quarta-feira, 28 de abril de 2010

A república em falência

 



 


Celebremos pois então.


 


PS: Da caixa de comentários destaco aqui este delicioso texto deixado pelo nosso venerável Ega:


Excertos de «Memórias de Um Átomo»:


 


Diário de Notícias - Necrologia - 11 de Junho de 2010. REPÚBLICA


 


Confortada com todos os sacramentos do Supremo Arquitecto do Universo, faleceu ontem na sua casa, ao Restelo, a Senhora D. República. A finada era mãe, avó e bisavó de cavalheiros tão distintos como os membros das famílias Soares, Pinto de Sousa, Louçã, Alegre e outros reputados paladinos da ética que lhe herdou o nome - a estimada ética republicana.


Quis o Arquitecto que nos comanda o destino que o decesso se verificasse precisamente no dia em que Portugal comemora as suas glórias e o seu povo pelos quatro cantos do mundo espalhado. Já em Outubro, a extinta perfazeria 100 anos de existência conturbada, em que soube estar sempre à altura de não deixar os nacionais fazerem o que tinham por mais conveniente ao seu bem. Não, a História registará a intransigência sem limites da falecida e de quantos tiveram a felicidade de com ela lidar - além dos acima referidos, os distintos sportmen Afonso Costa, Bernardino Machado, António José de Almeida, António de Oliveira Salazar e tantos outros que, desde ontem não têm cessado de comparecer ao velório, com o sofrimento estampado no rosto e um cravo vermelho na lapela.


Sempre lúcida até ao fim dos seus dias, enfrentou resignadamente a sua doença. E porque nunca virasse a cara ao combate, dispôs-se já no fim da vida a gastar 10 milhões de euros, na esperança de que a Ciência pudesse ainda fazer algo por si. Era já, porém, demasiado tarde.


O funeral realiza-se amanhã,logo à alvorada, com cerimónias fúnebres no salão nobre do Grande Oriente Lusitano, seguindo depois os seus restos mortais para o cemitério do Alto de S. João onde, por vontade expressa da finada, será dada jazida aos seus restos mortais entre as campas do Buiça e do Costa.

21 comentários:


  1. Excertos de «Memórias de Um Átomo»:

    Diário de Notícias -Necrologia - 11 de Junho de 2010.
    REPÚBLICA

    Confortada com todos os sacramentos do Supremo Arquitecto do Universo, faleceu ontem na sua casa, ao Restelo, a Senhora D. República.
    A finada era mãe, avó e bisavó de cavalheiros tão distintos como os membros das famílias Soares, Pinto de Sousa, Louçã, Alegre e outros reputados paladinos da ética qie lhe herdou o nome - a estimada ética republicana.
    Quis o Arquitecto que nos comanda o destino o decesso se verificasse precisamente no dia em que Portugal comemora as suas glórias e o seu povo pelos quatro cantos do mundo espalhado.Já em Outubro, a extinta perfazeria 100 anos de existência conturbada, em que soube estar sempre à altura de não deixar os nacionais fazerem o que tinham por mais conveniente ao seu bem. Não, a História registará a intransigência sem limites da falecida e de quantos tiveram a felicidade de com ela lidar - além dos acima referidos, os distintos sportmen Afonso Costa, Bernardino Machado, António José de Almeida, António de Oliveira Salazar e tantos outros que, desde ontem não têm cessado de comparecer ao velório, o sofrimento estampado no rosto, um cravo vermelho na lapela.
    Sempre lúcida até ao fim dos seus dias, enfrentou resignadamente a sua doença. E porque nunca virasse a cara ao combate, dispôs-se já no fim da vida a gastar 10 milhões de euros, na esperança de que a Ciência pudesse ainda fazer algo por si. Era já, porém, demasiado tarde.
    O funeral realiza-se amanhã,logo à alvorada, com cerimónias fúnebres no salão nobre do Grande Oriente Lusitano, seguindo depois os seus restos mortais para o cemitério do Alto de S. Jão onde, por vontad eexpressa da finada, será dada jazida aos seus restos mortais entre as campas do Buiça e do Costa.

