quinta-feira, 29 de julho de 2010

Power Balance ®, ou uma crónica da estação tola


 


Esta coisa da idade não é só desvantagens, a experiência e a memória podem ajuda-nos a descodificar certas modas caricatas como esta da pulseira POWER BALANCE®. Quem não se lembra duma muito semelhante, ocorrida nos anos oitenta e que consta enriqueceu o João Rocha, o antigo presidente do Sporting? Tratava-se duma pulseira de bronze, em forma de ferradura, cujas extremidades eram rematadas com duas esferas. Dela também se dizia que afastava maus espíritos, e outros desequilíbrios provocados por malvadas frequências electromagnéticas.


Trinta anos depois a receita é recuperada com sucesso, de novo à boleia duma crise, impulsionada pelo espírito da estação tola e quem sabe em substituição dos fetiches regulamentares, como a bela gravata, relógio caro ou o carro da empresa que não dá jeito levar para a praia. Um insuspeito amigo meu que encontrei aqui em Milfontes, engenheiro de formação académica adquirida em dia útil, garantia-me, orgulhoso da sua POWER BALANCE® de trinta e cinco euros, que não tinha a certeza dos efeitos, mas que achava que sim, que notava mais equilíbrio a andar de mota, e que “temos que acreditar nalguma coisa, João”.


Admirável é como esta irresistível moda que começou no pulso duns quantos mediáticos, jogadores de futebol e figurantes de entretenimento, que vem crescendo por conta de alguns artigos de jornais e revistas, torna-se uma onda imparável, um grande, enorme negócio: daqui a duas ou três semanas, uns quantos terão feito fortuna com este Conto do Vigário; milhões e milhões de pulseiras vendidas, incluindo novas versões, mais clássicas ou arrojadas, incluindo a da loja do chinês, igualzinha às outras, acessível à mulher-a-dias e usada pelo empregado de mesa da estância balnear. Será esse o ponto de retorno: a coisa cairá então em fulminante desuso e descrença, anátema de provincianismo, de mau gosto e classe baixa.


É assim a história das pessoas, que precisam de acreditar em alguma coisa, de ter o conforto e a auto-estima, a esperança depositada num qualquer fetiche, trapo ou horóscopo. No fundo sendo tudo isto uma tontaria inofensiva, é uma história que nos revela para além da falta de uma Fé madura e experimentada, muita, mas muita, fragilidade escondida.

8 comentários:

  1. Caro amigo.

    Cá para mim, o seu amigo Engº é daqueles de carregar pela boca...

    Pergunte-lhe se com a pulseira, não vendem também as palmilhas que emagrecem, a capa mágica que faz voar o Superman e a espada do He-Man ?

    De caminho foi à conta da pulseira que o n/ primeiro teve a proeza de tirar o canudo a um Domingo...

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  2. Qual domingo, qual domingo...pois se ele corre durante os dias da semana, iria fazer exame num domingo...please...give me a break...o bestócartes nem sabe o que é um fax....
    Ui, como desejo apanhá-lo atras do meu carro a buzinar para o deixar passar...a Avenida «lá» do sítio que se prepare....

    Tenho  a impressão que o conceito de viaturas prioritárias vai mudar nesse dia...

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  3. Mas qual é a diferença entre esta pulseira equilibrista e o carro que te proporciona infinito bem-estar, o telemóvel que te oferece harmonia, a pasta de dentes que alinha os teus chakras?...

    A salvação está no consumismo.

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  4. Sampy...não sei nada. Ora explique aí a diferença, que o hoje o Sol «está muito quente».....

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  5. Andava eu à procura das palavras e ideias corretas para expressar o que achava destas pulseiras e já não vale a pena... está tudo dito.

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  6. Não...não está...deslinde lá a coisa...mas com produto de qualidade e não de drogaria.

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  7. Venho por este meio aqui informar-vos que irá ocorrer um novo lançamento de um novo produto patrocinado pelo estado.
    Os novos magalhães virão embebidos em iões quanticos que farão o mesmo efeito que estas pulseiras. Logo poupem os vossos 35€ para gastar no magalhaes do Outono. (Sim, está provado que mudar de "Paga"lhães uma vez por estação irá aumentar o sucesso escolar dos seus filhos).

    Cumprimentos.

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