Ultrapassado o susto da iminência da bancarrota de José Sócrates e consequente intervenção dos credores em Portugal é curioso como vingou a tese critica de que a crise poderia ter sido menos maligna se o governo não tivesse usado de excesso voluntarismo, ou o intuito “de ir além da Troika”. Na minha opinião tenho ideia de que os anos de chumbo do “Memorando de Entendimento” nunca teriam sido levados a bom termo como foram se o governo tivesse sido temerário e exibido publicamente hesitações ou reservas na sua aplicação. Se a “brutal” firmeza com que as intenções governamentais foram anunciadas foi factual, tal resultou de um posicionamento para um confronto negocial de vida ou de morte com interesses instalados que se adivinhava extremamente difícil. O certo é que mesmo assim essas “intenções” expectavelmente jamais tiveram correspondência à realidade, sempre duramente “negociadas” nos limites da constitucionalidade com os lóbis e as forças de protesto que há pouco mais de um ano ainda cavalgavam o descontentamento num clima de pré-guerra civil encenado para as televisões. Salvos da falência e com o acesso aos mercados em condições há pouco tempo impensáveis, o certo é que no final, prevaleceu uma inaudita carga fiscal e um Estado hegemónico que captura o mérito e a iniciativa privada. Ao fim e ao cabo os socialistas deviam dar-se por felizes com o empate técnico alcançado: a terceira república abanou mas não caiu, o liberalismo nem vê-lo... e o País foi resgatado aos credores e consegue financiar-se. Podia ter sido muito pior, ou não?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Ler os outros
Só há um critério, político, em que há "pensionistas" como um bloco: o peso eleitoral. Este é o critério que tem comandado o "debate".
Não há "os pensionistas". Há os pensionistas que descontaram para o valor da reforma que hoje recebem e há os pensionistas que beneficiaram de uma fórmula de cálculo amiga. Há os pensionistas que recebem pensões mínimas não contributivas e os que descontaram (a menos, a mais ou na conta certa). Há os pensionistas que se reformaram com bonificações que fazem pouco dos restantes contribuintes para o sistema, os que se reformaram com a carreira/idade legal ou aqueles que continuam a trabalhar depois de reformados. Há actuais pensionistas e futuros pensionistas. E por aí adiante. Tratar tudo no mesmo saco dá muito jeito a todos, consoante a agenda política. Só há um critério, político, em que há "pensionistas" como um bloco: o peso eleitoral. Este é o critério que tem comandado o "debate".
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Da coragem à realidade
Os tempos são definitivamente muito duros, caro Nuno, e temo que qualquer acto de "coragem" do governo seja facilmente ensombrado pelo estrondoso coro de protestos que sempre provocará. Perante a hercúlea tarefa de gerir a trágica crise financeira nacional não faltarão ocasiões de o Governo asneirar, dizia ontem na SIC Notícias o Prof. João Confraria. De facto Vítor Gaspar não tem margem de erro para cumprir os objectivos acordados pelo PS, PSD e CDS com os donos do dinheiro com que Portugal sobrevive por estes dias “ligado à máquina”.
Ironicamente emblemático mesmo foi ver Carlos César na televisão perorar contra a prevista redução do tempo de transmissão diária da RTP Açores, sugerindo uma série de áreas e sectores alternativos para o corte nas despesas. Por estes dias coragem é cortar, cobrar, mas só se for no quintal do vizinho: quando mais de meio País depende directa ou indirectamente dos dinheiros públicos, não é de menos imaginar a “guerra civil” que se aproxima entre os grupos de interesses afectados.
Por ora espero ainda para ver despontar essa prometida “coragem” na redução das despesas que, não tenhamos ilusões, a tanta e tanta gente instalada causará dor e ranger de dentes. Convém no entanto não esquecer quem foram os irresponsáveis que nos trouxeram a este atoleiro, gastando como se não houvesse amanhã.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Tem a palavra esquerda nacionalista
"Nós vamos na direcção de uma integração económica reforçada da zona euro" declarou o presidente francês. Sarkozy e Merkel querem uma taxa Tobin e um novo governo europeu.
terça-feira, 29 de março de 2011
O reforço
Enquanto a Standard & Poors volta diminuir a notação da dívida soberana portuguesa para BBB-, eis que chega a Alvalade o reforço prometido por Paulo Futre. O Sporting será a locomotiva de que a economia portuguesa precisava. Agora é que ninguém nos agarra!!!
