Pela selecção portuguesa nem cheguei a ter grandes ilusões, bastou-me ver a maneira queiroziana como entraram em jogo contra a Costa do Marfim para perceber que não iria longe. O Brasil, sim, foi uma desilusão, compensada em parte com a eliminação da Argentina de Maradona. Faltou a Espanha ser eliminada para estar mais satisfeito com o andamento deste Mundial de Futebol. Como não consigo ser imparcial, mesmo quando jogam selecções de países que me dizem pouco em termos de simpatia ou antipatia, caso da Alemanha e da Holanda, nem nunca consegui torcer por "quem jogue melhor", nesta altura sou pelo Uruguai, país onde houve forte influência portuguesa há um par de séculos. No fundo, este pretexto "nacionalista" é algo falso, porque a verdade é que fiquei conquistado pela forma um pouco canalha como os uruguaios transformaram a derrota certa contra o Gana numa vitória imerecida. Para mim, o encanto do futebol é este mesmo, não são os esquemas tácticos, as estratégias pomposas, os jogadores imbatíveis. São aqueles momentos de pura inspiração e, às vezes, desespero, de quem tenta o impossível até ao último segundo, como salvar com a mão um golo certo, como fez Suarez, os nervos de aço de um guarda-redes perante o pênalti fatal, a quebra psicológica do adversário. Depois de se ter imposto ao Brasil na final de 1950, indiferente à grandeza do recém-inaugurado Maracanã, indiferente agora à torcida pela "primeira selecção africana a chegar a uns quartos de final", muito eu gostava de ver o Uruguai de novo campeão. Mas, como se viu com as selecções de Portugal e do Brasil, não dou sorte. Se calhar, vai ganhar alguém que mereça e até que jogue o melhor futebol.
E a Monica Farro também, não?
ResponderEliminarComo Monárquico, eu também sou a favor da vitória do Uruguai, por cuja Casa Real tenho a maior das considerações.
ResponderEliminarO Uruguai é um país extraordinário. Um País de gente civilizada. Uma pacatez organizada entre a bagunça brasileira e a arrogância Argentina (que me desculpem os brasileiros e os argentinos.Obviamente há excepções) Mas o Uruguai são as praias frias com barracas. As pasteleiras encostadas nas bermas dos passeios com cestinhos. As floreiras viçosas, as portas abertas. E a beleza da patagónia ali ao lado...torço pela Celeste!
ResponderEliminarSó tem um problema Duarte: comem o Bife "berrando".
Cumprimentos,
Marquesa de Carabás
É verdade, Duarte. Aquele momento sagrado do jogador que faz penalti que não é fatal porque o guarda-redes impediu o desastre — toda esse climax de acaso, talento e génio merecem ser lembrados aquém da indústria audiovisual da Copa. Foi tenso e dramático como já poucas vezes ocorre, e nos redime da banalidade quotidiana.
ResponderEliminarPor isso, pelo teu post, vou pelo urugua, aliás berço da minha mulher!
pela Holanda.
ResponderEliminar??? Monarquia no Uruguai?
ResponderEliminarViva a Alemanha de Mozart, Kafka, Beethoven, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Schopenhauer, Heidegger¸Thomas Mann, Hesse, Copérnico, Goethe, Bach, Günter Grass, da Mercedes, VW... e do futebol.
ResponderEliminarE, além disso, é uma Monarquia.
ResponderEliminarNão conheço o Uruguai, mas tenho as melhores indicações, às quais se juntam, sobre todas as outras, as da Senhora Marquesa. Quando a carne de vaca é boa, e a uruguaia é esplêndida, servi-la bem passada chega a ser um crime de falta de sangue.
ResponderEliminarExcelentes motivos, meu caro. Encontramo-nos na rotunda do Marquês, para vuvuzelar em uníssono?
ResponderEliminarMozart era austríaco, Kafka da Praga austro-húngara, Copérnico polaco. Alguns dos outros eram de antes de a Alemanha ser um país. Marx fugiu para Londres, Nietzsche detestava os alemães e a VW está bem é em Palmela. Quanto a futebol, a Hungria de 1954 era melhor e a Holanda de 1974 nem se fala. Mas como fui eu que disse que não torço por quem joga melhor, isso não é argumento.
ResponderEliminarE já agora mais alguns para juntar à lista; Philippine Bausch, Ute Lemper, Nina Hagen, Kraftwerk, Tangerine Dream, Brecht, Junger, kurt Weill, Fassbinder, Murnau, Lang, Herzog, Holbein, Durer, o minimalismo de Mies e Gropius da Bauhauss, dauern sie aber nicht wenigsten Lutero.
ResponderEliminarTambém dou azar às equipas por quem torço. E agora torço pela Alemanha.
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