quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Está tudo igual, excepto o estreito, que passou a estar fechado

O título resulta de um comentário que me foi feito sobre os efeitos da guerra entre o Irão e os Estados Unidos, e é um argumento recorrente.

A mim parece-me um argumento absurdo.

No dia 7 de Outubro de 2023 o eixo da resistência patrocinado, financiado, treinado e armado pelo Irão, sentiu-se suficientemente forte para invadir Israel, matar tantas pessoas quantas possível, levar quantos reféns fosse possível e, com essa acção, aparentemente, desencadear um ataque coordenado de todos os membros do eixo da resistência, esperando levantar a rua árabe em apoio dessa acção.

Um erro de cálculo da dimensão do que Putin cometeu com a invasão da Ucrânia.

A resposta de Israel foi bastante prudente, dando tempo para que se verificasse que o Hezbollah não alinhava nesta ofensiva de forma determinante, e que a rua árabe se mantinha mais que silenciosa.
O resultado prático são 50 mil militares do Hamas mortos (a julgar pelas pensões de sangue atribuídas pelo Hamas a familiares dos mártires), a derrota do Hamas que agora está na defensiva a tentar sobreviver, perdendo o controlo de grande parte de Gaza e da distribuição de ajuda internacional, a desarticulação do Hezbollah, a fragilização das milícias xiitas na Síria e no Iraque, a demonstração de impotência dos Houtis e, por último, mas talvez não menos relevante, a exposição da crise profunda da ONU.

No Irão, o regime tremeu com os protestos na rua, e está hoje muitíssimo enfraquecido, sem grande dinheiro, vergonhosamente humilhado militarmente, reduzido a desesperadamente fazer ataques pífios aos seus vizinhos, incluindo alguns mais ou menos aliados, e a tentar desestabilizar o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, não através da imposição das suas regras, mas através do ataque de baixa intensidade a navios civis, que resultam em respostas intermitentes dos Estados Unidos que enfraquecem progressivamente a capacidade do Irão controlar o estreito de Ormuz.

Sim, o estreito estava aberto e hoje está quase fechado - passam os 15 a 20 navios por dia no estreito - mas não é a única alteração, é todo o jogo de forças do Médio Oriente que está a alterar-se rápida e profundamente.

É cedo para dizer o que será o efeito de longo prazo desta guerra, mas só uma completa cegueira permite negar a erosão do poder desestabilizador do Irão na região.

28 comentários:

  1. Análise factual e assertiva, conclusões óbvias e irrefutáveis

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  2. Está mesmo tudo igual! Parece que quer fazer como fazer nas TVs onde há muitas horas de comentários que servem para nada. Mas o povo é "cego" e não percebe que temos vários problemas preocupantes.
    Este seu texto serve para o que?

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    1. Serve para confirmar que o caro Anónimo é mesmo cego.

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  3. A cegueira da fé socialista. A mais poderosa fé de todas....

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  4. A resposta de Israel foi prudente? Só pode ser para rir isto. Além do exterminio diario da população de Gaza, agora estendeu a sua actuação ao West Bank dando carta branca aos colonos para fazerem todo o tipo de atrocidades. Mas imagino que também vai dizer que não se passa nada no West Bank

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    1. Extermínio diário há quase três e as estatísticas mais desfavoráveis, feitas pelo Hamas, apontam para um declínio de 10% da população (as estatísticas mais sérias apontam para um aumento continuado da população, mas não passam de estimativas, claro)?
      Qual é mesmo a definição de extermínio que usa?

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    2. Sempre assertivo e acertado
      Confunde-se genocídio com um conjunto de operações militares cirúrgicas.
      Israel está a combater de modo humano e humanitário.

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    3. Muito humanitários mesmo. Ainda hoje foram mortos 2 adolescentes pelo exército mais moral do mundo

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    4. Foram? É possível que sim, mas não seria melhor esperar por confirmação de fontes independentes, em vez de confiar na propaganda do Hamas?
      E, sendo adolescentes, qual era o seu papel? É que o Hamas recruta muito adolescentes (a que chama, frequentemente, crianças, porque a definição formal de criança é até aos 18 anos).

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    5. West Bank - ui! Até usa linguagem técnica:).
      Às tantas nem sabe o que é o West Bank. Nem porque se passou a chamar assim...

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    6. Até que idade, na sua opinião, uma criança o é de facto e não apenas "formalmente"? Ou adolescente? Numa altura em que se tende considerar que a adolescência se prolonga até aos 24, pelo conhecimento que hoje se tem do processo de maturação do cérebro. Mas imagino que no caso dos órfãos de Gaza a idade adulta seja atingida muito mais cedo. Quando vemos crianças de 5 anos a desejar morrer, de facto... Talvez o "hamas" devesse usar uma tabela adaptada.

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    7. Excelentes questões

      Comentário anterior é típico jornalismo marxista, fazer afirmações sem qualquer prova ou confirmação. Falta espírito crítico.

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    8. Eu percebo para o Henrique é tudo Hamas. Sobre a violência diária praticada pelos colonos nem uma palavra

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    9. É-se criança até à puberdade. O resto é conversa.

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    10. Há raparigas que chegam à puberdade aos 10 anos. Já não são crianças?

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    11. Por essa ordem de ideias, uma rapariga que nunca menstrue, que também as há, nunca deixa de ser criança? E nos rapazes, que não menstruam, como é sabido, em que momento estabelece a fronteira?

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    12. Colonos?
      Cidadãos com legítimo direito à defesa, sua e da propriedade.

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    13. Não vou continuar a argumentar com alguém que, estupidamente e sabendo bem da dimensão da estupidez, pretende reduzir a puberdade ao aparecimento da menstruação.

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  5. No entanto disto decorre pelo mundo ocidental a narrativa de um completo falhanço dos EUA e de Israel. A narrativa que o Irão, apesar de ter perdido centenas de altos dirigentes para as virgens no paraíso, está mais forte e robusto que nunca!

    Hoje o estreito está fechado ou fortemente condicionado, mas o Irão está contido como ameaça. Não tivesse havido esta intervenção, hoje estaríamos com Irão nuclear, a dizer que em Ormuz e toda a região é deles e como eles quiserem. Quem não gostar ou vergar leva com uma bala na cabeça, como se faz ao próprio povo, e não se fala mais no assunto!

    Carneiro

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  6. Um erro de cálculo da dimensão do que Putin cometeu com a invasão da Ucrânia.

    Putin cometeu um erro de cálculo? Não o vejo. O que se constata - refiro-me somente a factos observados e comprovados - é que o Donbass já é praticamente todo russo (falta somente conquistar as cidades de Sloviansk e Kramatorsk) e que na província de Zaporíjia o avanço russo também é quase total. E a economia russa está de pé.

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    1. Putin lançou uma operação militar especial para mudar o governo de Ucrânia em alguns dias. Quatro anos depois, parece-me claro que alguma coisa falhou na avaliação da situação

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    2. Trump lançou uma operação militar especial para mudar o governo do Irão em alguns dias. Quatro meses depois, parece-me claro que alguma coisa falhou na avaliação da situação

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    3. Talvez, o que é que isso tem com o que escrevi?

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    4. Nada
      Tem sido um sucesso, como o post defende

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  7. A censura não é o melhor caminho especialmente quando se critica a prepotência do actual presidente americano.

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  8. Não deixa de ter a sua graça que o Henrique escreva este post três dias antes de a gasolina subir de preço doze cêntimos por litro.
    Todas as maravilhas que o Henrique apregoa custam muito caro ao povo.

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