Palavras tolas, orelhas moucas
As declarações de Lula da Silva à comunicação social ontem num jantar com Mário Soares e José Sócrates sobre a malignidade duma intervenção do FMI e que hoje ribombam nos media, como qualquer wishful thinking, são completamente inúteis. Certo, certo, é que o Estado português terá que se financiar nas próximas semanas em milhares de milhões de euros para cumprir os seus compromissos. Foi nos mandatos deste governo socialista, que ainda sonha com obras faraónicas como o TGV e o novo Aeroporto de Lisboa, que a dívida da república quase duplicou. Se mais ninguém lhe emprestar dinheiro, não restará outra alternativa a Sócrates do que pedir ajuda ao FMI. Cá se fazem cá se pagam!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Obrigadinhos!
O governo que mais mal tem feito ao tecido emprearial português, tanto através da carga tributária mais pesada de sempre como com o proverbial desbarato das contas públicas e os resultados que se conhecem na dificuldade de financiamento das empresas, anda hoje aos pulos e aos saltos em campanha publicitária no Congresso das Exportações, em Santa Maria da Feira. As extraordinárias conquistas de José Sócrates ecoavam ribombantes esta manhã na TSF pela voz do agente infiltrado António Peres Metelo sempre venerando e obrigado.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Emoções fortes
Este ano mesmo sem Mundial ou Europeu futebol, promete emoções fortes para lá das quartas feiras europeias: os leilões da dívida pública, até há pouco um extravagante desporto de minorias, alcançaram por estes dias inaudita popularidade e relevância mediática. O povo aguarda ansioso que o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público marque o próximo desafio.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Há outras maneiras de enfrentar a crise do que cortar as despesas
Ontem no programa A Torto e a Direito o professor Fernando Rosas, versando o tema do leilão da divida portuguesa para 2011, deixou escapar que os milhões a remunerar verdadeiramente não são divida “da economia”, mas sim aos "agiotas especuladores", declaração que se bem percebi não é mais do que um tímido ensaio para desculpa de mau pagador. Razão têm “os mercados” para temer emprestar dinheiro à república portuguesa.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Uma nova ambição: trabalho, trabalho, trabalho!
Como reacção a 48 anos da ditadura, cuja propaganda (como resposta a dezasseis anos de caos e violência) se fundou nos valores da família, a religião e trabalho, tivemos trinta e cinco anos de democracia em que a estética imperante os proscreveu liminarmente. Exemplo disso é o que sucedeu à agricultura nacional, que de tão glorificada em tempos, foi votada ao abandono a seguir ao 25 de Abril, amaldiçoada pelos poderes como actividade quase indigna. Como resultado estabeleceu-se, uma cultura de indolência, especulação e irresponsabilidade: o “trabalho” é palavra de ordem banida, o desvelo é indício fraqueza, e a máxima aspiração indígena é ascender à fidalguia cortesã do regime, ancestral vício congénito, que os partidos se constituíram pródigos promotores.
A realidade actual seria irónica se não fosse a nossa desgraça: muito e árduo trabalho é a herança que temos e o testamento que deixamos, a nossa única redenção possível. Como acontecerá esta inevitável revolução em democracia, é a minha maior perplexidade.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Custo da dívida soberana - uma questão de comunicação?
O custo da dívida portuguesa há muito que deixou de ser um problema de comunicação; ao contrário, trata-se duma indisfarçável questão de facto, de substância. Por ora parece-me gratuita demasiada preocupação com os “discursos”, venham do ministro das finanças, venham de Angela Merkel, que digam uma coisa ou o seu contrário, nada disso comove os mercados. Nas empresas como na política as relações públicas, por mais competentes que sejam não dispensam uma realidade cooperante, um produto sólido ou ideia coerente.
Originalmente publicado aqui
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Tento na língua
Se qualquer coisa que se diga tem consequências nas reacções dos mercados e nos custos da divida soberana, o melhor é reservarmos a disputa política para o fim-de-semana que eles estão de folga. Mesmo assim prometo fazê-lo com parcimónia, jamais pondo em causa o prestígio do ministro das finanças, atitude que por estes dias se pode revelar uma tremenda falta de patriotismo e responsabilidade. Manuela Ferreira Leite não queria tanto, mas é ao que chegámos.
sábado, 16 de outubro de 2010
A culpa poligâmica
Chegados a este Estado de tragédia nacional, surgem os inevitáveis julgamentos e inventariação de culpados, pois que tamanha hecatombe não assenta bem num só (des)governo. Claro que numa análise profunda e isenta, as “culpas” alcançam o fundador da Pátria, D. Afonso Henriques e a sua desmesurada ganância de poder. Assim se relativizam as responsabilidades daqueles que em treze dos últimos quinze anos, (des)governaram a rés publica, inspirados na máxima do inenarrável presidente Sampaio “há mais vida para além do deficit” - com que este cuidou de desautorizar as veleidades da Dra. Manuela Ferreira Leite).
