As declarações de Pedro Sánchez a 31 de Agosto de 2026, no programa Hoy por Hoy da Cadena SER, provocaram um abalo político em Espanha. Ao confrontar o papel do rei Felipe VI face à crise migratória em Ceuta, o Presidente do Governo espanhol gerou uma avalanche de reacções que dividiram profundamente o país e expuseram uma crise institucional sem precedentes. Truques de baixa política que são o seu timbre.
Ora acontece que, pela Constituição espanhola, o rei não tem autonomia de iniciativa política para visitar Ceuta ou Melilla sem que o próprio governo autorize ou convide. Consta que foi o próprio executivo de Sánchez que travou visitas anteriores por forma a evitar melindre diplomático com o rei de Marrocos. Para adensar o ridículo do golpe político, Sánchez cometeu uma ruidosa gaffe factual em directo ao afirmar que Felipe VI “reina há mais de 20 anos” — quando o monarca subiu ao trono em 2014 —, numa tentativa desesperada de empolar a alegada “ausência” do rei.
Mais grave, Sánchez usou o rei como aríete para assaltar a Zarzuela; atacou a coroa para alijar responsabilidades e desviar as atenções da sua própria gestão da crise migratória em Ceuta, quebrando uma convenção do regime. Tratou-se de um inopinado e perigoso precedente, como referiu na passada segunda-feira Miguel Morgado no seu programa de comentário na SIC Notícias.
Como refere o editorial do jornal espanhol ABC do dia 31 de Agosto: “Sánchez recorre a uma comparação totalmente imprópria com Felipe VI para sacudir as suas próprias responsabilidades na crise de Ceuta. É um erro profundo e uma instrumentalização inaceitável da Chefia do Estado.” Pelo respeito à neutralidade institucional histórica da Coroa espanhola, não houve comunicados públicos de resposta. No entanto, o impacto terá sido significativo: no dia seguinte à entrevista, Sánchez e o rei Felipe VI mantiveram um encontro invulgarmente longo de mais de três horas no Palácio Real.
Curioso é como no nosso regime semipresidencialista, o comentariado e os jornalistas não se cansam de reclamar a intrusão do Chefe de Estado nos assuntos de governança do país. Ninguém descansa enquanto Seguro não der um ralhete público ao Primeiro-Ministro para que ele despeça o Ministro da Administração Interna. Entende-se: são os casos, quanto mais dramáticos melhor, que animam os debates e comentariado político, conteúdos tão sensacionais quanto baratos dos nossos media, que têm de ter drama 24 horas por dia.
Sabemos muito bem das diferenças constitucionais e estéticas dos regimes dos nossos dois países, com realidades e fragilidades distintas. Sabemos muito bem que o nosso Presidente da República, tendo sido eleito pelo voto popular, possui prerrogativas que um rei não poderia reclamar. Lembrem-se como Jorge Sampaio “demitiu” o executivo de Santana Lopes, num inusitado conflito institucional. Ou imagine-se como teria sido se, nas eleições presidenciais de 2011, com o país em pleno resgate, Manuel Alegre as tivesse ganho. A nossa república semipresidencialista contém em si uma bomba-relógio, que um dia, provavelmente numa conjuntura pouco conveniente, pode explodir.
Não tenho simpatia nenhuma por António José Seguro nem pela sua família política, menos ainda pela instituição que representa. Mas acho muito bem, e aqui deixo o meu aplauso, a sua contenção e silêncio. O Chefe de Estado deve afirmar-se como reserva do seu povo (todo), e evitar até ao limite a intromissão na disputa política e jogo mediático, por mais acesa e inebriante que seja. Àqueles que reclamam a intervenção de Seguro na actual crise, aconselho que recorram ao colo do vosso pai para chorar as injustiças da vida democrática. Já somos todos crescidinhos ou não?
Publicado também no Observador

Sanchinflas, genro de Sabiniano , empresário de prostíbulos que lhe financiou a carreira política, é um simples canalha , vendido a separatistas e terroristas para se manter em Moncloa.
ResponderEliminarUm traidor que, "al alimón" com Zapatero, reavivou a Guerra Civil.
Uma questão de tempo o acabarem ambos no "banquillo".
Juromenha