domingo, 7 de novembro de 2010

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 16, 1-8



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho forças, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes».


 


Da Bíblia Sagrada

9 comentários:

  1. Mas os filhos das trevas, podem nunca saír delas, não é? Caminham, caminham, na busca da luz, mas primeiro que encontrem o túnel....ui, quanto sofrimento. Não te penitencies, não, Sócrates, que a porta para ti é estreita e olha que não vejo forma de se alargar para ti. És demasiado publicano e nada tens de samaritano...
    Nem os corporativos, com o pacto que têm com a Razão (deles) conseguem racionalizar uma saída para ti.
    Se eu pintasse, pintava a peregrinação dos chupistas à China...de joelhos, mão estendida e cabeça baixa.

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  2. Confesso que esta é uma parábola dificil de entender para mim...

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  3. Esta é uma parábola que necessita de contextualização histórica. O administrador não praticou nenhum fraude contra o seu patrão. Limitou-se, de acordo com o costume da época, a perdoar as exorbitantes comissões que cobrava.

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  4. Essa explicação/justificação é recorrente, mas não é suportada directamente pelo texto da parábola nem se coaduna com a intenção de Jesus ao contá-la. O administrador é apelidado de desonesto.

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  5. O ponto central está no elogio. Não da desonestidade, mas da esperteza.

    Jesus, no seguimento da parábola, deixa bem claro que espera honestidade/fidelidade da parte dos seus discípulos, mesmo nas coisas mais insignificantes. Mas deixa-lhes a recomendação de que saibam ser tão ou mais espertos que a malandragem espalhada por este mundo.

    Ter bom coração não pode ser sinónimo de ingenuidade ou de aceitar ser comido por lorpa. Para fazer o bem, não chegam as boas intenções ou a boa vontade: é preciso ser-se competente, qualificado, agir com inteligência e sabedoria.

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  6. Não sei se será só isso ou mais. As parábolas eram usadas por Cristo para o seu sentido chegar junto de todos.

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  7. Concordo com o seu comentário parcialmente.

    Para fazer o bem não precisa de ser qualificado ou competente, se é que entendi o que pretendeu dizer. Para fazer o bem, basta apenas ter a consciência de que o seus actos são bons, podendo ou não resultar no bem que deseja desde o início. Levado ao extremo de que só o «inteligente»  e «sabedor» fazem o bem, onde ficariam, então, os espíritos mais simples? Porque se justificariam, então, as parábolas? Estas eram dirigidas aos menos competentes, menos qualificados, espiritualmente e não só. Todavia, não lhes era adversa a ideia do bem, de resto, algo inato em qualquer alma, até na mais jovem. 

     

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  8. A ver se me explico:

    1. A inteligência e a competência de que falo não são primeiramente nem necessariamente livrescas ou escolares. Tem que ver com algo mais subtil, que tem muito de instintivo, mas que pode ser cultivado e desenvolvido. Não é por qualificarmos um aldrabão de esperto que se pode inferir ter-se ele formado summa cum laude na universidade...

    2. Por outro lado, se a prática do bem tem uma dimensão intrinsecamente pessoal e individual, em contexto cristão ganha uma dimensão essencialmente comunitária, que potencia essa prática, a organiza e canaliza, e a torna qualificada e resiliente.

    3. As parábolas de Jesus são tudo menos simples. O facto de elas nos serem apresentadas muitas vezes com uma interpretação oficial acoplada devia servir de alerta.

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  9. Não entendeu o que lhe quis transmitir: o espirito comanda, na medida em que este não morre, apesar do envólucro o poder limitar enquanto encarnado.
    O saber, a experiência advém do sofrimento, da provação e do que aprende enquanto criatura encarnada.O espirito é a soma das suas aprendizagens e o resultado das suas decisões.

    As parábolas de Cristo podem não ter um conteúdo simples, pelo menos para alguns, pelo fim que almejam e doutrina que as enforma. Todavia, Cristo recorreu às párabolas, justamente para ensinar os mais pobres de espirito. Assim doutrinou e ensinou.

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