Mas eis aqui a minha patriótica contribuição para este magnânimo julgamento, chamando ao banco dos réus aqueles que durante os últimos anos cuidaram de assassinar politicamente qualquer oposição ás fantasias de José Sócrates. Refiro-me ao mais poderoso lóbi do regime, refiro-me ao 4º poder, à comunicação social amestrada com a sua promíscua cultura cortesã para com o Poder da Esquerda em geral e para com a máquina de propaganda socialista em particular. Foram estes senhores e os seus jornais que impunemente patrocinaram seis anos de negação da realidade, entretidos com as Causas fracturantes e demais contra-informação. Os jornalistas que por estes dias se contorcem habilidosamente entre os pingos da chuva desiludidos a vociferar contra os mercados, a conjuntura internacional e a ausência duma Europa solidária (para connosco, claro), são dos mais responsáveis pelo descalabro a que chegámos. E já que não são escrutinados eleitoralmente talvez devessem ser julgados por crime de delito comum, por cumplicidade na previsível falência da nossa economia através de publicidade enganosa. São co-responsáveis pela pobreza e angústias que se virá multiplicar em muitas casas e famílias portuguesas, desamparadas do manto protector do Estado socialista. Os senhores a que me refiro têm nomes e bilhetes de identidade, e só por leviandade ou pura mitomania dormem descansados. Ou será por convicções políticas?
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Bem vindos ao clube
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Onde é que se escondem os liberais quando o país necessita deles?
Como afirma Sílvia Oliveira hoje no I os accionistas da Portugal Telecom já conheciam com que regras estavam no "mercado" e a posição de Sócrates que agora exibe ao povo uma posição patrioteira e de esquerda, como um precioso troféu.
Até ver a PT, mais propriamente a VIVO, é considerada uma empresa estratégica para os interesses soberanos da Nação, vá-se lá entender porquê. De resto, o que sobra desta palhaçada, é a coerência do Partido Comunista que sempre defendeu a suas nacionalizações, além da confirmação do indelével adn socialista do regime. Nem o CDS lhe escapa, caramba!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Feriados em Portugal
Arriscando escandalizar alguns dos meus correligionários, confesso que concordo com o princípio duma redução de feriados em Portugal. Tal como o Henrique Raposo eu trocaria de caras o 10 de Junho, um resquício salazarista que este regime ainda não teve a coragem para apagar, pelo 1º de Dezembro em que se celebra um decisivo acontecimento histórico nacional. E se fosse eu a mandar, também trocaria o 25 de Abril pelo 24 de Julho ou pelo 25 de Novembro… É assim que, no impedimento duma unanimidade, arrisco afirmar que a proposta de Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro faz algum sentido e parece-me bastante equilibrada: mesmo perdendo o 1º de Dezembro, a racionalidade prevaleceria ao prescindirmos do 5 de Outubro, uma aberração para a qual nunca descobri uma fundamentação sólida - refiro-me à teoria que atribui à data a efeméride da assinatura do Tratado de Zamora que aqui defende o João Campos. De resto, já quanto às festividades religiosas, há algumas delas bastante importantes que hoje em dia não beneficiam de feriado, como é o caso da Quarta-feira de Cinzas e celebração do Lava-Pés na Quinta-feira Santa às quais um bom católico não deve faltar.
Finalmente, discordo da opinião do meu camarada Pedro Quartin Graça ao criticar a perspectiva economicista das deputadas socialistas: esquece-se porventura que nunca como hoje a soberania nacional esteve tão ameaçada, não por falta das celebrações como as do 1º de Dezembro, feriado que poucos lhe conhecem a origem, mas por culpa dum enraizado e mui latino desprezo por um certo pragmatismo que promova mais rentabilidade ao trabalho em Portugal. De qualquer forma, indiscutível é a insustentabilidade dos quase cinquenta dias de folga que gozam os portugueses anualmente. Mas para mudar qualquer coisa seria necessária alguma racionalidade e cedências das partes, o que à boa maneira portuguesa se me afigura impossível. Assim nos afundamos nesta paz podre e morte lenta.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Desta já escapámos
Hoje pela manhã deitei o rabo do olho na banca dos jornais e aquela preponderância de vermelho soviético pareceu-me insuportável. Na imprensa o regabofe deu até direito a brinde: imperdível a comovente crónica do benfiquista Manuel Pinho "Explode Coração" no Diário de Notícias, uma revelação, o homem simples por detrás do génio.
