantes e pela imprensa estrangeira. Espero que os orgãos de soberania não se esqueçam do louvor público que lhes é devido.
    Lisboa foi uma capital segura para os cidadãos e para todos os participantes, apesar das contingências.
    Há quem ache que o aparato foi demasiado e que se podia fazer o mesmo trabalho de forma menos visível. Não sou dessa opinião. Penso que aqui era importante mostrar segurança pela presença das forças bem visíveis no terreno, quer à população, quer aos participantes.
    Há algumas coisas em que somos bons: temos das melhores policias e Serviços de Informação do mundo. Disso não tenho nenhumas dúvidas.





    Marquesa de Carabás

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