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  2. Marquesa de Carabás28 de abril de 2010 às 14:54

    Senhor Ega,

    Como o sei longe, prontifico-me a  apresentar os seus pesâmes no mortório, com todas as "recomendações" que achar por bem. É só fazer a fineza de me fazer chegar o texto pretendido que do compungimento adequado às circunstâncias, trato eu, com o maior desvelo.
    Estou aliás tomada de enorme comoção.
    E o senhor já mandou avisar às cortes? Como a coisa é só para 11 de Junho, ainda tem tempo de mandar um carro a avisar...mas faça o obséquio de dispôr, pelo menos até dia 9. Dia 10 estarei no velório e dia 11, a acompanhar as cerimónias, singelas certamente, que  Ilda sempre foi uma rapariga discreta.
    Agora se me permite, recorro aos sais e retiro-me, que estou deveras abalada.
    Com sua licença,


    Cumprimentos,



    Marquesa de Carabás



     

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  3. perfaria, por favor.

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  4. Senhora Marquesa, minha Senhora:

    Eu efectivamente não poderei estar na capital à data das exéquias. Em se dispondo V. Ex.cia a representar-me nesse solene momento, sempre lhe pedia depositasse uma rosa da rainha Santa aos pés da defunta. E com aquela minha expressão de sapato apertado transmitisse aos seus herdeiros os meus sentimentos, sem quaisquer ressentimentos.
    Pelo sim, pelo não, rogo-lhe deixe ficar naquela salvazinha que costuma estar à entrada dos velórios, o meu cartão de visita. Por favor, não esqueça de dobrar o canto superior direito do mesmo. Fica mais rafiné.

    Muito grato pelo cuidado de V.Ex.cia,
    sempre respeitosamente,

    J. da Ega.

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  5. Olhe que não, olhe que não, como diria esse outro distinto sportman A. Cunhal.

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  6. Caro João.

    Ao tempo que anda para publicar o livro, o mesmo já vai com umas mais de mil paginas.

    O meu amigo tem de se decidir a dar-lhe um fim, ou será essa a tarefa do próximo Ega que vier ?

    Já agora o funeral, terá cerimónia religiosa ou vai ser obrigatório usar avental ?

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  7. Caro Nuno:
    Às tantas o livro sai mesmo. Quem sabe?
    sobre o cerimonial da extinta, não lhe posso adiantar grandes pormenores. Eu também pensei no avental. Mas depois lembrei-me da proximidade do Santo António de Lisboa. Como andamos todos um pouco esquecidos politicamente, poderia acontecer algum grave incidente protocolar. Imagine se a rapaziada de Alfama e da Madragoa ao ver o préstito pensava tratar-se de alguma marcha popular e vinha por ali a baixo a «gingar de rabona»...
    Se acrescentar esta questão das noivas do dito pobre Santo, que agora não tem sexo, e tanto se vestem de negro como de branco, ou rosa ou azul bébe, eu, a comparecer, equiparia como a nossa Selecção, calções incluidos. Até porque com a herança jacente e o luto obrigatório, já não vamos à Africa do Sul.

    Um abraço (circunspecto, como convém na circunstância dificil que vivemos).

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  8. Infelizmente, parece que a pobre coitada morreu numa grande agonia e sofrimento, causado pela insolvência e ruína total de mais de 10 milhões, foi tanta a tragédia que ela enlouqueceu , achava que o deficit era 0,1%, que o crescimento era de 7% e que servia bem os seus filhos...
    Quanto ao velório não vou, não gosto dessa Catedral do S. GADU , para além de não ter o avental exigido...

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  9. Marquesa de Carabás28 de abril de 2010 às 16:54

    Não me diga Senhor Respública. Eu que tive que me recolher de imediato, depois do "golpe" da notícia do senhor Ega, vou ter que pedir emprestado à Rosa o avental?
    O Senhor tem mesmo a certeza que é obrigatório ir-se de avental?
    Com essa, digo-lhe que não estava nada a contar...já tinha pensado num tailleur e numa pequena capeline...bem sei que discreta e escura, mas adaptar-lhe agora o avental da Rosa...

    Agradeço-lhe o aviso. Não estava nada a contar com isto. Nunca fui de avental a lado nenhum. Já pensou: eu a chegar lá, ainda por cima com as recomendações do senhor Ega, um distinto cavalheiro, o ar de sapato apertado que me recomendou e, encontrar tudo pronto para amassar o pão, menos eu...isso sim, isso seria uma vergonha. Vou de tailleur, capeline e, o avental às bolas da Rosa. Está decidido!

    Grata pelo seu aviso,


    Cumprimentos,



    Marquesa de Carabás

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  10. Cara amiga,
    É pior o avental da Rosa não chega, tem que ser um avental especial, deve ter ou os símbolos de um compasso e um esquadro ou o símbolo de S. GADU , embora pode sempre colar tais elementos no avental ás bolas...

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  11. Tem toda a razão. Muito obrigado pelo reparo.
    O tipógrafo será devidamente repreendido.