Dizem-me que não há sentimentos bons ou maus, simplesmente temos que viver com eles, é bem verdade e não me refiro à azia que a isso quase cinquenta anos de sportinguismo me tornaram imune. De resto se querem saber eu ontem sobrevivi graças à boa literatura e a uns tampões nos ouvidos que me ajudaram bastante. Além disso para a semana termina esta malfadada época, o Porto ganha a Taça no Jamor e tudo volta ao sossego, tanto mais que afinal o €uro foi resgatado com vida em Bruxelas, e o nosso tombo vai ser amparado, há vida para lá da Grécia, pilim para mais uma legislatura. E afinal quem se lixou foi a Merkel.
No intervalo deste turbilhão recebamos o Papa com a festa e a dignidade que ele nos merece, rezemos muito por nós e pelo País que por esta altura pouco mais podemos fazer.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A república em falência
PS: Da caixa de comentários destaco aqui este delicioso texto deixado pelo nosso venerável Ega:
Excertos de «Memórias de Um Átomo»:
Diário de Notícias - Necrologia - 11 de Junho de 2010. REPÚBLICA
Confortada com todos os sacramentos do Supremo Arquitecto do Universo, faleceu ontem na sua casa, ao Restelo, a Senhora D. República. A finada era mãe, avó e bisavó de cavalheiros tão distintos como os membros das famílias Soares, Pinto de Sousa, Louçã, Alegre e outros reputados paladinos da ética que lhe herdou o nome - a estimada ética republicana.
Quis o Arquitecto que nos comanda o destino que o decesso se verificasse precisamente no dia em que Portugal comemora as suas glórias e o seu povo pelos quatro cantos do mundo espalhado. Já em Outubro, a extinta perfazeria 100 anos de existência conturbada, em que soube estar sempre à altura de não deixar os nacionais fazerem o que tinham por mais conveniente ao seu bem. Não, a História registará a intransigência sem limites da falecida e de quantos tiveram a felicidade de com ela lidar - além dos acima referidos, os distintos sportmen Afonso Costa, Bernardino Machado, António José de Almeida, António de Oliveira Salazar e tantos outros que, desde ontem não têm cessado de comparecer ao velório, com o sofrimento estampado no rosto e um cravo vermelho na lapela.
Sempre lúcida até ao fim dos seus dias, enfrentou resignadamente a sua doença. E porque nunca virasse a cara ao combate, dispôs-se já no fim da vida a gastar 10 milhões de euros, na esperança de que a Ciência pudesse ainda fazer algo por si. Era já, porém, demasiado tarde.
O funeral realiza-se amanhã,logo à alvorada, com cerimónias fúnebres no salão nobre do Grande Oriente Lusitano, seguindo depois os seus restos mortais para o cemitério do Alto de S. João onde, por vontade expressa da finada, será dada jazida aos seus restos mortais entre as campas do Buiça e do Costa.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Que tal inscrever umas quantas greves no PEC?
Se uns quantos serviços públicos se juntarem aos transportes, e a greve se prolongar por mais algum tempo, é garantido que o pessoal adapta-se e resolve-se o num instante o deficit das finanças públicas.
terça-feira, 23 de março de 2010
E não havia de ser?
Portugal é favorável ao apoio financeiro da União Europeia à Grécia... primeiro porque assim está a precaver-se para uma mais que previsível emergência futura. Depois, porque desbaratar o dinheiro (dos impostos) dos outros é uma especialidade muito nossa, que há muito desistimos de nos governar.
A ignorância é tão atrevida...
É absolutamente espantoso André Ventura ter usado ontem, no debate da sua Moção de Censura, como “bom exemplo” a Revolução Puritana de Olive...
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Sabendo de como é coisa complexa e eu sei pouco do assunto, não perdi muito tempo a ver os pormenores das alterações ao código do trabalho. ...
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"Grossa asneira" foi como um amigo meu classificou o que fizeram Fernando Alexandre e Alexandre Homem Cristo. Quando perguntei qua...
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Estou cada vez mais irritado (e é difícil ficar ainda mais irritado, partindo do ponto em que estou) com a falta de qualidade e a estupidez...