Há uma associação de velhos jacobinos que, de vez em quando, resolve fazer prova de vida protestando contra a presença de entidades religiosas em cerimónias oficiais.
Faço já a minha declaração de interesses, sou agnóstico, parto da velha piada de que se Deus existe, o problema é dele.
Ao que acho graça nestas indignações sobre a presença do Cardeal Patriarca na inauguração de uma escola, e respectiva benção na inauguração, é a falta de segurança ideológica destes senhores republicanos e laicos.
Pela minha parte, hoje penso como descrevi, se amanhã pensar de outra maneira, não é problema.
Estes senhores, pelo contrário, acham que por haver um padre numa cerimónia, por haver uma benção, o Estado português deixa de ser laico (apesar de não se manifestarem quando os campeões do futebol são recebidos oficialmente por serem campeões de futebol. Não vale a pena dizerem que é por terem feito qualquer coisa extraordinária, bem me lembro de, no mesmo dia, estar a seleccção do futebol a chegar ao aeroporto com escolta policial, ao mesmo tempo que os carros dos pais dos surfistas da selecção nacional que iam para um campeonato do mundo eram importunados pela polícia por demorarem mais de cinco minutos a descarregar pranchas junto à entrada do terminal).
E ainda mais me lembro da figura ridícula de Mário Centeno com o cachecol de futebol numa reunião do eurogrupo, ecofin, ou qualquer coisa dessas em que deveria manter um mínimo de decoro.
Caros republicanos furiosamente laicos, talvez seja a altura de saberem que as escolas servem as pessoas e as comunidades e se as comunidades quiserem manifestar a sua fé num Deus, numa igreja, num clube de futebol ou num patrocinador, isso é com elas e é assunto para ser resolvido dentro das comunidades.
Uma coisa é o Estado ter uma religião oficial e tratar uma igreja de forma diferente das outras, mais, ou menos, favorável.
Outra coisa é as comunidades celebrarem o São João no Porto (ou em Braga) e os seus representantes, através do Estado, participarem e estarem presentes, isso é uma opção de comunidades vitais que reconhecem valores comuns e os celebram.
Percebo a vossa irritação por ninguém vos ligar nenhuma nem à vossa interpretação da constituição, mas isso é a sina de todos os marginais, como é o vosso caso.
Primeiro, ganhem as populações e as comunidades para as vossas ideias, e depois, se conseguirem, imponham-nas aos outros e impeçam cardeais de irem onde as comunidades os convidem.
O que fazem actualmente é atribuírem-se a si próprios uma importância que, talvez injustamente, pouca gente vos reconhece.
"se as comunidades quiserem manifestar a sua fé num Deus, numa igreja, num clube de futebol ou num patrocinador, isso é com elas"
ResponderEliminarSim, sem dúvida, mas neste caso não havia comunidade nenhuma, o que havia era uma escola pertencente ao Estado (e não a uma comunidade qualquer).
O Estado é uma entidade abstracta, as escolas são uma realidade concreta das comunidades em que estão.
EliminarÉ exactamente essa a questão.
as escolas são uma realidade concreta das comunidades em que estão
EliminarO mesmo pode ser dito das mercearias, das farmácias, dos restaurantes, dos centros de saúde, etc.
No entanto, todos esses estabelecimentos obedecem às regras do seu proprietário, e não a regras comunitárias.
Da mesma forma, as escolas do Estado devem obedecer a regras impostas pelo seu proprietário (o Estado), e não a outras quaisquer.
"O Estado é uma entidade abstracta, as escolas são uma realidade concreta das comunidades"
EliminarEu diria exatamente o contrário: as comunidades são entidades abstratas,
o Estado é uma realidade concreta.
Basta ver que todos nós temos um cartão de cidadão e leis que nos regem, mas poucos ou nenhuns de nós têm um cartão que nos defina como membro de uma qualquer comunidade. A palava "comunidade" é completamente abstrata - tal como aliás os direitistas gostam de fazer notar quando se fala, por exemplo, da "comunidade lésbica".
"o Estado ter uma religião oficial e tratar uma igreja de forma diferente das outras"
ResponderEliminarSão duas coisas bem distintas.
O Estado português não tem uma religião oficial. Mas trata a Igreja Católica de forma mais favorável do que as outras.
Importa-se de dar exemplos de tratamento mais favorável da Igreja Católica que não resulte, como neste caso, da sua inserção diferente nas comunidades?
Eliminar"Importa-se de dar exemplos de tratamento mais favorável da Igreja Católica"
EliminarO facto de haver certos feriados religiosos católicos cujo enraizamento na comunidade é escasso (exemplos: Corpo de Deus, 15 de agosto, 8 de dezembro).
A fiscalidade favorável aplicada a todas as instituições católicas.
Os feriados não são nenhum benefício da nenhuma igreja, são uma decisão do Estado que se reflecte nas pessoas.
EliminarO segundo exemplo, é falso.
Dei umas boas gargalhadas! "Ai que horror que voltamos ao estado novo! Vi a fotografia e senti me nesse tempo negro". Já li tanta tontice sobre o tema...
ResponderEliminarVer HPS quase sarcástico é uma novidade.
ResponderEliminarO seu texto é uma confrangedora sucessão de falácias. Monumentais e infantis, por sinal. Talvez fosse bom perceber que o desporto não tem nada a ver com laicidade e que as festas religiosas, celebradas e participadas pelos crentes e adeptos das ditas cujas, nada têm a ver com inaugurações de Escolas PÚBLICAS, onde o Estado se deve pautar pela prudência, independência, neutralidade e imparcialidade face a ideologias, nomeadamente as confessionais. A Escola pública, caso não saiba, é de todos. Não é um espaço para alguns fazerem proselitismo confessional ou usufruírem de privilégios que não são dados a outras religiões.
ResponderEliminarEscolas públicas, isto é, das comunidades.
EliminarSe protestasse com o dinheiro que o Estado gasta a fazer festas religiosas, que também são comunitárias (porque será?), faria bem melhor.
Em qualquer caso, muito obrigado pela ilustração do post ao vivo e a cores.
Que grande confusão. Da religião passa para o futebol e, de permeio, mete os pais de surfistas ao barulho.. Só faltou o fado.
ResponderEliminarE o futebol não é uma fé ?
EliminarEstou com o hps, tb acho graça nestas indignações sobre a presença do Imã na inauguração de uma escola, e respectiva benção na inauguração
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