Arriscando escandalizar alguns dos meus correligionários, confesso que concordo com o princípio duma redução de feriados em Portugal. Tal como o Henrique Raposo eu trocaria de caras o 10 de Junho, um resquício salazarista que este regime ainda não teve a coragem para apagar, pelo 1º de Dezembro em que se celebra um decisivo acontecimento histórico nacional. E se fosse eu a mandar, também trocaria o 25 de Abril pelo 24 de Julho ou pelo 25 de Novembro… É assim que, no impedimento duma unanimidade, arrisco afirmar que a proposta de Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro faz algum sentido e parece-me bastante equilibrada: mesmo perdendo o 1º de Dezembro, a racionalidade prevaleceria ao prescindirmos do 5 de Outubro, uma aberração para a qual nunca descobri uma fundamentação sólida - refiro-me à teoria que atribui à data a efeméride da assinatura do Tratado de Zamora que aqui defende o João Campos. De resto, já quanto às festividades religiosas, há algumas delas bastante importantes que hoje em dia não beneficiam de feriado, como é o caso da Quarta-feira de Cinzas e celebração do Lava-Pés na Quinta-feira Santa às quais um bom católico não deve faltar.
Finalmente, discordo da opinião do meu camarada Pedro Quartin Graça ao criticar a perspectiva economicista das deputadas socialistas: esquece-se porventura que nunca como hoje a soberania nacional esteve tão ameaçada, não por falta das celebrações como as do 1º de Dezembro, feriado que poucos lhe conhecem a origem, mas por culpa dum enraizado e mui latino desprezo por um certo pragmatismo que promova mais rentabilidade ao trabalho em Portugal. De qualquer forma, indiscutível é a insustentabilidade dos quase cinquenta dias de folga que gozam os portugueses anualmente. Mas para mudar qualquer coisa seria necessária alguma racionalidade e cedências das partes, o que à boa maneira portuguesa se me afigura impossível. Assim nos afundamos nesta paz podre e morte lenta.
Até acredito que os feriados possam ser revistos, mas nunca sob a justificação da actual crise e da produtividade...
ResponderEliminarOs poucos inúteis 'estudos' que surgem maior produtividade com a eliminação de feriados , i.e. não se consegue provar que a eliminação de x feriados corresponda a x produtividade.
(Portugal até está dentro da média europeia)
Agora se a eliminação for justificada pela falta de validade simbológica e pedagógica actuais, estou receptivo.
Mas sem dúvida hipócrita ou , antes de atacar feriados religiosos centenários, terão que sair primeiro os que celebram golpes de estado com meras décadas (5 de Outubro e 25 de Abril)..
Ainda assim, considero ser assunto de ínfima prioridade quando há tantas vírgulas no código do trabalho que permitiriam emprego e vírgulas no código civil que acelerariam a justiça...
ResponderEliminarEu gosto especialmente é de o 1º de Maio poder ser comemorado a 30 de Abril ou a 2 de Maio e de a terça-feira de Carnaval passar a ser à segunda-feira.
Creio ser apenas uma coincidência de datas, a implementação da República e o Tratado de Zamora. No entanto, faz-me a mim mais sentido celebrar o dia do país na data da sua fundação do que no 10 de Junho; e faz-me mais sentido celebrar o 5 de Outubro pelo referido tratado, do que por uma mudança de regime político.
ResponderEliminarNo resto, reduzir os feriados é-me mais ou menos irrelevante. Parece-me é que esta proposta foi feita sem grande nexo.
15 de Maio é que devia ser feriado.
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