A pretensão aqui reflectida pelo Tiago Moreira Ramalho de que os católicos ou a sua hierarquia não têm o direito de tomar públicas posições sobre questões éticas ou políticas é uma tentação profundamente tirânica, apenas materializada nas mais sanguinárias ditaduras do século XX. Simplesmente é da natureza das religiões possuírem doutrina e preocupações de âmbito moral e social.
De resto confesso tenho que cada vez mais dificuldade em tolerar um maniqueísmo exacerbado que prevalece numa certa sociedade portuguesa, e que uma boa parte da blogosfera espelha tão corriqueiramente. É estranho que em pleno Século XXI, à moda dum certo “Processo Revolucionário em Curso” de tão má memória, se alimentem ódios perfeitamente básicos e fratricidas esgrimidos num afã de vida ou de morte, que mata à partida qualquer discussão construtiva. Parece-me que uma controvérsia não se pode assemelhar a um duelo de onde apenas um lado pode sair com vida; isso torna-a doentia e estéril.
Para finalizar atrevo-me a esclarecer as dúvidas (?) do Tiago sobre as distinções honoríficas utilizadas na ICAR: elas reflectem uma organização hierárquica ancestral com correspondência noutras instituições, quanto mais antigas mais complexas e impregnadas de tradição: tomem-se em consideração, por exemplo, as formas de tratamento no mundo académico, jurídico ou militar.
Não se entenda a pergunta como agressiva ou paternalista, porque não pretende ser, mas que idade tem Tiago M. Ramalho?
ResponderEliminarÉ que os argumentos são típicos de quem ainda não pensou muito no caso nem percebeu que os tempos de funcionamento do mundo são diferentes (muito mais longos) que os da nossa efémera existência... Coisas que só a idade permite compreender realmente bem.
João,
ResponderEliminarEu não escrevi que defendia o fim da liberdade de expressão para católicos e clérigos. O que eu escrevi foi que a Igreja não tem o direito de usar do seu poder junto da população para pressionar o poder - lobbying. Existem partidos políticos e, volto a repetir: a Deus o que é de Deus, a César o que é de César.
Em tom de brincadeira, disse que eles se podem divertir à vontade nas reuniões, mas não têm o direito de impor a sua visão de família ou seja lá o que for ao país. Do mesmo modo que seria absurdo que eu ou o Estado português fôssemos pedir à Igreja para casar homossexuais. É absurdo, simplesmente.
"a Igreja não tem o direito de usar do seu poder junto da população para pressionar o poder"
ResponderEliminarRegiste-se a opinião. E compreenda-se como ela é completamente indefensável numa Democracia. Os cidadãos pelos vistos não se deviam poder organizar como querem, pelas razões que entenderem, para pressionarem o poder.