terça-feira, 6 de julho de 2010

João Moutinho - conversa barata ao gosto da época estival (leitura a acompanhar com uma imperial bem gelada)

 


Sem querer branquear a responsabilidade da actual direcção sportinguista que no mínimo podemos apelidar de desastrada, parece-me que urge focar a questão João Moutinho sob outro prisma: o da sua reincidente deslealdade e o das teias dos empresários dos jogadores, uma máfia que há uns anos para cá vem tomando de assalto os clubes futebol.


Voltando às origens deste mimoso tema, torna-se-me hoje clara a ingenuidade do Sporting, induzida por uma tão arriscada quanto compulsiva política de austeridade, de querer construir uma equipa competitiva fundada na estabilidade e permanência dos seus activos da academia, ávidos de quimeras, riqueza e fama dos seus predecessores bem sucedidos. Mais ingénua foi a aposta num capitão de equipa com vinte anos, na pretensão de que algum sentimento mais elevado do que o nível da relva perpassaria na perversa cabecinha do zeloso e recatado atleta. São os piores: um ano depois, quando já Moutinho atingira o tecto salarial praticado na equipa, em vez de dar um soco no seleccionador chamou os jornalistas para dizer que queria sair do Sporting, supõe-se que por causa duma proposta de 15 milhões do Everton. O caldinho estava entornado, a notícia vendeu que nem cerveja em dia quente de Verão. (sai mais uma se faz favor!)


Tendo em conta este historial, o desfecho da novela só surpreende por ser tardio. Consta que desde então diversas aproximações entre as partes foram frustradas, e que o rapaz aconselhado sabe Deus por quem, queria sair a todo o custo. Quem rebobinar a época anterior, depressa constatará que tais intentos eram bem visíveis e essa falta de tenacidade perpassava a quase toda a equipa, com falta de renovação e concorrência interna. Eu próprio na actual conjuntura da indústria do futebol deixei de acreditar na receita da estabilidade do plantel, quando as diferenças de competitividade se jogam em minúsculos detalhes na preparação física, táctica e… motivacional. Mas a cor da camisola não conta nada, zero.


É assim que, perante estes factos, quer-me parecer que o negócio de onze milhões de euros e um defesa central de 1,90m não é mau de todo e que constitui uma jogada de alto risco de Pinto da Costa, tendo em conta o (mau) carácter do jogador - a ver se daqui a dois anos o menino caprichoso não dá às de Vila Diogo outra vez para… o Benfica! O único ganhador certo com este negócio foi um empresário chamado Pini Zahavi.


Bettencourt, o desajeitado presidente da direcção em quem sem alternativa credível me vi forçado a votar, depois de uma primeira época aziaga tem este ano uma decisiva prova de fogo: pela primeira vez é dele todo o desenho da estrutura do futebol, a planificação da pré-época, equipa técnica e plantel. Espero que os resultados sejam bons e visíveis em campo, que o Sporting dispute cada jogo com alma leonina. Faz-me falta essa ilusão e o entusiasmo do estádio ao fim de semana. De resto também é preciso sorte, que um bestial está à distância duma besta por uma bola na trave ou uma entorse num dedo do pé. Fazer disso julgamentos definitivos e conversa mole toda armada em rebuscada politiquice, é para mim um enorme tédio, um peditório pró qual não quero dar.


Alma até almeida e uma Imperial gelada por favor!

10 comentários:

  1. Lá no Poarto andem a dormir6 de julho de 2010 às 17:50

    Admira-me é que lá pelo Poarto não saibam que o rapazito é uma mação podre. Para que pagaram eles tanto dinheiro por uma maçã que nem dá para oferecer aos árbitros?

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  2. Não se preocupe com o Poarto, faça-nos é o favor de se manter a sul de Rio Maior.

    E já agora, recomendo repouso, imobilização, analgésicos e anti inflamatórios, poderá ser uma boa cura para o mal que lhe afecta o cotovelo.

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  3. Caro João.

    Dá pena ver o Sporting assim mal gerido, apesar de tudo o Moutinho não foi mal vendido, 10 M + 1 M (André Coelho) + perdão de dívida de 2,5 M (Helder Postiga) + direitos de 30% sobre a mais valia de uma futura venda não é o mesmo que 11 M€, o Moutinho foi caro, não foi barato.

    Não entendo a direcção do Sporting, se queria vender comunicava aos adeptos e aos sócios que era um bom negócio, que tinha de ser, que era estratégico, agora dizer que o Moutinho é uma "maçã podre" ? Foi mal gerida a comunicação aos adeptos, despropositada e transformou o negócio num mini-escândalo.

    Até aqui era o melhor do mundo agora é uma "maçã podre" ?

    Penso que foi um bom negócio para ambos, o Sporting resolve um problema na defesa com um excelente jovem jogador e o Porto colmata a saída de Lucho, talvez Meireles; para os lados do colombo é que parece que provocou muita azia !!!!!

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  4. Pouco mais tenho a adiantar sobre o assunto caro Nuno. O resto discute-se dentro das quatro linhas:-)
    Abraço

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  5. Caro João:
    Estou de acordo consigo. Isto agora é um negócio e há muitos anos que só vejo a bola na televisão.
    Quanto ao Moutinho, não pense assim: vai deixar o FCP, com certeza, mas a caminho do estrangeiro. E o FCP vai empochar umas massas e assim se mantem a única SAD com lucro. Não dá para grandes planos no estrangeiro mas cá dentro sempre vai sendo, regularmente, o melhor. Ou o menos mau.

    Já agora: se o Moutinho tem jogado no Campeonato do Mundo, se calhar não saía do Sporting. O rapaz assustou-se com o anonimato - já vai sendo tempo de organizar a vidinha para o grande salto .

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  6. Absolutamente nenhum. Quero que Benfica, Porto, Sporting (ordem alfabética) se vão todos mas é cozer.

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  7. Desde o Simão que lá pelo SCP se fartam de descobrir maçãzada podre...

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  8. Caro amigo, depois do que o seu FCP fez à Académica é só esperar que para o ano nem cheguem às competições europeias!!! Estou a brincar... ou daí talvez não!!!

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  9. Pois é, meu caro. Com a maior sinceridade reconheço que tem razão. A sua Briosa parece estar a transformar-se numa escola de treinadores: o Domingos, o Vilas-Boas...
    Como eu disse acima, isto já só é negócio. O «amor à camisola» nem mesmo nas divisões menores.

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  10. O Artur Jorge, que fora na Académica não fez nada, o Mario Wilson, o Francisco Andrade, etc... lá é que se vê quem são os bons treinadores, não nos grandes!!!

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