segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A TIRANIA DAS MINORIAS RUIDOSAS

 Não tenho qualquer simpatia pela onda de manifestações que varre a Europa, incluindo Portugal.

Uma das razões, embora não seja a principal, é a de que, perante problemas reais, se propõem soluções erradas. É evidente que não é impondo tectos às rendas ou dificultando o despejo de inquilinos incumpridores que se cria um mercado de habitação dinâmico, capaz de responder às necessidades de quem procura casa. Pelo contrário: estas medidas tendem a agravar os problemas que dizem pretender resolver.

A segunda razão é mais profunda. Não tenho qualquer simpatia por quem procura impor à sociedade, através de diferentes formas de coacção, ideias que não consegue fazer vingar no debate democrático e nas urnas. É por isso que olho com desprezo para o embevecimento de tantos sectores da esquerda, e não apenas da extrema-esquerda, perante movimentos que recorrem a formas de pressão ilegais e ilegítimas para impor a sua vontade à maioria.

Sim, quando afirmam que só desmobilizarão quando o Governo aceitar as suas reivindicações, estão a dizer, na prática, que pretendem impor à esmagadora maioria dos portugueses as ideias de uma minoria que, nas últimas eleições, não conseguiu reunir mais do que uma pequena parcela do eleitorado. Se quisermos ser rigorosos, os partidos da extrema-esquerda, ou da esquerda radical, se preferirem, representam cerca de 10% dos votos. É essa minoria que pretende condicionar a vontade política de todos os outros.

A táctica destes grupos é, quase sempre, a mesma. Começam por acumular comportamentos ilegais ou inaceitáveis, desde a ocupação abusiva de espaços públicos à vandalização de estátuas e de outros equipamentos. Quando, depois de repetidos avisos e apelos, a polícia finalmente intervém para repor a ordem, passam imediatamente ao papel de vítimas. Gritam contra a violência policial e procuram inverter as responsabilidades, transformando em agressor quem tenta fazer cumprir a lei.

Numa sociedade que revela cada vez menos capacidade para exercer a autoridade do Estado e defender as suas próprias convicções, como me parece ser o caso da Europa actual, esta táctica profundamente antidemocrática acaba por ter algum sucesso. A intimidação é confundida com mobilização popular, a desordem com resistência e a transgressão com coragem política. E há sempre quem, do lado de cá, se deslumbre com o espectáculo.

Não contem comigo.

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