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  12. Caro Rei das Pampas:
    Vou mais longe - deito-lhe uma pitadinha de Thomaz e J. Sampaio e a coisa fica explosiva. Nem para a boca de um indiano...

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  13. Caro Ega, desde já os meus parabéns por tão inspirado pedaço de prosa, que muito me divertiu e continuará a divertir, continue meu amigo, continue.

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  14. Caro Falso Rei das Pampas

    Poderia dizer que estou consternadíssima, mas como sou sempre franca, devo dizer que foi o melhor que podia acontecer à Veneranda Senhora.

    A verdade é que a República, nasceu com uma grave anomalia congénita, que nunca lhe permitiu viver a vida, por isso foi sempre rancorosa, intrigista, malévola, e gastadora.
    Aquilo a que eu chamo ,uma verdadeira Megera!

    Como é hábito, nestas ocasiões, as "almas condoídas", costumam consolar as famílias com a frase:
    "Mas se estava tão doentinha, coitadinha, ao menos agora, já não sofre mais."

    Desta vez, faço minhas, as suas palavras, até porque, o recurso ao Ventilador, já lhe fora recusado, por excesso de idade, e a família, tinha já em preparação a Documentação o Recurso à Eutanásia.

    Comparecerei ao Serviço Fúnebre.
    Tal como a Sra Marquesa, vou de Tailleur, preto claro.
    Como a Sra Marquesa irá de Capelline Parisiense, eu irei de Mantilha Sevilhana.

    Mas quem irá levar a Cruz, não será Salazar, serei eu.
    E não levarei a Suástica da Mitologia Hindú, levarei a Cruz Anck, da Mitologia Egípcia.

    É mais adequada à situação, já que o coração da Falecida e Dispendiosa Dama irá ser em breve pesado na Balança de Osiris.

    E claro que levarei um avental.
    Escolhi um Azul Escuro. Fica horrível no meu Tailleur preto Ytaliano, mas como o comprei há uns anos, na Boutique das Pousadas de Portugal, no Mosteiro do Crato, assim, aproveito para homenagear a família do Grande Arquitecto.


    Maria da Fonte

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  15. Marquesa de Carabás29 de abril de 2010 às 11:57

    Maria da Fonte,

    Mantilha é que eu não sei. Já viu se faz soprar de lá algum vento que traga alguma ideia...eles são pródigos em ideias e nós estamos aqui encurraladinhos e mais para mais, cada vez mais pobrezinhos.
    Já viu, agora chegou aí um tal de Carlos Santos...está mesmo a jeito para próximo "convertido".  É só encetarmos novo folhetim...grão a grão...

    Cumprimentos e lá nos encontraremos no velório, que espero não seja muito longo, por causa dos saltos.



    Marquesa de Carabás

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  16. Marquesa de Carabás29 de abril de 2010 às 12:08

    Senhor Velho,

    Não sei outra vez onde pára a música. Faça o favor de interferir a favor do "momento musical" a que temos direito! Sim, porque os comentadores do Corta já têm direitos. O Senhor Rés, tem direito a tudo tradizido do alemão que ele não gosta. A Maria da Fonte tem direito a uma Árias épicas, o Senhor Velho tem direito ao seu barroco...isto devia estar já tudo apontado e devidamente coordenado e não está! Não se percebe.
    Eu, que até  sou a  menos exigente.

    Hoje  deixo aqui uma coisa fantástica que descobri ontem. Ando a treinar, mas sem muito sucesso... Temos que nos "modernizar". Chama-se TeKtoniK.


    http://www.youtube.com/watch?v=z34ZDa7VmAc (http://www.youtube.com/watch?v=z34ZDa7VmAc)

    Cumprimentos,



    Marquesa de Carabás

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  17. Muito obrigado, caro Velho da Floresta, pelas suas simpáticas palavras. Pode ser que saia mais alguma notícia lá para o 7º dia...

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  18. Senhora Marquesa penso que o Senhor Tabosa, está ciente tanto dos seus cuidados como dos meus, sobre o esquecimento da grande música por parte dele, quando a comissão de inquérito terminar ele deve voltar aos momentos a que nos habituou, aguardemos pois.

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  19. Sra Marquesa
    Tem toda a razão. Já devolvi a Mantilha e as Castanholas.
    Vou escolher um chapéu adequado à difícil situação.

    Espero que a Irmandade tenha uns sofás confortáveis, porque 12 cms de saltos, dão-nos direito a lugares sentados.

    Melhores Cumprimentos e até  ao velório

    Maria da Fonte

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